Nasce um herói latino-americano

O hondurenho Oscar David Montesinos, que aparece no You Tube acima, tem apenas 10 anos de idade, mas já é um herói da América Latina. A coragem e a veemência com que denuncia o golpe militar e clama pela volta de seu país à democracia, enquanto a OEA e outros países sob a influência dos EUA parecem fazer corpo mole, emociona muita gente no continente.

Para vê-lo, clique a imagem do You Tube. Montesinos nesse vídeo de pouco mais de dois minutos, foi visto em 15 dias (até o momento em que escrevo) por 10.441 pessoas. Ele fala sem ler, com o coração. É um orador apaixonado – e convincente. Converteu-se num símbolo da resistência ao golpe que há dois meses derrubou o presidente legítimo, Manuel Zelaya, eleito pelo voto popular.

Certamente os hondurenhos e os latino-americanos em geral não esperavam que o presidente Barack Obama tolerasse por tanto tempo, sem nenhuma palavra mais vigorosa, sem nenhuma ação mais concreta e conseqüente, a permanência dos golpistas no poder. Em compensação, sabemos também que sua secretária de Estado, Hillary Clinton, demonstra pouco apreço pela América Latina em geral e pelo presidente constitucional hondurenho em particular.

O Plan Colômbia, ao contrário do que alguns pensam, não foi criado no governo Bush e sim no do antecessor Bill Clinton, marido da secretária de Estado. E Álvaro Uribe, o presidente colombiano que tentará eleger-se pela terceira vez e se propõe tornar-se, com a ajuda militar americana de US$1 bilhão por mês, uma espécie de Ariel Sharon – e Israel – da América do Sul, também teve o apoio de Clinton antes de receber o de Bush.

O menino Montesinos fez seu discurso numa concentração que reuniu milhares de pessoas na capital hondurenha, Tegucigalpa. O carisma e a capacidade oratória são surpreendentes. Seu alvo principal é o usurpador Roberto Micheletti, principal beneficiário do golpe, também chamado de “Goriletti”. “Que te vás, que te vás, Goriletti”, diz Montesinos.

Vários blogs no Brasil, entre eles os de Eduardo Guimarães / Cidadania (AQUI), Brizola Neto (AQUI), Tato de Macedo (AQUI), e Paulo Henrique Amorim (AQUI), já chamaram atenção para o vídeo.

Published in: on setembro 16, 2009 at 12:01 am  Comments (8)  

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8 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Oscar David Montesinos possui uma inteligência rara, esbanja talento, trata-se de um ator, um orador, um tribuno mirim que se agigantou com grande naturalidade diante da multidão, pondo em prática aquilo que ele logo cedo aprendeu no perigoso teatro político do seu país. E neste cenário ele desenvolve com maestria o seu papel. Na cena ele é o ator e o personagem de um drama real, no caso, ele mesmo. Sem mais palavras para definir essa bela criatura da espécie humana, tomo emprestado as palavras de Montesinos, e digo aqui o mesmo, conforme ele disse: “… e de onde esses sem-vergonhas sairam? De onde? …”.

    João Pessoa, Paraíba, Brasil.
    Francisco Solano de Lima

  2. Esse menino tem futuro!!! Viva o socialismo!!

  3. Tem outros vídeos da manifestação no youtube. Não gostei muito da fala do menino. Gostei do conteúdo, do que ele diz, realmente este golpe foi detestável, a posição do Brasil impecável. Posição que se coaduna com outros sucessos do nosso governo: pré-sal, END, crescente influência internacional rumo a um mundo melhor e progressista. Mas não me agradam crianças fazendo discursos, ainda mais políticos ou religiosos. Muito mais bonito ver as crianças nos ombros ou ao lado de seus pais, estes sim, em uma luta mais que aguerrida por um mundo melhor. As crianças tem que ter seu tempo para obeservar. Um grande abraço a todos!

  4. Acho lamentável: parece um daqueles pastores-mirins. A diferença é q, eqto para os crentes eles são iluminados pela graça divina, para os socialistas bolivarianos, o menino incorpora um igualmente transcendental espírito popular.

  5. Esbanjando talento
    Um menino com dez anos de idade pode aprender e saber fazer muita coisa, depende do meio social onde vive. Ele pode ser um ator no teatro, no cinema, na televisão, um coroinha de igreja, pode ser um jogador de futebol. Pode ser rico, ter saúde, ser feliz, ser esperto ou “inocente”, mesmo assim pode ser morto por uma bala perdida, ou pode ser sequestrado. Pode ser um abandonado, um trombadinha, um drogado, um criminoso mirim. Ele pode ainda ver a sua família presa ou morta por causa de uma guerra, ou por causa de um golpe civil-militar, depende do lugar. No momento, Honduras é um desses lugares perigosos.
    Assim, seja rico ou pobre, educado ou deseducado, em qualquer que seja o caso, toda criança logo cedo aprende a ser um ator e desenpenha o seu papel influenciada pelos adultos, pela família e pela sociedade. Os meninos e meninas de hoje serão os homens e mulheres de amanhã, ou seja, a sociedade futura. Esta, sendo injusta, promove o mal; se justa promove o bem. Esta é a realidade, o homem faz a sociedade e esta faz o homem. Assim o ciclo se completa.
    O homem é um produto social, mas pode ser o agente transformador e assim quebrar o ciclo, a roda viva da sociedade. Quando um adulto leva a criança para a escola, o clube, a igreja, está influenciando. Por exemplo, existem milhares de religiões, mas o adulto escolhe apenas a sua religião que evidentemente acha a mais certa para a criança, e neste caso, ele faz mais do que influenciar. Esta é a realidade, socialmente não existe neutralidade, ninguém é exatamente neutro, porque ser neutro é nada ser.
    Nenhum tipo de educação é neutra, a educação formal foi inventada para preparar e adequar o futuro homem às necessidades da sociedade organizada pelos adultos, um pocesso artificial no qual os adultos estão totalmente envolvidos. Portanto, influenciar é uma rotina, faz parte da vida social, caso fosse o contrário, um adulto jamais poderia mudar de opinião, teria idéia fixa, que neste caso, seria algo patológico. Portanto, influenciar e ser influenciado é um processo inevitável, ser influenciado e mudar faz parte da inteligência.
    A realidade mostra que quando se tem 10 anos de idade, ser inocente não é uma virtude, pelo contrário é perigoso. Agora digo, se o menino Montesinos estivesse usando o seu talento para representar um personagem qualquer de uma novela ou um filme alienado, para entreter mentes acomodadas e produzir lucro para os donos da mídia corporativa e golpista, certamente seria considerada uma atividade adequada e normal, seria elogiado, exemplo de virtudes, um menino bem educado, de mente limpa, uma celebridade, um gênio!!
    Finalmente, reprovar o menino Oscar David Montesinos é um equívoco ou pura hipocrisia. O relevante é que ele possui uma inteligência rara, esbanja talento, trata-se de um ator, um orador, um tribuno mirim que se agigantou com grande naturalidade diante da multidão, atuando de forma vibrante no perigoso teatro político do seu país. E neste cenário ele desenvolve com maestria o seu papel. Na cena ele é o ator e o personagem de um drama real, no caso, ele mesmo. Sem mais palavras para definir essa bela criatura da espécie humana, tomo emprestado as palavras do menino Montesinos, e digo aqui o mesmo, conforme ele disse: “… e de onde esses sem-vergonhas sairam? De onde? …”.

    Francisco Solano de Lima [João Pessoa – PB].

    • “Tribuno mirim que se agigantou com grande naturalidade diante da multidão”? Não, meu caro: trata-se de mais uma criança usada em espetáculos do tipo “meu filho é um bichinho amestrado”, a la Raul Gil. O q vc chama de esbanjar talento, eu chamo de exploração infantil.

      • Há, tá. Mas as crianças que trabalham nas novelas da Globo, e que gravam – como li em um jornal – das 13 as 19,00hs, tudo bem? Na globo pode, né?

  6. Senhor Luiz Gusmão:

    Ao fazer o segundo comentário intitulado Esbanjando talento, queria apenas complementar o primeiro que ficou sem título. Eu não citei o seu nome em parte alguma, nem era uma resposta ao seu comentário, escreví genericamente. Contudo, já que o senhor entendeu de outro jeito, então agora vou lhe deixar uma resposta, embora eu não pretenda aqui polemizar porque pelo exposto fica claro que pensamos e conhecemos coisas diferentes, tanto que eu nem sei quem é “Raul Gil”, a pessoa que foi citada.

    Pensar, raciocinar, analisar é sempre bom. Divergir faz parte do contraditório. A história da humanidade mostra retrocessos, avanços e transformações. Na natureza tudo se transforma e tudo é relativo, conforme o cientista francês Lavoisier (1743-1794) e Einstein (1879-1955). Na sociedade acontece coisas semelhantes, varia apenas a fonte do fenômeno, no caso o homem.

    Ainda não se descobriu uma técnica capaz de medir a genialidade humana, seja em crianças, jovens ou adultos, isto porque ela transcende ao nosso conhecimento atual. Podemos medir sim, o atraso, a alienação, o retardamento mental, tanto no que se refere as causas quanto aos seus efeitos nefastos.

    Fica claro que eu tenho um conceito muito diferente do seu no que se refere a exploração infantil (“bichinho amestrado”). Por isto cito Mozart (Wolfgang Amadeus Mozart, 1756-1791), aquele menino austríaco que começou a compor aos cinco anos de idade. Cito aquela que foi
    uma adolescente genial, Hipátia (~370-415), filósofa, matemática, astrônoma e cientista alexandrina. Poderia citar aqui uma lista enorme em todos os campos do conhecimento humano, mas vou ficar apenas restrito ao campo das artes, com mais alguns exemplos.

    Para tanto, nem preciso ir longe, posso citar o paraibano Pedro Américo (1843-1905), menino que com onze anos de idade era excelente pintor, e depois, com treze anos entrou para a Academia Imperial de Belas Artes. O paraibano Canhoto da Paraíba (1928-2008), menino que chegou a executar o frevo “Vassourinha”
    no sino da igreja. O paraibano Sivuca (1930-2006), menino que com nove anos era artista e excelente sanfoneiro. O paraibano Jackson do Pandeiro (1919-1982), menino que aos oito anos tornou-se artista e tocador de zabumba e pandeiro.

    Entendo e acredito que uma sociedade injusta é a fonte pemanente, renovável e inesgotável de todo tipo de exploração, incluindo a verdadeira exploração infantil. Nela se apoia o bojo que espele a perversidade em todos os níveis.

    Finalmente, poderia citar muitos outros casos semelhantes da genialidade humana, mas vou ficar por aqui. Assim, volto a dizer, apoiaria o menino Mozart, se eu tivesse vivido naquele tempo, pela mesma razão que agora apoio o menino Montesinos, que segundo o meu entendimento é um tribuno mirim que se agigantou com grande naturalidade diante da multidão.

    Francisco Solano de Lima.
    [João Pessoa – PB].


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