Dalva, Herivelto e a polêmica da mini-série

Como expliquei no blog de Luis Nassif (leia AQUI e AQUI), infelizmente – por razões diversas – não pude ver a mini-série da Rede Globo sobre Dalva de Oliveira e Herivelto Martins (na foto acima, os atores Adriana Esteve e Fábio Assumpção; abaixo, os personagens da vida real). No passado, como milhões de brasileiros, também acompanhei aquela briga musical. Hoje acho saudável o empenho da Globo em investir na história de nossa música popular (mesmo com eventuais tropeços, às vezes inevitáveis) como também partirmos, na nossa análise, de uma visão cética ao examinar a veracidade ou não do que nos é contado na TV.

Um comentário no blog do Nassif alegou que Herivelto, apesar de “grande sambista, grande compositor e grande músico”, foi um “grande canalha”. De certa forma foi essa a imagem maniqueista e provavelmente injusta que ficou da briga do casal. Mas a conclusão do comentarista pareceu-me reveladora. Disse ter chegado a ela “com base nas informações da maior testemunha de toda essa história: o filho mais velho do casal, Pery Ribeiro”.

Ora, ele se referia às conclusões do livro assinado por Pery Ribeiro e sua ex-mulher Ana Duarte. Um livro publicado às pressas pela editora Globo, subsidiária da mesma corporação cuja rede de TV produziu a série, para a mesma jogada de marketing. Nada contra a sinergia dos impérios de mídia, sempre boa receita para fazer muito dinheiro. Mas terá mesmo o Pery Ribeiro escrito o livro? E se escreveu, será ele testemunha confiável?

À época da briga do casal Pery tinha uns cinco anos, creio, e morava com a mãe. Já adulto, passou a dar palpites até sobre a visita ao Brasil do cineasta Orson Welles, numa época em que era quase bebê. Num filme sobre a visita de Welles, Pery “testemunhou” como se lembrasse de tudo, embora a única relação dele com o fato fosse o detalhe de ser filho de Herivelto, que assessorava o cineasta em matéria de música, samba, carnaval, etc. Aliás, pelo que sei, não houve qualquer referência na mini-série àquele episódio.

Seria bom saber que tipo de pesquisa fez Pery ou Ana Duarte para produzir o livro bancado pela editora e pela mini-série. Jonas Vieira, jornalista e pesquisador de nossa música popular, fez juntamente com Natalício Norberto, o único livro em que o lado de Herivelto de fato apareceu. Se eu fosse o Jonas, a esta altura estaria procurando um advogado para processar eventuais plagiários que podem ter faturado muito surrupiando o que só ele e Norberto apuraram – e, pior, tomando o partido do outro lado.

Num programa de duas horas na Rádio Roquette Pinto do Rio de Janeiro o Jonas já ofereceu sua análise crítica da mini-série. Tem autoridade para isso: o último depoimento do compositor foi feito a ele, para o livro Herivelto Martins, uma escola de samba (capa ao lado), lançado em 1992, poucas semanas antes de sua morte naquele mesmo ano (uma reedição revista e ampliada está prevista para as próximas semanas).

A visão bem fundamentada de Jonas aparentemente entra em choque com o relato oportunista da Globo, que no fundo limitou-se a perpetuar a impressão dada na época pela cobertura leviana da mídia. Impressão que obviamente seria ainda a da testemunha não confiável (por ser criança e vítima da separação), que no máximo daria um bom estudo psicanalítico sobre os efeitos nocivos das brigas de casal e da má conduta da imprensa.

Jonas também foi minucioso e enfático ao analisar o assunto no seu programa da Roquette Pinto, “Rádio Memória”. Expôs um amontoado de erros grosseiros da mini-série – citando até personagens reais que eram negros e na Globo viraram brancos de olhos azuis (que diabo, Ali Kamel, somos ou não racistas?). Os interessados podem ouvir a gravação no website da rádio (AQUI), conferir a continuação no próximo domingo e talvez ainda no seguinte, com muita música, selecionada por Jonas com extremo cuidado.

Entre quase três dezenas de comentários (muitos deles interessantes e reveladores) sobre a mini-série Dalva-Herivelto no blog do Nassif, preferi incluir aqui apenas o de Lu Dias BH, que também me escreveu. É o que transcrevo abaixo, antes de incluir minha última intervenção, sugerindo que se deixe para a sensatez dela a palavra final.

ATÉ ONDE HERIVELTO É CULPADO?
Lu Dias BH

É fato, que os espectadores da minissérie, que trouxe à tona a vida turbulenta do casal artístico Dalva de Oliveira e Herivelto Martins, em sua maioria, tomaram o partido de Dalva. Isso acontece, porque somos muito mais, movidos pelos sentimentos, de que pela razão. Mas, até que ponto o outro é responsável por nossas atitudes, por nossa maneira de sentir o mundo e agir?

Não é fácil bloquear ou romper nossas relações, uma vez, que o relacionamento é a essência do existir. Por isso, o ato de cortar relações foge à natureza humana, tornando-se uma atitude hostil à realidade. Quando isso acontece, de certa forma, prejudica todos os envolvidos. Todo rompimento traz sangramento, assim como acontece com qualquer órgão de nosso corpo. É uma perda de energia, mesmo que, em longo prazo, ela possa nos fazer bem.

Não podemos negar que, na vida, todos os seres sofrem. Mas, a verdade é que uns sofrem bem mais de que outros. A indagação a ser feita é por que uns sofrem mais e outros menos. Suponhamos que Emilinha Borba ou Marlene estivesse no lugar de Dalva. O sofrimento teria sido o mesmo? E por quê?

Sinto que certas predisposições biológicas tornam-nos mais ou menos afeitos ao sofrimento. De forma que, cada um, reage diferentemente. E, ninguém pode nos tornar tal fardo mais leve, a não ser nós mesmos. Como fazer isso é uma tarefa que nos cabe, individualmente.

Não é possível negar que fazemos mal, uns aos outros. Assim como não podemos negar que as conseqüências do mal recebido, variam de conformidade com o receptor. Ele é o responsável por colocar sua dor ao sol e fazê-la secar, reduzindo-a ao pó. Ou colocá-la na água com fermento, alimentando-a para que cresça e frutifique. A opção é pessoal. E, por isso, diminui a capacidade de o observador fortuito analisar o responsável maior, por esse ou aquele sofrimento.

A cultura humana ensina que o mal maior é aquele, que recebemos, e não o que fazemos ao outro. A nossa avaliação é, portanto, muito mais exterior que interior. Por isso, eu me pergunto se, o nosso sofrimento, muitas vezes, não é uma forma inconsciente de punir o outro, que julgamos não ter o direito de nos ter feito sofrer? Vemos isso, principalmente, nas relações entre casais, ou entre familiares. Enquanto esquecem, com facilidade, o sofrimento a eles impingido, por estranhos, têm dificuldade em esquecer o que lhes é direcionado pelos que amam.

A paixão tem a capacidade de nos toldar a razão e de nos cobrir com o manto da ignorância. Não me refiro apenas à falta de conhecimento, mas, também, à incapacidade que adquirimos de ver, ouvir e sentir, de modo a negarmos a realidade, em que estamos inseridos.

Uma união em desequilíbrio não é só prejudicial aos atores principais, como a todos que estão à volta. Se, não é possível reformá-la, o melhor é desfazer-se dela. Sem falar que, nenhum dos cônjuges pode, em sã consciência, comprometer-se com a durabilidade dos sentimentos, que o levou a se unir ao outro.

Quando, um dos lados opta por deixar o relacionamento, seja lá qual for o motivo, o outro nada pode fazer, a não ser aceitar e continuar buscando a sua felicidade, em outra seara. Talvez, seja isso o que a nossa querida estrela devesse ter feito, uma vez que Herivelto sacrificara o amor que tinha por ela, em função do machismo que carregava. Postura que carregou até à morte da cantora.

Dalva era uma mulher vibrante, batalhadora e moderna demais para a época. Enquanto, Herivelto ainda se apegava à falsa moralidade de que o homem podia fazer tudo sem manchar o nome, mas, qualquer coisa maculava o “sexo frágil”. Ele era, apenas, fruto dos preconceitos de seu tempo. Sem falar, que o sucesso de Dalva pesava sobre o seu machismo. Ela era a grande diva do Trio de Ouro. Um casamento não poderia sobreviver a tamanho descompasso.

Ainda, com a emoção à flor da pele, podemos condenar Herivelto. Mas, não podemos lhe imputar a obrigação de ter continuado, num relacionamento que não mais lhe dava satisfação, quaisquer que sejam as suas causas pessoais. O fato de Dalva não ter aceitado a separação e sofrido em conseqüência dela, não o torna melhor ou pior.

O sofrimento de Dalva foi uma escolha pessoal. Herivelto não pode ser culpabilizado, por ela não ter superado o desenlace amoroso. Ele não queria mais continuar preso àquela união. E ninguém pode o julgar por isso. Podemos questionar a sua conduta, no acirramento da discórdia. Mas, jamais pelo fato de ter se separado da cantora.

Como observadores atentos e justos, não podemos simplificar ou intensificar a complexidade da relação do casal Oliveira Martins, sem que compreendamos, primeiro, o contexto em que, cada um, se encontrava inserido, levando em conta o modo diferente como viam a moralidade da época.

Ouso pensar, que a não aceitação de se separar de Herivelto, teve um complicador maior, no caso de Dalva: o sentimento de rejeição. Coloquem-se na posição de uma mulher rica, importante, famosa no país inteiro, desejada por muitos homens, sendo trocada por outra, aparentemente desconhecida. O sentimento de rejeição mexeu com a auto-estima da cantora, apesar de todas as batalhas vencidas. Ela tinha tudo, menos o amor “daquele homem”. E era ele, quem ela desejava, para sua infelicidade.

Todo drama é, no fundo, fruto de um amor mal dirigido, o desejo desordenado de um bem, que não mais se tem e, em que se perde a essência do amor, para se deter apenas na sua causa. Qualquer tipo de paixão extrema destrói e devora. É a anulação do sujeito em função do objeto de seu desejo. É o deixar-se engolir, por inteiro, por sentimentos e circunstâncias. É a incapacidade de elevar-se acima da própria dor. E, por mais que saibamos disso, sempre caímos na mesma armadilha.

Ainda que, inconscientemente, é possível deduzir, que Dalva optou pela postura de vítima, a ponto de se colocar na mão de um homem, que já se encontrava, definitivamente, com outra. Esquecendo-se de que era uma cantora deslumbrante, que arrebatava o país e outros cantos do mundo. Ela não conseguiu se fortalecer, diante dos obstáculos enfrentados, nessa união tumultuada, permitindo que Herivelto determinasse a qualidade de sua vida interior, como se houvesse lhe entregado as chaves de seu destino, quer pro bem, quer pro mal.

De Argemiro Ferreira a Luis Nassif

Caro Nassif,

A palavra final sobre esse debate Herivelto-Dalva bem que poderia ser essa análise sensível de Lu Dias BH. Sem tomar partido, ela soube entender os dois lados, como também medir com precisão os efeitos dos preconceitos da época, a conduta leviana da mídia, a manipulação, etc.

Esclareço aos que participaram da discussão e aos demais leitores que o título “Reabilitando Herivelto Martins” deve ser aplicado não a mim, mas a Jonas Vieira. O mérito, no esforço de reabilitação, é dele – com a reedição de seu livro (com Natalício Norberto) Herivelto Martins – uma escola de samba, ampliado e com capítulos novos. Apenas chamei atenção para o esforço dele. Coube a Jonas trazer contribuição fundamental, ao ouvir a palavra do próprio compositor em 1992, poucas semanas antes de sua morte.

É injusta a redução maniqueista que acabou prevalecendo por muitos anos, com o retrato da cantora como vítima e do compositor como vilão desalmado. Grande cantor mas canalha, escreveu alguém. Hoje há mais discernimento, não se justifica voltar aos clichês explorados na mídia da época – do marido “corneado” ou da mulher “pecadora”.

Respeitar e admirar o talento do compositor e da cantora, buscar entender os dois lados da briga e os sentimentos de cada um naquele tempo marcado pelo preconceito e pela misoginia – como tentou fazer lu dias bh – é a única coisa sensata a fazer. A música popular saiu ganhando com a briga do casal mas o compositor e a cantora foram igualmente golpeados e feridos.

Ao invés de ter sido a “pecadora” dos boleros (ou das letras de David Nasser), ela na verdade foi uma mulher corajosa e à frente de seu tempo. Sofreu com isso. Ele, ao invés de ter sido um “canalha”, ficou condenado a conviver com o preconceito que o diminuia num mundo machista. Resquícios dessas coisas apareceram no debate – e estou pronto a me penitenciar se contribuí para isso.

Também não tentei subestimar Pery Ribeiro, apenas manifestar a opinião de que um trabalho de pesquisa profissional seria mais confiável como base para a mini-série. Incomodou-me, ao mesmo tempo, o fato de Pery ter aparecido num filme sobre a visita de Orson Welles ao Brasil, pois ali nada dizia de minimamente relevante. O que poderia dizer se era só uma criança pequena à época do fato?

(Para encerrar, clique abaixo para ouvir a Dalva de verdade)
Published in: on janeiro 14, 2010 at 7:41 pm  Comments (7)  

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7 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Argemiro, agradeço-lhe a forma carinhosa com que se referiu a meu texto. Você foi muito generoso.
    Deixo-lhe um outro texto que fiz sobre o tema:
    —————-

    DALVA PODERIA TER VIRADO O JOGO?

    Este texto é uma homenagem a todos os leitores, que nos deram o prazer de acompanhar a minissérie “Dalva e Herivelto, uma Canção de Amor”, aqui, no blog Almacarioca – Arte e Cultura.
    Dentre os vários comentários recebidos, tomarei como tema do meu texto de hoje, aquele que me enviou a leitora Naná.
    Ela questiona, se Dalva poderia ter virado o jogo, em relação a Herivelto, se tivesse seguido o conselho da amiga Emilinha Borba, que lhe disse:
    – Você tem que fingir, que não está ligando para ele, pois o jogo do amor é feroz.
    Ou deveria ter seguido o que disse uma das ex-amantes do Herivelto:
    – Você tem a faca e o queijo nas mãos, é só saber usá-los.
    Naná, ainda, questiona o fato de a própria Dalva, no hospital, ter comentado com o filho Pery:
    – Eu poderia ter virado o jogo.
    Ao que o filho responde:
    – A senhora não teria a menor chance contra Lurdes.
    Dalva retruca:
    – Eu tinha, sim! Tinha o Trio de Ouro, a minha voz, a minha música e o apoio dos amigos.
    Ficou claro, para todos aqueles, que viram a minissérie, que existiu uma grande paixão entre a cantora Dalva de Oliveira e o compositor Herivelto Martins. Entretanto, aquela paixão, levada às últimas conseqüências, jamais poderá ser totalmente esclarecida.
    Sempre existirão questionamentos históricos que permanecerão sem resposta, e nos impedirão de compreender, completamente, o aconteceu realmente.
    Existem possibilidades permanentes de incompreensão. Temos contra nós o tempo, a cultura da época e a visão que temos da mulher, hoje, no contexto histórico.
    Além das indagações feitas pela Naná, outra nos deixa pasmos. Como poderia uma mulher inteligente, famosa, dona de um dos maiores salários do meio artístico, super-querida pelo público, sucumbir a uma paixão daquela?
    É certo, que toda pessoa é capaz, ainda que não totalmente, de compreender o mundo e a si mesma, de modo a ver as coisas com certa nitidez. E, na medida, em que ganha mais experiência de vida, essa compreensão vai sendo melhorada e entendida. As ações passam a ser mais racionais, fundamentadas no cabedal de experiências que traz, dentro de si.
    O que parece não ter acontecido com o casal, principalmente com Dalva, que foi incapaz de superar o trauma da separação. E, com Herivelto, ao se deixar guiar por um ódio cego.
    É fato que, quando pensamos com clareza, estamos controlando nossas próprias ações. Mas, se agimos irracionalmente, também, submetemo-nos à vontade de forças rebeldes a nosso comando, que se apoderam de nós. De modo que, nossas crenças passam a ser incutidas em nós, pelas circunstâncias e não pela racionalidade.
    Imagino que o casal perdeu o comando de sua vida e se submeteu à dominação das forças rebeldes. Despojou-se da racionalidade e se deixou guiar pelas crenças nascidas das circunstâncias mal avaliadas e digeridas.
    Também, é certo, que as pessoas são motivadas a procurar a satisfação, da melhor forma possível, até como forma de preservar o bem-estar da própria vida. E, nessa busca, os seres humanos, muitas vezes, lançam mão do egoísmo e de interesses mesquinhos.
    Então, por que Dalva preservou um relacionamento doentio, que lhe tirava o gosto de viver? E, se Herivelto já não tinha mais interesse na sua relação com ela, por que levou a pendenga a conseqüências tão drásticas, a ponto de sacrificar os dois filhos?
    As respostas podem ser encontradas dentro de cada um de nós. Pois, a paixão é sempre a mesma, em todas as épocas. O que muda é o arsenal da batalha. A complexidade reside, não na paixão em si, mas na dificuldade de lidar com os riscos e as incertezas do relacionamento. Somos, sempre, indefesos diante das grandes paixões, pois as experiências que carregamos, muitas vezes fracassam, na hora de nos valermos delas.
    Imagino que, com a garota da voz de ouro, não deva ter sido diferente, apesar de carregar, atrás de si, um patrimônio de experiências, que muitos poucos poderiam ter tido. A começar pela morte do pai, seu mentor musical, ainda aos 8 anos de idade.
    Sabemos que algumas coisas são benéficas ao nosso crescimento e nos permitem sobreviver e progredir, na nossa caminhada. Também, temos conhecimento de que outras nos são maléficas, atrapalhando e obstruindo o nosso desenvolvimento, distanciando-nos do nosso objetivo maior, que é a busca pela realização pessoal, que chamamos de felicidade.
    Então, por que, como Dalva, sentimo-nos, muitas vezes, atraídos exatamente por aquilo que sabemos ser maléfico à nossa vida? Que força maior é essa, que extrapola a nossa razão e nos faz prisioneiros de nós mesmos? Por que nos desviamos do prazer, para optar pela dor?
    Portanto, amiga Naná, eu não sei, se a Dalva poderia ter virado o jogo, pois as paixões não seguem regras. Elas possuem vontade própria. Enquanto, nós, seres humanos, perdemos a racionalidade, para nos transformarmos em seus fantoches.
    Abraços,

  2. Prezado Argemiro Ferreira, como sempre o blog continua ótimo. Pena, dado a qualidade, que as postagens sejam tão escassas. Desnecessário dizer que gostei bastante de seu livro a respeito do macarthismo. Mas esta mensagem, é porque durante a micro-série, mais precisamente antes do último capítulo, também escrevi uma reflexão sobre a mesma que publiquei em meu blog e também lá na rede de colaboradores do Luis Nassif. Veja a reprodução:

    sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
    Sobre Dalva e Herivelto Martins

    Algumas palavras sobre a micro-série Dalva e Herivelto produzida e veiculada pela Rede Globo. Como é sabido no Brasil a memória social não é muito privilegiada e, neste caso a TV ocupa um espaço de formação dos mais importantes, ainda que não raras vezes este espaço seja muito mal utilizado. Tudo isso para dizer que como não poderia deixar de ser estamos diante do debate entre liberdade artística e verdade fatual. Debate inevitável, quando se trata de uma obra com base em biografia, ou como gostam de dizer os cineastas norte-americanos, baseados em fatos reais. Deste modo, como gosta de dizer lá no Peramblogando meu amigo Daniel, vamos esclarecer algumas liberdades poéticas de Maria Adelaide Amaral e sua equipe. Para tanto nos basearemos no respeitado e importante Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira (que é uma obra de reconhecimento acadêmico).
    Desnecessário dizer que como toda grande obra da Vênus Platinada no que se refere aos quesitos técnicos como maquiagem, figurino, reconstrução de época a série foi show. No que se refere à atuação em si dos atores, penso que qualquer coisa que diga, não ajudará muito, pois esta não é a minha praia. Particularmente não gosto de Adriana Esteves e ela acabou por me surpreender. Apesar de em geral, ter achado que mais uma vez ela confunde atuação com caras, bocas e trejeitos e não estar a altura de tamanha persona que era Dalva, em vários momentos ela conseguiu dar a dignidade necessária a personagem e seu grande drama de uma mulher que “amou demais’ como diz a própria personagem no leito de morte. O grande destaque acabou sendo o elenco de apoio, este sim brilhou sendo que, por incrível que pareça, em uma série focada em dois personagens principais os melhores momentos foram protagonizados pelo elenco de apoio, com destaque para Fafi Siqueira (taí alguém que realmente poderia representar Dercy Gonçalves) ou pelos atores (não sei os nomes que viveram Nilo Chagas (este contido como caberia ao seu personagem) e Grande Otelo, praticamente uma consciência crítica da época. Ou então a personagem Margo, vivida pela ótima atriz Leona Cavalli, entre outros. Quanto a Fábio Assunção, fez o dever de casa.
    Passemos então à análise do roteiro em si. Comecemos pela própria Dalva de Oliveira, segundo Cravo Albin e sua equipe:
    “Filha mais velha de Mário de Oliveira e Alice do Espírito Santo. Além dela, os pais tiveram mais três meninas, Nair, Margarida e Lila e um menino que nasceu com problemas de saúde e morreu ainda criança. Seu pai, que era conhecido na cidade pelo apelido de Mário Carioca, era marceneiro e músico nas horas vagas, tocava clarinete e costumava realizar serenatas com seus amigos músicos, chegando a organizar um conjunto para tocar em festas. A pequena Vicentina gostava de acompanhá-lo nessas serenatas. Viviam de forma bastante modesta e quando ela tinha apenas oito anos, sofreram um duro golpe familiar: Mário faleceu, deixando a esposa com quatro filhos para criar. Dona Alice resolveu, então, tentar a vida na capital paulista, onde arrumou emprego de governanta. Conseguiu vaga para as três filhas em um internato de irmãs de caridade, o Internato Tamandaré, onde Vicentina chegou a ter aulas de piano, órgão e canto. A menina ficou lá por três anos, até ser obrigada a sair, devido uma séria infecção nos olhos. Nessa ocasião, a mãe perdeu o emprego, pois os patrões não aceitaram a presença da menina. Dona Alice conseguiu emprego de copeira em um hotel e Vicentina passou a ajudá-la. Trabalhou então como arrumadeira, como babá e ajudante de cozinha em restaurantes. Depois, conseguiu um emprego de faxineira em uma escola de dança onde havia um piano.”
    Assim sendo, Dalva de Oliveira como a série deixou entrever várias vezes teve uma origem bem pobre e simples. Ocorre também que Dalva era filha de uma migrante portuguesa pobre e de um pardo também pobre. Dalva é fruto desta mistura. Dizem os textos da época se tratar de uma bela mulher que combinava uma cor morena com olhos verdes. Penso que a série acabou por embranquecer demais a realidade. Algo que se tornou mais gritante na escolha do elenco para sua família. Isso porque Peri Ribeiro (cantor e dos bons) filho da cantora e de Herivelto não se trata de alguém fenotipicamente branco.
    Sobre seu casamento vamos pouco falar visto se tratar do centro da trama e neste ponto buscou-se ser mais fiel. No entanto é necessário novamente chamar a atenção para algumas liberdades poéticas, ao que se sabe Dalva nunca teve relacionamento com um mexicano ou caribenho e sim um relacionamento que acabou sendo seu segundo casamento com o empresário argentino Tito Clement com quem ela viveria por volta de 13 anos, entre 1950 e 1963. Depois de separar-se de Tito, já mais próxima ao fim da vida como retratado na série, teve caso com um rapaz bastante jovem. Mas aqui ressalto e acho mérito de Maria Adelaide Amaral (diga-se de passagem romancista das melhores, além de uma excelente roteirista) mostrar como naquela época a mulher ainda apresentava uma fragilidade, que, diga-se de passagem (fazendo sociologia rasa e vulgar), era sociológica, no sentido de que a mulher era aquela que devia subserviência total ao marido. E no caso de Dalva a relação torna-se emblemática pois ao mesmo tempo que busca recusar tal relação, Dalva necessitava quase que ontologicamente, digamos assim, de um homem que lhe mostrasse o seu devido lugar de mulher (lugar este pré-determinado socialmente).
    Do ponto de vista de sua carreira, aqui temos um paradoxo, pois apesar da série apresentar vários números musicais – de novo, diga-se de passagem, de enorme bom gosto e acuidade técnica (isso serve para mostrar que podemos realizar por aqui grandes musicais) – considero que nesna parte a série ficou devendo ao enorme talento (reconhecer o talento de alguém não significa necessariamente ser um grande fã do estilo) de Dalva. Penso que a série ao focar a relação matrimonial-profissional acabou por denegar a carreira de Dalva no pós-casamento. Assim para quem assistiu a série, – e toda essa crítica se refere ao incômodo que senti com tal atitude, – ficou parecendo que após o fim do seu casamento a carreira de Dalva fora uma grande decadência. Algo bastante doloroso, com a antiga Estrela Dalva, cantando em churrascarias e circos. Ora, aqui temos dois problemas: o primeiro diz respeito à própria dinâmica das brigas entre Dalva e seu ex-esposo, o grande compositor Herivelto Martins. Herivelto nunca escondeu (como bem demonstrou a série) que sem ele Dalva definharia. E da forma que a série caminhou poder-se-ia concordar com ele, pois ambos teriam definhado após a separação. Portanto, a ausência da carreira da cantora após o casamento, como que confirma essa teoria do marido ressentido. E o segundo é um problema de ordem fatual.
    Ao que consta a carreira de Dalva após a separação foi prodigiosa. Lembremos que ela se separa de Herivelto entre 1947 e 1949 vindo a falecer somente em 1972. Voltemos a Cravo Albin para percebermos o quão vitoriosa foi a carreira da estrela após o fim de seu casamento (portanto, reproduzirei somente o texto referente a esta época, deixando de lado seus sucessos da época em que vivia com Herivelto). Entre outras coisas, chegou ser eleita em um ano a Rainha do Rádio, além de grandes sucessos e ter se tornado uma cantora internacional. Pois somente de relance a micro-série falou do fato de Dalva ter cantado nos festejos de coroação da Rainha Elizabeth II, mas foi mais do que isso, Dalva gravou um disco na Inglaterra que é considerado por muitos como um prenúncio da invasão da MPB pelo mundo, o que ocorreria na geração seguinte à bossanovista. Dalva, além disso, também teve uma bela carreira na região platina. Tendo morado durante cerca de 6 anos na Argentina (na verdade morava meio ano lá e meio ano aqui), o que a tornou uma referência quando se fala de boleros e tangos.
    Segundo Cravo Albin (reproduzo abaixo), ao contrário do que fez crer a série, Dalva continuou gravando e muito. Gravou grandes sucessos, como “Lencinho Branco” ou o disco “Praça Onze”, sucesso de 1965. Efetivamente a artista não era mais a mesma, o estilo de música, de cantar e mesmo de vida de sua época, a Velha Bossa, tinha-se ido, estava chegando ao fim. Mas, longe de ser um fracasso, Dalva continuava a gravar a seu modo e a ser referenciada pela Nova Bossa. Tom Jobim iniciou sua carreira de musico tocando e arranjando para Dalva, que também gravou algumas de suas composições e do jovem Chico Buarque. Por fim, praticamente um ano antes de morrer, voltou às multidões ao gravar de defender a belíssima “Bandeira Branca”.
    “Uma das grandes estrelas dos anos 1940, 1950 e 1960, sendo considerada uma das mais importantes cantoras do Brasil. Dona de uma poderosa voz, cuja extensão ia do contralto ao soprano, marcou época como intérprete. (…) o samba “Tudo acabado”, de J. Piedade e Osvaldo Martins não estourasse, ele se demitiria. O samba, de fato, foi um grande sucesso na voz dela, inaugurando uma duradoura batalha musical com Herivelto Martins, com os dois usando a música para se acusarem mutuamente pelo fracasso do casamento. Nessa polêmica musical destacaram-se ainda o bolero “Que será”, de Marino Pinto e Mário Rossi e o samba “Errei sim”, de Ataulfo Alves, ambos grandes sucessos, gravados em 1950. Ainda nesse ano, fez sucesso com o samba-canção “Ave Maria”, de Vicente Paiva e Jaime Redondo, com acompanhamento de Osvaldo Borba e sua orquestra. Ainda na década de 1950 atuou nos filmes “Maria da praia”, de Paulo Wanderley; “Milagre de amor” e “Tudo azul”, ambos de Moacir Fenelon.
    Em 1951, novamente com acompanhamento da orquestra de Osvaldo Borba, gravou os sambas “Rio de Janeiro”, de Ary Barroso e “Calúnia”, de Marino Pinto e Paulo Soledade. Nesse ano fez sucesso com a marcha “Zum-zum”, de Paulo Soledade e Fernando Lobo e com o samba “Palhaço”, de Osvaldo Martins, Washington e Nelson Cavaquinho, que aparece no selo do disco apenas como Nelson. Nessa época, fez várias excursões ao exterior, apresentando-se no Uruguai, Argentina, Chile e Inglaterra. Em Londres, cantou na festa de coroação da Rainha Elizabeth II, no Hotel Savoy, acompanhada pelo maestro Robert Inglis. No ano seguinte, esse repertório foi gravado em Londres, nos estúdios da Parlophone, com o maestro Inglis e sua orquestra. O nome de Inglis foi aportuguesado para Inglês, a fim de facilitar sua comercialização no Brasil. No elepê, eles recriaram clássicos brasileiros como: “Tico-tico no fubá”, “Aquarela do Brasil”, “Bem-te-vi atrevido” e “Na Baixa do Sapateiro”, além de vários outros sucessos. Em 1952 fez sucesso com a marcha “Estrela do mar”, de Marino Pinto e Paulo Soledade e gravou também o samba “Vai na paz de Deus”, de Ataulfo Alves e Antônio Domingues e a marcha-rancho “Mulher”, de Marino Pinto e Paulo Soledade. Ainda nesse ano, lançou novos sucessos, “Kalu”, um baião de Humberto Teixeira, e “Fim de comédia”, samba de Ataulfo Alves, e foi eleita Rainha do Rádio, além de excursionar pela Argentina, apresentando-se na Rádio El Mundo, de Buenos Aires. Foi nessa ocasião que conheceu o empresário Tito Clemente, seu futuro marido. Em 1955, gravou sem muito sucesso o samba-canção “Eterna saudade”, de Genival Melo e Luiz Dantas, e “Não pode ser”, de Marino Pinto e Mário Rossi; o tango “Fumando espero”, de Villadomat e Garson, com versão de Eugênio Paes; a valsa “Quinze primaveras”, de Solovera e Ghiaroni; a marcha “Carnaval, carnaval”, de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti e o samba “Foi bom”, de Marino Pinto e Haroldo Lobo.
    No ano seguinte, lançou “Teu castigo”, dos ainda iniciantes Antônio Carlos Jobim e Newton Mendonça e “Neste mesmo lugar”, da já então consagrada dupla Klécius Caldas e Armando Cavalcanti. Nesse mesmo ano, gravou os tangos “Lencinho querido”, de Filiberto, Peña Losa e Maugéri Neto e “Confesion”, de Discepolo e Amadori, com versão de Lourival Faissal, reforçando sua imagem de cantora de músicas românticas, especialmente o tango, gênero em que se saiu excepcionalmente bem. Em 1957 gravou, com acompanhamento de Léo Perachi e sua orquestra, o bolero “Nada”, de Marino Pinto e David Raw e o samba-canção “Prece de amor”, de René Bittencourt. Nesse ano, fez sucesso com o samba-canção “Há um deus”, de Lupicínio Rodrigues, com orquestração e piano de Antônio Carlos Jobim e acompanhamento de sua orquestra. Gravou na mesma época o samba “Eu errei, confesso”, de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti, que de certa forma retomava as querelas de sua separação de Herivelto Martins. Do então marido Tito Clement gravou o samba-canção “Intriga”, parceria com o sambista Sinval Silva, e a toada “Sonho de pobre”.
    Em 1958 gravou, do filho Pery Ribeiro, o samba-canção “Não devo insistir”, parceria com Dora Lopes. Nesse ano, lançou o LP “Dalva de Oliveira”, no qual interpretou músicas dos mais diferenciados compositores, incluindo “Copacabana beach”, de Klécius Caldas e Armando Cavalcânti; “Não tem mais fim”, de Hervê Cordovil e Renné Cordovil; “Folha caída”, de Humberto Teixeira; “Intriga”, de Sinval Silva e Tito Clement e “Testamento”, de Dias da Cruz e Cyro Monteiro. No ano seguinte gravou dois discos destinados às festividades do Dia das Mães, as valsas “Minha mãe, minha estrela”, de Rubem Gomes e Luiz Dantas e em dueto com Anísio Silva, “Amor de mãe”, de Raul Sampaio e “Minha mãe”, de Lindolfo Gaya, sobre poema de Casemiro de Abreu. Gravou no mesmo ano a canção “Velhos tempos”, do iniciante compositor Carlinhos Lyra, parceria com Marino Pinto. Lançou também o LP “Dalva de Oliveira canta boleros”, com canções como “Lembra”, de Tito Clement; “Sábias palavras”, de Mário Rossi e Marino Pinto; “Vida da minha vida”, de Antônio Almeida e “Finalmente”, de Marino Pinto e Jota Pereira.
    Em seguida, gravou as músicas “Quando ele passa”, Oswaldo Teixeira, “Enquanto eu souber”, de Esdras Silva e Ribamar; “Dorme”, de Ricardo Galeno e Pernambuco e “Meu Rio”, de Tito Clement, entre outras, incluídas no LP “Em tudo você”, lançado pela Odeon em 1960. No ano seguinte, lançou outro LP apenas com tangos, entre os quais, “El dia em que me quieras”, de Ghiaroni, Le Pera e Carlos Gardel e “Fumando espero”, de Eugênio Paes, Garzô e Villadomat. Lançou também outro LP, com apenas seu nome como título, e que incluiu seus grandes sucessos “Ave Maria no morro”, de Herivelto Martins, “Segredo”, de Marino Pinto e Herivelto Martins, “Estrela do mar”, de Marino Pinto e Paulo Soledade e “Que será”, de Mário Rossi e Marino Pinto.
    Em 1962, gravou os boleros “Nem Deus, nem ninguém”, de Roberto Faissal e “Sabor a mim”, de Alvaro Carrillo e versão de Nazareno de Brito. Também nesse ano, gravou no pequeno selo Orion os sambas-canção “Arco-íris”, de Marino Pinto e Paulo Soledade e “Amor próprio”, de Marino Pinto e Carlos Washington. Gravou também o LP “O encantamento do bolero” do qual fazem parte “Minha oração”, uma versão de Cauby de Brito; “Nem Deus nem ninguém”, de Roberto Faissal; “Tu me acstumaste”, de F. Domingues e “E a vida continua”, de Jair Amorim e Evaldo Gouveia. Em meados dos anos 1950, fixou residência em Buenos Aires, só retornando em 1963, mas onde gravaria, com sucesso, alguns tangos, logo editados no Brasil, entre os quais “Lencinho Branco”, que foi muitíssimo executado, sendo um campeão de venda de discos. A cantora vinha sempre ao Rio de Janeiro, para temporadas artísticas em rádios e teatros. No ano de seu regresso ao Brasil, lançou o LP “Tangos volume II”, e que trazia tangos como “Estou enamorada”, de José Marquez e Oscar Zito, com versão de Romeu Nunes e “Vida minha”, com versão de Cauby Peixoto.
    Em 1965, lançou o LP “Rancho da Praça Onze”, cuja música título, de Chico Anysio e João Roberto Kelly foi um dos destaques do ano. No mesmo disco estavam “Hino ao amor”, versão da música de Edith Piaf; “Junto de mim”, de Alberto Ribeiro e José Maria de Abreu, “Fracasso”, de Fernando César e Nazareno de Brito e “Ser carioca”, de Fernando César. Dois anos depois lançou o LP “A cantora do Brasil” que marcou seu retorno ao disco após o afastamento provocado pelo acidente. Nesse disco, gravou a marcha “Máscara negra”, de Pereira Matos e Zé Kéti, um dos maiores sucessos de sua carreira e que foi uma das mais executadas no carnaval daquele ano, tendo conquistado o 1º lugar no concurso de músicas para o carnaval, criado naquele ano pelo MIS do Rio. (…) Lançou em 1970 aquele que acabaria sendo seu último LP e cuja música título, de autoria de Laércio Alves e Max Nunes, constituiu-se em enorme sucesso, “Bandeira branca”, um marco em sua carreira.”

  3. Sr. Argemiro Ferreira
    Aprecio deveras sua atuação jornalística, seus comentários, sempre pertinentes, seu estilo de escrever, e mais ainda, segundo posso perceber e acompanhar, sua visão coerente, com bom discernimento, sobre os mais variados assuntos expostos em seu blog.
    Faz falta, um jornalista do seu quilate, aqui no Brasil.
    Sua visão dos acontecimentos é adequada e oportuna.
    De outro lado, parte dos jornalistas, com atuação em nossa pátria, é medíocre ou subserviente a interesses aos quais servem.
    Em comentário anterior, dizia eu,tempos atrás, que sua presença nos meios de comunicação pátrios, devia mais assídua, para satisfação de todos que o leem.

  4. Caro Argemiro,
    De maneira nenhuma quero polemizar a respeito dos comentários feitos sobre a minisserie Dalva e Herivelto (ou sobre o nosso livro). O direito de expressão é liberdade garantida a todos. Apenas acho importante que as pessoas se informem melhor sobre o que escrevem.
    E por isso quero esclarecer algumas informações que foram deturpadas nos comentários que li no site Alma Carioca (escritos pelos senhores Argemiro e Henrique e copiados do blog do Luis Nassif) sobre o trabalho que tive a honra de partilhar com Pery Ribeiro: o livro Minha Duas Estrelas.
    1) Absolutamente o livro de Pery foi escrito “as pressas”… o nosso contrato com a Editora Globo data de 1998, e o livro foi lançado em 2006. O que também o deixa fora desse comentário de ser uma “jogada de marketing” da Globo. [Talvez o livro da filha de Herivelto, escrito e lançado na esteira da minisserie, possa receber esta qualificação.]
    2) Pela delicadeza do tema, que envolvia as mais importantes relações afetivas de um ser humano (os pais), o livro que foi escrito em quase 2 anos, sofreu um longo processo de “maturação” na busca do equilíbrio que o filho Pery queria passar de todo o processo emocional vivido com seus pais. E este processo, de uma verdadeira catarse, foi muito bem entendido por quem leu o Minhas duas Estrelas.
    3) É um relato das memórias de um filho apaixonado por seus pais. Não é um livro de fã e nunca pretendeu ser um livro jornalístico, mesmo que tenhamos feito a nossa pesquisa com o intuito de checar as lembranças de uma criança sensível com a memória de adultos que conviveram com Dalva e Herivelto, como Dorival Caymmi, Nelson Gonçalves, Jose Messias, Raul Sampaio, Marlene, etc.
    4) O livro foi muito bem recebido pela imprensa e pelo público, e sempre esteve em catálogo na Editora Globo. Além do respeitado escritor Ruy Castro ter nos presenteado em seu prefácio ao dizer que “este é o melhor livro de memórias já escrito sobre um artista da música popular brasileira“, tivemos os mais belos comentários de personalidades como os escritores Nelida Pinon (imortal da Academia Bras. Letras), Afonso Romano Santana, Marina Colasanti, Maria Adelaide Amaral, Geraldo Carneiro, do jornalista Rodrigo Faour, do cartunista Chico Caruso, dos diretores de TV, Gloria Perez e Carlos Manga, somente citando alguns. Além de ter sido finalista em 2007, na categoria Biografia, do Premio Jabuti de Literatura, o mais conceituado do Brasil. [Como jornalista voce deve saber a importância do Jabuti: nós já ficamos extremamente honrados por termos sido nominados.]
    5) Com o advento da minisserie, foi natural que a editora Globo o relançasse com um chamada na capa fazendo o link com a minisserie. Aproveito para lembrar que a minisserie não é um documentário (estilo comprometido com os fatos), mas sim uma obra de ficção baseada numa história real. Portanto com direito a ” licenças poéticas” da autora e da direção.
    Finalizando… quero contar a todos da alegria do filho Pery Ribeiro pela sensação de missão cumprida. Explico melhor: temos certeza que o nosso livro, lançado em 2006, desencadeou todo um processo de resgate dos grandes artistas Dalva e Herivelto, e de uma época de ouro da música brasileira, que culminou com a minisserie da TV Globo, de grande sucesso e muita audiência: 31 pontos no Ibope.
    E hoje recebemos duas ótimas notícias: o MINHAS DUAS ESTRELAS está na lista dos MAIS VENDIDOS da Revista Época e da Folha de SP. Um presente para um livro escrito com verdade e amor.
    VIVA DALVA E HERIVELTO!!! Mitos eternos.

  5. Argemiro
    Após a publicação de seu texto no almacarioca.net, retirado do blog do Luís Nassif, com os devidos créditos, a minha posição naquele blog ficou insustentável.
    Passaram a me confundir com o autor do texto (você).
    O blog não foi capaz de trabalhar com os dois lados da moeda, como bem faz o Luís Nassif. Tomando o partido da senhora Ana Duarte e, ainda que indiretamente, chamando-me de irresponsável, pela publicação de seu texto.
    E, como você viu um dos meus textos, devo lhe dizer, que trabalhei daquela forma o tempo todo. No entanto, a postagem de seu texto, serviu para desmerecer todo o meu trabalho.
    Mas, não se incomode com isso. Eu repetiria a postagem, quantas vezes fossem necessárias.
    Vejo agora, que a senhora Ana Duarte postou uma réplica a seu artigo no blog do Luís Nassif.
    Lá deixei meu comentário, mostrando-lhe que o dever dos blogs é trabalhar com as duas faces da moeda.
    Cabe ao leitor, buscar a verdade.
    Abraços,
    Lu Dias BH

  6. Foi um erro lastimavel da -globo- Dalva e Herivelto marcaram uma epoca de ouro da musica popular brasileira. Dalva com uma voz linda e maravilhosa em todos os sentidos, Herivelto com sua espantosa mente criativa e veia artistica foi descobrindo valores tanto da Dalva quanto do trio. Compondo e fazendo arranjos fez inumeros sucessos aqui e no exterior. Mas a -globo- estragou tudo colocando um tempero azedo de intrigas e brigas que não interessa ao publico a vida particular do casal e com isso expondo a familia e filhos -menores-do casal- Pena a -globo- tirou um documento precioso para quem ouviu e viu Dalva e Herivelton e o trio de ouro. Pior, roubou dos que não tiveram oportunidade de ver e ouvi-los, a riqueza do nosso cancioneiro popular brasileiro. Pena porque os jovens somente viram um folhetim -marron- sem nehum brilho artistico. A globo ficou devendo, quem sabe alguem la pense em fazer uma nova serie colocando a verdadeira vida artitistica e gloriosa de -Dalva e Herivelton- TOMARA=TOMARA-

  7. […] Dalva, Herivelto e a polêmica da mini-série […]


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