Lula contra a ganância de olhos azuis

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Que me desculpem os tucanos (e demo-pefelês), mas a cada gesto ou palavra do nosso imprevisível torneiro mecânico sem dedo e monoglota que choca o mundo, menos por soar ofensivo do que por oferecer a franqueza dura da verdade, não consigo deixar de pensar na humilhação de FHC, o farol de Alexandria, que se orgulha de ter feito tanto para enfeitar a imagem de seu país aos olhos dos ricos de toda parte.

dowd_maureenEssa reflexão é sugerida pela coluna bem humorada de Maureen Dowd (foto ao lado), no New York Times de domingo (leia AQUI), sobre o desabafo de Lula contra os banqueiros gananciosos de olhos azuis que criaram a atual crise mundial (título: “Blue Eyed Greed?”). Referiu-se ainda ao ataque do império Murdoch de mídia (New York Post, Fox News), que chamava Saddam de “açougueiro de Bagdá” e agora chama Lula de “Brazil nut” e “Lula lulu”.

Pobre FHC, deve estar corado de vergonha. É admirável o esforço dele para vender um Brasil culto aos ricos e sofisticados, convencendo-os de que não somos bugres como eles imaginam. Não viveram aqui Villalobos, Machado, Drummond, Niemeyer, Portinari? E quantos países tiveram a honra de eleger presidente um sociólogo, PhD e tudo, ainda hoje ativo e faturando feitos acadêmicos, honorários ou não?

Uma mudança de qualidade

Era comovente, no passado recente, o esforço da presidência FHC para paparicar a banda desenvolvida do mundo – como se isso nos tornasse parte dela, com nossa respeitável bagagem intelectual. Clinton conseguiu dele, pelo telefone, o contrato do Sivam para a Raytheon. Bush não falava diretamente mas mandava bagrinhos tipo John Bolton exigir a cabeça de embaixadores como José Maurício Bustani.

Uma vez, ao desembarcar nos EUA, FHC deparou com anúncio de página inteira da indústria farmacêutica no Wall Street Journal acusando o Brasil de “pirata de patentes”. Prometeu dobrar o Congresso e aprovar a lei exigida pela indústria. Cumpriu. Depois veio a onda de privatizações, uma orgia romana. E o que resultou de tantos agrados? Elogios a ele na TV. De Barbara Walters, Lou Dobbs, essa gente.

Tem sido assim há décadas com governantes do que os EUA chamam de “países amigos” do continente. Hoje é diferente. O recado mudou. Passamos dos agrados com lamúrias ao realismo da cobrança, em outro tom. Quando o país faz o dever de casa, pode falar grosso – e questionar. E se passou a exercer papel relevante em fóruns internacionais e sua liderança política é respeitada, o quadro muda.

Ironia é bom mas não imprime

brown_lulaNo Brasil, ao receber o primeiro-ministro britânico Gordon Brown (foto ao lado, de Ricardo Stuckert), Lula contou que nunca tinha visto banqueiro negro ou índio. Antes, dia 14 no gabinete Oval de Obama (veja os dois lá no alto, na foto de Pete Souza que ilustra o website da Casa Branca) Lula tinha falado (leia AQUI) como um presidente que já tem o que mostrar no campo da energia alternativa – pois já começou a realizar uma das promessas do presidente dos EUA aos americanos na campanha. “Acho que o Brasil demonstra extraordinária liderança em biocombustíveis. Sou um grande admirador do que fez o presidente Lula para desenvolvê-los”, reconheceu Obama.

Lula foi franco nos dois encontros. Disse a Obama não entender porque, quando o mundo está preocupado com mudanças climáticas e com as emissões de gases que causam o efeito estufa, são impostas tarifas ao combustível limpo, como o etanol brasileiro (não mérito apenas de seu governo, observou, mas um trabalho de “30 anos de controle tecnológico e know how nesse campo”).

Mesmo declarando admiração pela “liderança progressista” de Lula na América Latina e no mundo, Obama respondeu que a situação das tarifas sobre o etanol não mudaria da noite para o dia, mas pode ser resolvida na medida em que evolua a troca de idéias sobre o comércio. O que foi entendido por Lula como “um processo”, no qual outros países, aos poucos, vão somar-se ao esforço.

Volto à colunista do Times. Ironia é seu forte. Mas como ironia não imprime, ela acabou castigada nos comentários de leitores na versão online do jornal. Eles não acharam graça no ressentimento de Dowd (que tem olhos castanhos) contra os próprios irmãos, de olhos azuis. E ela ainda citou os perigosos olhos azuis de Bush e Cheney (chamada a ratificar, a filha do ex-vice, Liz Cheney, negou-se com humor a confirmar ou desmentir a cor, pois é “informação classificada”). 

Aqueles demônios da ganância

A colunista contou mais histórias sarcásticas. Mas a reação de muitos leitores foi implacável. Suspeitei da cor dos olhos deles, já que foram levados a ver um racismo abjeto nas palavras de Lula. “É uma referência aberta e direta à expressão racista ‘demônio de olhos azuis’. E ao dizê-lo ele sabia muito bem disso”, esbravejou Katherine, de Atlanta, num comentário elogiado por mais 29 leitores.

Havia irritação e mau humor nessa e em outras críticas ao suposto racismo de Lula. Estranhei. Que diabo, essa mesma elite branca (supostamente de olhos azuis) inventou há anos a campanha contra os odiados “politicamente corretos”, horrorosamente favoráveis ao que é justo e honesto. Ela julga ter conquistado, entre outras coisas, o direito de usar expressões racistas ofensivas a negros, índios, asiáticos e minorias em geral.nytimes_090329

Em compensação, foi sensato outro comentário, de B. Mull, da Califórnia, recomendado pelos editores do Times e por mais 245 leitores (até meia-noite de domingo): “Por que é tão engraçado um operário, torneiro mecânico, ser presidente? Por que é tão divertido Lula dizer o que bilhões de pessoas pensam hoje? Aposto que não ia parecer piada se parentes de vocês estivessem morrendo de cólera porque em Nova York um banqueiro irresponsável decidiu brincar de roleta e falir o país deles” (leia AQUI, junto com outros comentários).

Adoro o brilho sarcástico de Dowd, que Bush chamava de “cobra”. Gosto do que escreve e como escreve. É um prazer do qual não pretendo me privar. Mas nesse caso particular, em que, como sempre, disse (ou escreveu) o que quis, também precisava ouvir (ou ler) – o que não queria.

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Published in: on março 30, 2009 at 12:23 am  Comments (1)  

Os soldados salvadorenhos do império

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É difícil de acreditar mas El Salvador, país governado até este ano pelo presidente Elias Antonio (Tony) Saca (da Arena, partido fundado pelo major de extrema direita Roberto D’Aubuisson, criador de esquadrões da morte e bandos milicianos), forneceu entre 2004 e 2009 o total de 3 mil soldados aos EUA. Era contribuição à agressão militar ao Iraque, invadido e ocupado pelas tropas americanas.

Supõe-se, obviamente, que esse capítulo melancólico de subserviência do pequeno país centro-americano à superpotência do norte esteja definitivamente encerrado. Os últimos soldados salvadorenhos voltaram em fevereiro (na foto acima, da AP, o presidente passa em revista a tropa), um par de semanas antes da eleição de seu sucessor  – o oposicionista Mauricio Tunes. Além disso, nos EUA o inventor da guerra, George W. Bush, também já fora varrido do poder pelos eleitores americanos.

Nos últimos anos o governo de El Salvador sentia-se ameaçado por propostas em debate no Congresso dos EUA, relacionadas à situação dos imigrantes ilegais da América Latina. Como parte da mídia americana omitia a manipulação do governo Bush, que tirava partido da situação, o Washington Post divulgou em 2006 certos dados pouco conhecidos do público, nos EUA ou no sul do continente.

Os US$ bilhões dos imigrantes

De fato, era uma situação reveladora. O major D’Aubuisson formara-se na célebre School of the Americas, conhecida na América Latina como “escola de ditadores” e “escola de assassinos”, mantida pelo Exército americano, que há poucos anos teve o cuidado de trocar o nome por causa da má fama (agora é Western Hemisphere Institute for Security Cooperation, WHINSEC – saiba mais AQUI e conheça AQUI o livro ao lado, sobre ela).soa_bookcover D’Aubuisson morreu de câncer em 1992, quando foram assinados, sob a mediação da ONU, os acordos de paz no país. Mas El Salvador continuou sob o controle da Arena – ou seja, da mesma gente que, no poder, perpetrara assassinatos e atrocidades impunes durante mais de uma década.

Quando o governo Bush decidiu invadir o Iraque, ignorando as Nações Unidas e a comunidade internacional, a tendência salvadorenha foi oposta à de Honduras, Nicarágua e República Dominicana. Esses três participaram no início da farsa da coalition of the willing (“coalizão de voluntários”), mas afinal acordaram para a realidade cruel daquela submissão e retiraram suas tropas do Iraque. Saca, fiel à herança macabra de D’Aubuisson, continuou de olho na recompensa na Casa Branca.

O raciocínio de Saca era simplista. Como a cada ano os imigrantes de El Salvador enviavam dos EUA US$2,8 bilhões, ele agradava Bush para que ainda mais imigrantes fossem aceitos e outros 220 mil, ilegais, tivessem seu status legalizado. Isso engrossaria o contingente e a remessa anual. O preço, no entanto, era ver compatriotas virarem bucha de canhão no Iraque – e Bush fingir que tinha uma “coalizão”.

Em fevereiro de 2006, segundo o Post, o governo dos EUA anunciou nova prorrogação de um programa controvertido sobre o status dos imigrantes salvadorenhos, beneficiados desde o terremoto de 2001. Mas o timing da decisão era sugestivo: apenas duas semanas depois de Saca ter concordado com o envio do sexto contingente de soldados salvadorenhos para o Iraque.

“Vendendo nossos soldados”

oscar_romero2A Arena de Saca, assim, manteve a tradição do tempo em que Reagan financiava a matança de civis – vitimando, entre outros, o arcebispo Oscar Romero (foto à esquerda), morto a tiros quando rezava missa na catedral; quatro religiosas americanas (sequestradas, torturadas, mortas e enterradas pelos soldados); e uma dezena de padres jesuítas, além do massacre da aldeia de El Mozote (saiba mai AQUI) e outros crimes contra a humanidade.

Não por acaso, quando a ONU conseguiu negociar o acordo de paz em El Salvador, alguns dos generais da cúpula do Exército (treinados pelos militares americanos) que tinham comandado a matança receberam asilo político nos EUA. Três deles moram em casas de luxo na Flórida, apesar dos processos movidos na Justiça dos EUA por parentes das quatro religiosas assassinadas.

O presidente Saca não pareceu envergonhado pelas atrocidades ou pela submissão e cumplicidade com os EUA. Mas até o diretor, em Washington, do grupo Diálogo Inter-Americano, Peter Hakim, admitiu para o Post que o programa atual de envio de tropas para o Iraque mostrava que a Arena, apesar de ter evoluído, ainda refletia “a continuidade” de um tempo que horrorizara o mundo.

Autoridades salvadorenhas filiadas à Arena achavam vantajoso o que se recebia dos EUA em troca do envio de soldados para a guerra. Mas gente simples como Herminia Ramos, cujo filho Natividad morreu no Iraque, pensa diferente. “Sei que o serviço militar é um dever dos soldados. Mas para proteger a pátria e não para cuidar de um país tão distante, que nada tem a ver conosco”, disse ela ao Post.

Lembranças amargas de Reagan

reaganbonzoPara aquela mulher sofrida, de 47 anos, era “como se o governo estivesse vendendo nossos soldados aos EUA”. O pior é que o filho dela tivera de sair da escola para o Exército aos 15 anos, quando o pai morreu. No Iraque, ele sequer sabia porque lutava. Acabou morrendo em Najaf, onde adeptos do líder xiita Moqtada al-Sadr atacaram instalações defendidas por tropas salvadorenhas.

Para encerrar, só mais uma ou duas lembranças amargas da política centro-americana de Reagan (veja-o na foto com o macaco Bonzo no colo, no filme Bedtime for Bonzo, treinando para ser presidente). Honduras, cujo território era usado para a força recrutada pela CIA (os “contras”) atacar a Nicarágua, numa guerra ilegal, foi transformada numa espécie de porta-aviões dos EUA. El Salvador centralizava as atenções, como o novo Vietnã da velha teoria dominó do Pentágono.

bonner_weakness_and_deceitO pretexto foi usado para justificar crimes como o massacre de El Mozote. As primeiras notícias sobre a atrocidade só apareceram no mês seguinte, janeiro de 1982. Reportagens de Raymond Bonner, do New York Times, e Alma Guillermoprieto, do Post, relataram o massacre. Havia o depoimento de uma mulher, Rufina Amaya, única testemunha que sobrevivera ao massacre. Os soldados empilharam cadáveres, incendiados e enterrados depois. O marido dela, um filho de nove anos, e três filhas, de cinco e três anos, além de um bebê de oito meses, estavam entre as vítimas. Bonner reuniu nomes de 733 mortos. Pouco depois ele deixaria El Salvador. E em 1984 contou tudo no livro Weakness and Deceit – U.S. Policy and El Salvador (capa acima) sobre a política selvagem de Reagan.

Ele no Times e Guillermoprieto (mexicana de nascimento) no Post, contaram toda a história poucas semanas depois do massacre. Mas o governo Reagan não apenas negou a veracidade das reportagens como pressionou os diretores dos dois jornais a chamar de volta os jornalistas – que retornaram aos EUA. Bonner, removido para a seção de Economia em Nova York, demitiu-se em seguida para escrever o livro. E só 10 anos depois, em 1992, o relato dos dois foi definitivamente comprovado (leia AQUI) graças a investigação das Nações Unidas (e conheça ainda, AQUI, uma análise do caso por Stanley Meister para o Projeto pela Excelência no Jornalismo).

(Clique acima no YouTube para ouvir o relato de Rufina Amaya, que tinha 41 anos quando testemunhou o massacre e nos 25 anos seguintes repetiu sua história e levou ao local onde estavam enterradas as vítimas)
Published in: on março 27, 2009 at 10:09 pm  Comments (1)  

O Aerolula e a fraude de Nixon

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(A foto acima do Aerolula, feita por Igor Bernardino da Silva Sorente, foi publicada há mais de um ano no portal da Rede Globo, G1. Abaixo, a comparação com o AF1 do presidente dos EUA, de três andares e 370 m2, no qual cabem dois Aerolulas)

Carlos Chagas, professor de jornalismo, é um profissional que prezo e respeito. Sua coluna convive com a minha há quase três décadas na edição impressa da Tribuna da Imprensa e, ultimamente, na edição online. Bem antes, integrando a equipe do Pasquim que o entrevistou na década de 1970, eu tinha perguntado a ele o que levava um jornalista a ser secretário de imprensa no regime que mais censurou a imprensa no Brasil.

Sua resposta foi séria e honesta. Hoje vivemos numa democracia plena e a grande mídia, inconformada, dedica-se em tempo integral a fazer campanha golpista em vez de jornalismo.lula_no_aviao1 Está em festa porque o nível de aprovação de Lula baixou para apenas 65% – ainda um percentual mais elevado do que o de qualquer presidente. Mas Chagas está muito preocupado com o uso do que a mídia batizou de “Aerolula”.

Entendo que deve ser difícil para tucanos e demo-pefelês aceitar que o operário nordestino que eles chamam de apedeuta, por não ter PhD em Harvard ou na Sorbonne, vôe por aí como se fosse o magnata Madoff ou algum executivo da AIG, do Bear Stearns ou da Merrill Lynch. Chagas nada tem a ver com eles. Como eu, poderia achar natural o Brasil ter seu avião presidencial, seja quem for o presidente.

Não só por causa da extensão territorial do país. Nosso papel na política internacional, a partir do atual governo, justifica tal necessidade, que Chagas parece ver como escândalo (leia AQUI a queixa dele na Tribuna de 23/03).af1__aerolula Há dias cobraram de Obama o luxo do helicóptero que o leva ao Air Force One/AF1 (Aerobama?) na Base Aérea Andrews (veja ao lado a comparação entre o AF1 dele e o Aerolula). Embaraçado, explicou: sequer sabia de sua existência, mas custou uma fortuna e foi comprado (pelo governo Bush) para esse fim específico.

Os fatos e uma versão deles

O caso do helicóptero pode ser diferente. Como encomenda do Pentágono à indústria, dificilmente deixou de envolver corrupção, velha tradição da casa. A queixa de Chagas é mais modesta. Ao criticar Lula, exaltou o exemplo de outro presidente. “Era o auge da crise do petróleo, todo mundo tinha que economizar e (Richard) Nixon cancelou os vôos do Air Force One. Durante algum tempo viajava em aviões de carreira (…), como um passageiro normal”, disse.

Ei, que diabo, fantasias da mídia não podem sobrepor-se à realidade. Estamos certamente diante de um caso assim, ainda que relativamente inofensivo. O presidente Nixon, de triste memória, nunca cancelou os vôos do AF1. E, ao contrário do que Chagas escreveu, em tempo algum “viajava em aviões de carreira como um passageiro normal”.

Uma única vez, a 23 de dezembro de 1973, o presidente viajou em vôo comercial (leia AQUI o relato do Time na época). Era só um truque demagógico, na ânsia de melhorar a imagem, então no fundo do poço por causa de Watergate. Acuado no poder, ainda via a crise do petróleo golpear o país. Dois meses antes, no “massacre de sábado à noite”, demitira o promotor Archibald Cox e forçara a saída do Procurador Geral e de seu adjunto.

Sob a pressão do impeachment

Pode ter sido a mais grave crise entre a invasão da sede do Partido Democrata em Watergate (17 de junho de 1972) e a renúncia (8 de agosto de 1974). O presidente comprometeu-se a não mais interferir na investigação do promotor (já então, Leon Jaworski) e foram introduzidas na Câmara oito resoluções de impeachment, apesar de Nixon prometer a entrega de todas as fitas gravadas e já sob intimação.

ford_nixon_leaves1Um mês antes da viagem dele pela United Air Lines, sua secretária Rose Mary Woods tinha apagado quase 20 minutos de uma gravação, atribuindo a malfeitoria a inexplicável “acidente”. O vice-presidente Spyro Agnew já renunciara (para escapar de um processo por corrupção). E Gerald Ford, aprovado pelo Congresso, tinha feito a 6 de dezembro seu juramento, tornando-se o novo ocupante do cargo.

O cenário estava pronto para o desfecho da crise: ou impeachment na Câmara, seguido de julgamento no Senado; ou a renúncia (na foto à direita, sua despedida de Ford depois de renunciar). Mesmo na Casa Branca muita gente já duvidava que Nixon pudesse manter-se no cargo. Foi com esse pano de fundo que o presidente, a 23 de dezembro, encenou a viagem de Washington à Califórnia, onde sua residência de San Clemente era a Casa Branca do Oeste.

A demagogia funcionou no primeiro momento. O DC-10 da United recebeu Nixon, sua mulher Pat, a filha Tricia, nove pessoas do gabinete e 13 agentes do Serviço Secreto. A passagem de primeira classe custava US$ 217,64 (equivalente hoje a uns US$1000). Na chegada a Los Angeles, ele confraternizou meia hora com os passageiros da classe turística, ouviu aplausos e a opinião (de uma jovem de 16 anos) de que se parecia com Bob Hope. “Ele é meu amigo”, respondeu.

A farsa que dobrou o gasto

Mas não houve economia alguma, ao contrário do que sugeriu Chagas. Tudo aquilo fora uma farsa. O AF1 voou, vazio, para a Califórnia, já que tinha de levar Nixon de volta a Washington. Ou seja, gastou-se a mesma quantidade de combustível e mais as passagens. Sem contar que também estava à bordo (espero que não na primeira classe) o cão presidencial, King Timahoe.

nixon-departA repercussão não foi imediata, por causa das festas de fim de ano. Mas depois veio a controvérsia. Naqueles dias eu visitava os EUA pela primeira vez. De um amigo americano, ouvi este desabafo: “Não entendo porque ele fez isso. É ridículo. Nunca se pediu que gastasse menos com o AF1. Há muita coisa que podia fazer para reabilitar a imagem. Essa não é uma delas”.

Era também esse o tom da controvérsia na mídia, impedindo a Casa Branca de faturar o evento e reabilitar a imagem presidencial. Isso devia ter sido tentado pelo zeloso secretário de imprensa Ron Ziegler, que fotografara Nixon no avião – abraçando pessoas comuns e beijando bebês, como se estivesse em campanha. Sete meses depois, no dia da última viagem dele no AF1, despediu-se do helicóptero nos jardins da Casa Branca (veja acima, à esquerda). Eu estava de novo em Washington: cobria a renúncia para o Jornal do Brasil.

Published in: on março 23, 2009 at 8:05 pm  Comments (8)  

A crise na guerra das manchetes dos tablóides

madoff_031309Os dois tablóides de Nova York são sempre implacáveis. A briga nas manchetes dos últimos dias, em conexão com a crise e os remédios do governo, sugere reflexões sobre o jornalismo de cada um. O New York Post – do império Murdoch de mídia (News Corp), que inclui o grupo Fox de TV e a Dow Jones, com seu Wall Street Journal – ficou na posição incômoda dos republicanos. Seu alvo preferencial é Obama.

Assim, optou por bombardear o magnata-vilão Bernard (Bernie) Madoff, de implicações políticas menos visíveis – ainda que, sob qualquer visão racional, seu caso resulte da obsessão desregulamentadora dos últimos oito anos. Madoff é exposto fora de contexto, sem conexão com a orgia da era republicana. O Post o chama de “ladrão”, como antes chamava Saddam de “açougueiro de Bagdá”.

madoff_031409Houve duas primeiras páginas sintomáticas no Post. Numa delas (veja no alto), Madoff está ao lado da manchete “Como roubei US$65 bi”. E mais: “Na cadeia o ladrão ‘arrependido e envergonhado’”. No dia seguinte (veja ao lado, à direita), sobre foto-montagem de Madoff atrás das grades, a manchete é o balão: “Deixa eu sair”. E, menor: “Depois da primeira noite na cadeia, Madoff berra”.

A defesa dos excessos bushistas

Desde que veio o primeiro pacote de socorro às instituições financeiras nos EUA, ainda no governo Bush, o debate no Congresso e na mídia tomou rumo enganoso. Liberais e democratas, claro, sempre encararam a crise financeira, que levou à econômica, como mais um legado da obsessão desregulamentadora da linha Bush a partir de 2001, gerando à ganância desenfreada e a sucessão de escândalos.

post_03182A onda de fraudes e ladroagem desencadeada já no primeiro ano de mandato de Bush – Enron, WorldCom, Tyco, Arthur Andersen, Adelphia, Global Crossing, etc – não acordou o governo para o problema. A SEC (suposta reguladora do mercado) dormiu. Investigações tiveram de vir por iniciativa de outros, como o então Procurador Geral de Nova York, Eliot Spitzer, que tinha jurisdição sobre Wall Street (e fez trabalho tão eficaz que se elegeu governador).

Hoje os dois tablóides da cidade, temidos pelos políticos como “agressivos” e “populistas”, exploram com ferocidade os escândalos. Mas o Daily News leva vantagem, dada a ligação promíscua do Post com o governo Bush. Apesar da manchete acima, à esquerda (“Não exagerem, seus bastardos gananciosos”), o Post – como os republicanos – às vezes é ambíguo, como no caso de executivos que embolsam bônus.

Tanto o tablóide de Murdoch como sua Fox News e o Wall Street Journal optam por crítica cautelosa. Neles, três conspícuos neocons bushistas, Bill Kristol, Fred Barnes e Charles Krauthammer, consideram “hipócritas” os ataques a executivos. É a linha também dos talk shows de Rush Limbaugh no rádio.aig_dailynews_03172 E o comentarista senior Brit Hume já repetiu a tese infame de que, “no fundo, ganância é bom”.

Post contra Obama: “Não é piada”

O ex-juiz Andrew Napolitano, outro cruzado da Fox News na defesa dos ladrões endinheirados, já declarou inconstitucional taxar em 90% os bônus de executivos. Isso deixou o Daily News à vontade, muito confortável, na ofensiva contra os vilões da crise. Dia 17, a manchete foi: “A.I.G. é um P.I.G” (veja acima, à direita). PIG, “porco”, era o grito dos contestadores contra os policiais repressores nos anos 1960.

obama_dailynews_03_20Quando Obama se tornou o primeiro presidente na história a comparecer a um dos tradicionais programas de humor à noite na TV – o “Tonight” de Jay Leno na NBC – o fato foi festejado na manchete do Daily News (“Heeere’s the Prez”) na manhã seguinte. À tarde, o Post protestou com um “No Joke” (Não é piada), sugerindo que Obama fazia piada e ria enquanto o povo sofre com a grave crise (veja abaixo, à direita).

O New York Post está no 3° século de existência. É o mais antigo diário do país. Foi criado em 1801 por Alexander Hamilton, braço direito do general George Washington na guerra da Independência, seu secretário do Tesouro depois, força motora do movimento federalista. Elitista, era rival de Thomas Jefferson, atraído pelos ideais da Revolução Francesa. Morreu depois de um duelo com Aaron Burr.obama_post032009

O jornal era liberal – às vezes progressista – até 1976, quando foi comprado por Murdoch, que o vendeu em 1988 e voltou a comprá-lo em 1993. O magnata australiano ignorou o passado político do jornal, transformando-o em tablóide de crimes, escândalos e fuxico de celebridade. Depois, abraçou o ultraconservadorismo e adotou os neocons de Bush.

De Ford à cidade: “Caia Morta”

O Daily News, fundado em 1919, era inicialmente dos mesmos donos do Chicago Tribune. Sempre teve grande circulação (está entre os cinco de maior tiragem no país), com força no noticiário de polícia, crime, esporte e brigando por “furos”.dailynews_dropdead Mas algumas de suas manchetes políticas entraram para a história, como o “Drop Dead” do presidente Gerald Ford em 1975 à falida Nova York (veja ao lado).

A cidade já teve dezenas de diários. Hoje só os dois tablóides e o New York Times disputam o mercado. O News sai de manhã e pega o fluxo dos que vão (em geral, metrô e trens do subúrbio) para o trabalho em Manhattan. O Post sai à tarde, pega o fluxo da volta para casa. Há exemplares empilhados por jornaleiros nas calçadas e pontos estratégicos. E são vendidos ainda em bancas e saídas de supermercados.

No século 20 “furos” celebrizaram profissionais tão medíocres do jornalismo de Nova York como Walter Winchel, que inspirou o J. J. Hunsecker de Sweet Smell of Success (A Embriaguez do Sucesso), interpretado por Burt Lancaster (veja ao lado a capa do DVD).sweetsmell Houve gente muito mais talentosa – como Damon Runyon, criador de histórias e personagens da Broadway; Ring Lardner, lendário colunista de esportes, amigo de presidentes; e, mais recentemente, Jimmy Breslin, visto como um típico jornalista da cidade. Todos eles tornaram-se autores de livros.

Published in: on março 22, 2009 at 12:55 pm  Deixe um comentário  

El Salvador e os crimes de Ronald Reagan

reagan_ghw_bush_presidentialmedal_of_freedom_1993A eleição presidencial vencida esta semana em El Salvador pelo jornalista Mauricio Funes (saiba mais AQUI), candidato dos ex-guerrilheiros da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN), pode representar, simbolicamente, o fim há muito esperado de um pesadelo. A tragédia desse país (leia AQUI) e da América Central agravou-se em 1981-89, com o apoio do presidente Ronald Reagan (na foto recebendo de Bush I a Medalha da Liberdade) a ditaduras sanguinárias.

O alegre ex-ator que chegou à Casa Branca graças à crise dos reféns do Irã é festejado hoje pelo Partido Republicano como herói e santo padroeiro. Mas sua escalada na ingerência dos EUA na guerra civil salvadorenha, com injeção de bilhões de dólares em ajuda militar, elevou a 80 mil o número total de mortes (em 12 anos) – 95%, segundo estimativa da ONU, vítimas do próprio governo.elsalvador-cia_map1

É preciso levar em conta, para avaliar melhor o significado desses dados, que El Salvador é o menor país da América Central (21 mil km2, menor do que o estado de Sergipe) e o único sem saída para o mar do Caribe. Mas tem população de 7 milhões de habitantes e fica espremido entre três muito maiores – Guatemala, Honduras e Nicarágua, na costa oeste da América Central, no Pacífico (veja o mapa acima e leia mais na página da CIA,  AQUI).

Os ideólogos conservadores do presidente Reagan, alguns dos quais (como Jeane Kirkpatrick e Eliott Abrams) seriam mais tarde englobados pela direita americana no neologismo neocon, concluiram na época que haveria naquele país uma espécie da batalha do Armagedon – as forças do bem (o Ocidente cristão e democrático) contra o império do mal (o comunismo ateu).whiterobert

O entusiasmo do embaixador White

Como também acontecera logo no início da campanha de propaganda de John Kennedy e Lyndon Johnson para vender a guerra do Vietnã, Ronald Reagan publicou o que chamou de white paper, para justificar o envolvimento em El Salvador. No texto, deixava de lado a realidade social do país e definia a situação como “um caso didático de agressão armada indireta por potências comunistas através de Cuba”.

Pouco mais de um ano antes da eleição de Reagan, a ditadura da família Somoza, sustentada pelos EUA desde a década de 1930, ruíra na vizinha Nicarágua. E em outubro de 1979, em El Salvador, o general-presidente Carlos Humberto Romero, beneficiário de uma eleição fraudada em 1977, foi deposto num golpe que instalou uma Junta moderada, com quatro civis e um militar, e prometeu eleições. Para a direita reaganista, era o fantasma da teoria dominó.

Mas a queda de Romero alimentava esperança. Estava na Casa Branca o presidente Jimmy Carter, que dava ênfase aos direitos humanos na política externa. Ele restabeleceu a ajuda militar “não letal” (suspensa em 1977) a El Salvador, enviou um pequeno grupo de assessores militares e nomeou um embaixador inquieto e dinâmico, talvez entusiasmado demais, Robert White (foto acima, à direita – e leia AQUI um depoimento dele à revista católica Commonweal em 2001).

Liberal bem intencionado, com idéias próprias e experiência razoável na América Latina, White apostou em José Napoleón Duarte, politico democrata-cristão que fora vítima da repressão militar e aceitou integrar a Junta e depois ser presidente. Parecia ver nele a receita certa para neutralizar a esquerda. Mas do lado militar destacava-se o chefe da espionagem Roberto D’Aubuisson, major treinado na School of the Americas – a “escola de ditadores” do Exército dos EUA.

d_aubuissonUm assassino patológico em ação

A relevância do papel de D’Aubuisson (foto ao lado), que o embaixador White chamaria depois de “assassino patológico”, ficou mais evidente a partir da execução em março de 1980, em plena missa, do arcebispo Oscar Romero, crítico da repressão militar. O major era o principal suspeito mas só anos depois ficaria comprovado que a matança na catedral fora de fato perpetrada por um dos esquadrões da morte e grupos paramilitares criados por ele.

Fora do serviço militar ativo, D’Aubuisson manteve dupla atuação – a ostensiva, legal; e a oculta, ilegal. Em 1981 fundou seu partido de ultradireita, a Arena (Aliança Republicana Nacionalista), que acabaria por controlar o poder até a derrota de 2009. D’Aubuisson, que também parecia anti-semita e simpático a Hitler, dizia abertamente – como registrou o Washington Post em agosto de 1981 – que “só matando umas 300 mil pessoas haverá paz em El Salvador”.

Além de ver comunistas debaixo da cama, costumava vê-los até na residência do embaixador dos EUA. Preso por poucos dias em 1980, acusado de conspirar para derrubar o governo com um golpe, mandou seguidores protestarem em frente à casa de Robert White, gritando insultos e exibindo cartazes que exigiam a saída do embaixador: “White comunista! Fora de El Salvador! Vá para Cuba!”

Nos EUA, Reagan pode ter acreditado nele. Dez dias depois de sua posse, em janeiro de 1981, o novo presidente anunciou sua primeira decisão de política externa: a demissão sumária do embaixador White. Sequer houve surpresa: a campanha de Reagan parecia enviar a cada dia um novo alento à direita militar em diferentes pontos do continente – especialmente a de El Salvador, onde a violência aumentava com fatos assustadores.

Haig e as freiras que não rezavam

nunskilledNo fim de junho, soldados invadiram a Universidade Nacional (depois fechada) e mataram mais de 50 pessoas. Eleito Reagan em novembro, cinco dirigentes da FDR, aliada da FMLN, foram torturados e mortos. Em dezembro, soldados sequestraram, estupraram e mataram quatro religiosas americanas (além das irmãs Maura Clarke, Ita Ford e Dorothy Kazel, que estão nas fotos acima, a missionária leiga Jean Donovan, cuja história foi contada em 1983 no filme Choices of the Heart – saiba mais AQUI). As quatro trabalhavam junto a comunidades pobres. “Rezando elas não estavam”, disse o leviano general Alexander Haig, secretário de Estado de Reagan.

salvador_oliverstoneSemanas antes da posse, Reagan e assessores (Kirkpatrick entre eles) receberam homens de negócios de El Salvador. O presidente eleito garantiu a eles que ia aumentar a ajuda militar dos EUA. Paralelamente, Kirkpatrick e Vernon Walters viajariam a vários países, inclusive a Argentina dos generais (e dos “desaparecidos”) e o Chile de Pinochet (e dos atentados da DINA pelo mundo, até nos EUA), para assegurar que direitos humanos já não frequentavam a pauta da política externa dos EUA.

O efeito da mudança de governo foi dramático. Um ano depois da posse de Reagan o New York Times e o Washington Post revelaram mais massacres de camponeses, atribuídos aos militares. No maior, de El Mozote, mais de 100 pessoas foram mortas e enterradas (saiba mais AQUI). E em reportagem de capa, Newsweek devassaria no início de novembro de 1982 a guerra secreta dos EUA contra a Nicarágua na fronteira de Honduras, o que acabaria levando ao escândalo Irã-Contras (desvio dos lucros da venda de armas aos aiatolás para financiar a guerra ilegal), que quase provocou o impeachment de Reagan.

O cineasta Oliver Stone retratou parte da tragédia – do assassinato de Dom Romero ao das quatro religiosas – no filme Salvador, de 1986 (veja o cartaz acima). O pesadelo devia ter terminado em 1992. Nesse ano D’Aubuisson morreu de câncer e foram assinados os Acordos de Paz mediados pela ONU, que instalou a Comissão da Verdade para investigar massacres, assassinatos e tortura. Mas faltava derrotar o partido do criador de esquadrões da morte, o que Funes – acusado na mídia direitista de Rupert Murdoch como novo Chávez (leia AQUI) – afinal conseguiu. Até porque o sonho de D’Aubuisson era matar pelo menos mais 300 mil salvadorenhos.

(Veja abaixo a foto do novo presidente salvadorenho, Mauricio Funes, festejando a vitória com sua mulher brasileira, Vanda Pignato, uma militante do PT)

El Salvador Elections

Published in: on março 17, 2009 at 8:44 pm  Comments (3)  

Rindo do mau humor de “O Globo”?

lula_obama_0903141

Para a mídia golpista, com O Globo à frente, esta reunião de Lula e Barack Obama na Casa Branca (foto AP) foi uma bobagem – e seu resultado, pior ainda. “Lula e Obama não chegam a acordo sobre biodiesel”, atacou a manchete mal humorada da página online do jornalão dos jornalões. Mas a cobertura da AP (como uma análise três dias antes do Wall Street Journal – leia AQUI) teve outro tom e chegou sábado à manchete da página online do Washington Post, descrevendo reunião amena e positiva (AQUI).

O Globo, sabemos, gaba-se de ser o único jornal do mundo a incluir o Hussein de Obama na manchete de sua vitória em 2008. Sempre busca originalidade para encobrir a falta de conteúdo. Lula gostaria de resposta imediata sobre o etanol mas a coisa não funciona assim. E a reação inicial de Obama esteve longe de ser o fracasso desejado pelo jornalão. “Não vai mudar da noite para o dia, mas acho que na medida em que continuamos nossa troca de idéias sobre o comercio a questão do biodiesel, fonte de tensão, será resolvida”.

Por enquanto era com algo assim que se contava. Como destacara, com realismo, a coluna de Eliane Catanhede, da Folha de S.Paulo, no dia da reunião (leia AQUI). Ela lembrou que não se devia criar expectativa de que os dois sairiam do encontro “com uma solução que vai mudar a situação mundial”. Pois tais conversas de presidentes, em geral, costumam ter mais gestos e palavras do que resultados práticos. Além disso, acrescento eu, os dois vão se encontrar mais duas vezes em abril – nas cúpulas de Londres (G-20) e Trinidad (das Américas).

O respeito à liderança progressista

lula_wsj_ricardostuckertCatanhede considerou ainda “importantíssimo” o detalhe de ser Lula (a foto ao lado, de Ricardo Stuckert, saiu no Journal) o terceiro líder mundial a botar os pés na Casa Branca de Obama. Para ela, uma indicação de que os EUA estão vendo o Brasil como um país que “não é apenas um líder regional, mas também protagonista do mundo em crise”. Ou seja, nada parecido com telefonema de Bill Clinton para forçar FHC a dar à Raytheon, financiadora de sua campanha, o contrato (de US$2 bi) do projeto Sivam.

A jornalista Darlene Superville, que assinou a materia da AP no Post, preferiu destacar o clima extremamente amistoso durante o contato dos dois com a imprensa no salão Oval da Casa Branca. “Sou um grande admirador do Brasil e um grande admirador da liderança progressista e visionária que o presidente Lula tem demonstrado através da América Latina e através do mundo”, disse Obama.

Ele lembrou ainda que “há uma forte amizade entre os dois países mas sempre podemos aprofundá-la mais”. E Lula não deixou por menos ao falar da “importância da eleição de Obama e o que ela pode representar para o mundo e especialmente para a América Latina”. Observou ainda que ele e Obama estão “verdadeiramente convencidos” de que as decisões que virão da reunião do G-20 podem resolver a crise econômica”.

Papel chave para o Brasil no continente

Em um dos momentos amenos Lula recordou o que tem dito no Brasil – que reza mais por Obama do que por ele mesmo, devido aos graves problemas que o presidente americano está tendo de enfrentar imediatamente depois de assumir. “Não gostaria de estar no lugar dele”, disse. Ao que Obama acrescentou: “Pois vou contar uma coisa. Parece até que você andou conversando com minha mulher”.

Também a página online do New York Times, em texto de Peter Baker e Alexei Barrionuevo, citou no sábado o mesmo comentário de Obama. “Eles discutiram cooperação energética e a crise econômica, buscando coordenar as idéias para as próximas cúpulas”, disse o jornal. E mais: “O sr. Da Silva tem sido voz destacada a conclamar os EUA a moderar sua atuação na América Latina”.

O Times observou que “Lula pressionou Obama a dar uma ajuda para reabrir as conversações globais sobre comércio (rodada de Doha), como ainda para reduzir as tarifas que mantêm os biocombustíveis do Brasil fora do mercado americano. Para o jornal, a reunião indica que Obama retoma as relações com nosso país no estágio deixado por Bush.lula_obama_09-03-14 Tenta tornar o Brasil país-chave para os EUA na América Latina (leia a íntegra AQUI e veja ao lado, em foto AP, a conversa dos dois com os jornalistas). 

Amazônia e praias cariocas na agenda

No capítulo do biocombustível a AP ainda destacou que Lula o considera uma “alternativa extraordinária” e está certo de que outros países vão se somar ao esforço. Quando Obama visitar o Brasil, disse, “vou convidá-lo a entrar num carro com motor flex. Ele vai se sentir muito bem”. Obama contou então que tem o seu, mas que nos EUA ainda não há postos em número suficiente, o que deve mudar.

Na conversa dos dois presidentes, Obama levantou a questão da criança de oito anos trazida pela mãe para o Brasil em 2004 e cuja custódia é reclamada pelo pai americano – David Goldman, de Nova Jérsey. A mãe, divorciada de Goldman, morreu depois de casar-se com um advogado brasileiro, que se nega agora a entregar a enteada ao pai biológico. Deputados pressionam a Casa Branca e a secretária de Estado Hillary Clinton tratou do assunto com o chanceler Celso Amorim, mas a decisão cabe à Justiça, não ao presidente. 

A matéria da AP destacou também que Lula foi o primeiro presidente da América Latina a ser recebido por Obama. E o governante dos EUA – familiarizado com as praias do Havaí, onde nasceu – contou que ao visitar o Brasil pretende conhecer as praias do Rio de Janeiro e viajar à Amazônia. “Os republicanos na certa vão torcer para que eu fique perdido na selva por um tempo”, brincou.

Published in: on março 14, 2009 at 10:47 pm  Comments (2)  

Ainda o desmonte da herança sinistra

obama_09_03_10O desmonte da herança sombria da dupla Bush-Cheney, com obsessões anti-democráticas como a aposta no clima de medo e na prática da tortura, é mais complexo do que se imaginava, mas avança. Esta semana, mal começada, já incluiu dois ítens: o fim das restrições ao uso de recursos oficiais na pesquisa com células-tronco embrionárias e a revogação da orientação bushista sobre novas leis.

Esta última ação do presidente Barack Obama é especialmente relevante, pois não fica limitada a um pecado aqui e ali (saiba mais sobre ela AQUI). Quando o presidente George W. Bush assinava certas leis das quais discordava de um ou outro ponto, baixava suas próprias instruções, ou “recomendações”, dizendo como a lei devia ser “interpretada”. Chegava ao extremo de invalidar partes específicas, a pretexto de inconstitucionalidade.

Tais “declarações assinadas” do presidente eram reveladas no próprio momento da sanção das novas leis. bush_signingO expediente em si não chegava a ser novidade. Já fora usado no século XIX, embora naqueles primeiros tempos os presidentes fossem parcimoniosos em recorrer a ele – raramente o faziam. Mas com Ronald Reagan (1981-89) passou a ser frequente. E com Bush II (foto ao lado) ganhou proporções de abuso.

Virando tudo pelo avesso

O que Obama fez segunda-feira foi determinar a reavaliação da legitimidade de cada uma daquelas “declarações assinadas” de Bush desafiando dispositivos das novas leis firmadas por ele nos últimos oito anos. Altas autoridades do governo foram instruídas (leia AQUI o memorando enviado a eles pelo presidente) a, antes de passar por cima deste ou daquele dispositivo, consultar o ministro da Justiça (Procurador Geral) Eric Holder.

abughrabi-tortureEssa decisão representa o cumprimento de uma promessa eleitoral de Obama. Durante a campanha ele garantiu que iria revogar aquelas “ressalvas” emitidas por Bush sobre pontos específicos das leis sancionadas entre 2001 e 2009. Um exemplo significativo foi a legislação que proibiu a tortura e a relativa à luta contra o terrorismo (as Leis Patriotas pos-11/9, violadoras das liberdades civis).

Como se sabe, Bush era tão tolerante (para dizer o mínimo) em relação à prática da tortura, a pretexto de ser importante arrancar confissões de presos, como rígido contra o exercício legítimo das liberdades civis em casos envolvendo suspeitas de cumplicidade com o terrorismo. Graças a tais excessos, as imagens de Guantánamo e Abu Ghrabi (foto acima) tornaram-se no mundo símbolos da violação de direitos humanos pelos EUA.

Os conflitos e os poderes

As “declarações assinadas” de Bush serviam, em seu governo, como base para a implementação das leis por autoridades do Executivo. A decisão de Obama agora leva essas autoridades a promoverem uma revisão ampla, invertendo a orientação – a menos, naturalmente, que o bom senso não o recomende. Inadmissível seria a perpetuação dos abusos bushistas, até porque já há um esforço no Congresso para se investigar a responsabilidade de Bush pelas torturas (saiba mais AQUI), com base em memorandos já disponíveis (veja reprodução abaixo).Terror Memos

Em caso de dúvida, a interpretação da lei é tarefa para a Justiça, não para presidentes ou parlamentares. Cabe à Suprema Corte, frequentemente acusada pelos conservadores de exorbitar, usurpando poderes do Legislativo. Em 1973 a decisão Roe v. Wade legalizou o aborto (saiba mais sobre o caso AQUI). Isso por ter revogado leis estaduais e federais que violavam o direito constitucional à privacidade ao proibir ou restringir o aborto.

A American Bar Association, cujo papel é semelhante ao da OAB (Ordem dos Advogados) no Brasil, condenava as “declarações” de Bush como “contrárias ao estado de direito e à separação constitucional dos poderes”. Chegou a conclamar Bush e os futuros presidentes a por fim à prática, limitando-se a assinar a lei ou então devolvê-la, para o Congresso derrubar ou não o veto presidencial.

Moderação no novo rumo

Ao ordenar a revisão das “interpretações” de Bush, o presidente Obama não abandonou o expediente. Ao contrário. Indicou que pretende, ele próprio, recorrer às “declarações assinadas” quando achar que o Congresso aprovou uma lei com dispositivos que o presidente considera inconstitucionais. Isso por achar que há um espaço para a prática, desde que usada moderada e apropriadamente.

Formado em Direito pela respeitada Harvard Law School, Obama tem base para fazê-lo.specter_alan Mas alguns republicanos que condenavam a prática de Bush, como o senador Arlen Specter (foto ao lado), hoje representante de mais alto nível do partido na comissão de Justiça, que foi presidida por ele antes. E também os senadores Olympia Snowe e até John McCain, que criticaram essa posição de Obama (na campanha McCain prometera por fim à prática caso fosse eleito).

O que Obama prometeu antes e reafirma agora é deter o abuso. “Exercendo minha responsabilidade para determinar se um dispositivo da lei é inconstitucional, agirei com cautela e moderação, com base somente em interpretações da Constituição que sejam bem fundamentadas”, escreveu o presidente no memorando aos ministros e diretores de agências do governo.

Published in: on março 10, 2009 at 10:14 pm  Deixe um comentário  

Outro “chega pra lá” de Rush Limbaugh

steele_michaelComo se ainda fosse necessário mais algum fato para expor o poder de Rush Limbaugh, “rei do talk show”, na direita republicana, também o presidente do partido, Michael S. Steele (foto ao lado), viu-se constrangido a fazer-lhe publicamente um pedido de desculpas – repetindo o gesto anterior do número dois da bancada da Câmara, Eric Cantor, encarado como o próximo líder.

Steele, como Cantor antes, ousou reduzir a importância de Limbaugh na noite de sábado, pouco depois do espetáculo encenado pelo obeso radialista como atração central da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC). A chance veio na CNN, onde o apresentador, ao fazer uma pergunta a Steele, referiu-se a Limbaugh como “o líder de fato” do Partido Republicano (leia o relato do New York Times AQUI e a versão da CNN AQUI).

“Não, ele não é. O líder de fato do partido sou eu”, disse Steele. “Rush Limbaugh é um entertainer (artista que diverte o público). Tudo o que Rush Limbaugh oferece é entretenimento. De fato, é incendiário. De fato, é feio”, afirmou Steele, advogado de 48 anos, com curta carreira política, iniciada em 2003 ao se tornar o primeiro negro eleito vice-governador de Maryland.

Resposta republicana a Barack Obama

A segunda proeza política de Steele veio a 30 de janeiro de 2009, apenas 10 dias depois da posse do presidente Barack Obama. Um Partido Republicano abalado pela derrota na eleição presidencial o escolheu como chairman (presidente) da RNC, o Comitê Nacional Republicano. Era o primeiro negro na história a ocupar esse cargo máximo do partido, que tem dificuldade em exibir diversidade étnica.

Mas nem por isso o “rei do talk show” conseguiu digerir a crítica de Steele. No seu programa radiofônico de segunda-feira, Limbaugh diminuiu o chairman do RNC, questionando sua autoridade e dizendo que tinha começado mal no cargo. “Sr. Steele, o senhor devia é estar iniciando o trabalho para o qual foi eleito, ao invés de bater boca com jornalista na televisão”.

E mais: “Sr. Steele, o senhor é o chefe do RNC. O senhor não é o chefe do Partido Republicano. Dezenas e milhões de conservadores e republicanos nada têm a ver com o RNC e neste momento eles não querem ter nada a ver com o RNC” (leia o relato de Limbaugh AQUI) Mas depois do programa, Steele apressou-se a telefonar a Limbaugh, desculpando-se pelas declarações que tinha feito na CNN.

Qual será a próxima do rei do talk show?

limbaugh_rush_xDiante desse recuo de 180 graus, só resta concluir que Steele, em lua-de-mel com o cargo no partido, cometeu um grosseiro erro de cálculo. E que os democratas não estão errados na avaliação – proclamada em especial por Rahm Emanuel, chefe de gabinete da Casa Branca – sobre a força real de Limbaugh. O próprio desprezo dele pelo cargo de Steele foi constrangedor para seu ocupante.

Mas Steele enfiou o rabo entre as pernas. Ao web site Politico.com, de Washington, ele ofereceu sua versão: “Minha intenção não era procurar Rush. Tenho enorme respeito por Rush Limbaugh.  Talvez eu tenha sido um pouco precipitado. Mas não houve tentativa, da minha parte, de minimizar a voz e a liderança dele” (saiba mais AQUI).

É fora de dúvida que Limbaugh ganhou o confronto. Pouco antes, como relatei no post anterior, o deputado Eric Cantor também pedira desculpas ao radialista, de uma forma também humilhante, pelo que tinha dito. Cantor é tido como uma liderança jovem em ascensão na Câmara. Comprar uma briga desse tamanho não o ajudaria – como não ajudaria Steele. 

Published in: on março 3, 2009 at 11:52 pm  Comments (1)  

Os novos donos da direita republicana nos EUA

limbaugh_fnc_01-21-09

Pode parecer exagerado, em outros países, dar importância ao temido Rush Limbaugh (foto acima), “rei do talk show” de rádio nos EUA. No passado também fiz referência muitas vezes ao papel desse extremista de direita na política americana. Depois da eleição de 1994, por exemplo, ele chegou a ser homenageado pelos republicanos como responsável maior pela tomada das duas casas do Congresso.

Se não houvesse outro motivo para prestar atenção ao barulho provocado agora por Limbaugh (conheça o web site dele AQUI) em certo segmento do espectro político, bastaria citar a própria preocupação manifestada pelo presidente Barack Obama no final de janeiro. Foi durante reunião com parlamentares republicanos, no esforço inútil para atrair apoio capaz de dar alguma aparência bipartidária ao pacote de estímulo à economia.

“Vocês não podem simplesmente ficar ouvindo Rush Limbaugh e pensar que assim conseguirão avançar”, advertiu Obama (saiba mais AQUI). No dia seguinte, em seu programa de rádio, o próprio Limbaugh gabou-se de que o presidente tinha mais medo dele do que dos líderes da oposição republicana boehner_mcconnellno Senado e na Câmara, Mitch McConnell e John Boehner (foto ao lado) – “o que não depõe a favor de nosso partido”.

Obama estava incomodado, obviamente, com a estranha submissão de deputados e senadores do Partido Republicano não a seus líderes, entre os quais McConnell e Boehner, mas a Limbaugh e o canhão que aponta, pronto a disparar, contra qualquer parlamentar que aceite dialogar com o governo. O canhão, claro, são as centenas de emissoras de radio que transmitem o talk show dele.

O ataque múltiplo do extremismo

As bancadas republicanas no Congresso parecem às vezes tomadas pelo pânico – ou terror – ante críticas de Limbaugh. Em janeiro o deputado Phil Gingrey, um republicano da Georgia, foi ouvido no talk show do monarca obeso. Em postura reverente, humilhante mesmo, chegou ao extremo de pedir desculpas a Limbaugh por declarações que fizera a um influente web site de Washington, Politico.com.

O pecado de Gingrey fora este desabafo: “É fácil, se você for um Sean Hannity, um Rush Limbaugh, ou até mesmo um Newt Gingrich (foto ao lado, com o líder ascendente Eric Cantor).cantor_gingrich Fica na retaguarda e joga pedras nos outros”. A referência era a republicanos que reinam, sem mandato, no radio e na TV. Hannity tem talk shows (radio e TV) na Fox News. Gingrich, ex-presidente da Câmara, encerrou a carreira parlamentar (por escorregões éticos) e hoje é comentarista da Fox.

Limbaugh pode ter ido longe demais, no ultimo domingo, ao falar como atração central da CPAC – Conferência de Ação Política Conservadora (saiba mais AQUI). Confessou que quer o fracasso do governo. “O que há de tão estranho em ser honesto e dizer que desejo o fracasso de Obama na missão de reestruturar e reformar este país para que o capitalismo e a liberdade individual deixem de ser sua base?” – perguntou.

O núcleo da direita extremista republicana é vasto e chega às raias do terrorismo. Inclui ainda gente como a loura desbocada Ann Coulter, que não tem mais espaço regular e dias certos em programas de radio e TV, mas é entrevistada com frequência – e continua a disparar seus torpedos contra alvos múltiplos, de veículos diversos, inclusive numa coluna semanal (sindicalizada) em muitos jornais.

Diálogo com os neoconservadorescoulter_time_ap25-2005

Coulter (veja-a à direita, numa capa do Time em 2005) também tem web site (conheça-o AQUI) e é incansável na produção de livros que chegam aos primeiros lugares nas listas de mais vendidos – até na mais cobiçada delas, a do New York Times, alvo predileto da loura. O poder de fogo da turma é respeitável. Soma pesos pesados como Limbaugh, Hannity, Gingrich, Coulter e até Bill O’Reilly, líder de audiência no horário nobre da Fox News.

Na votação do pacote de estímulo econômico na Câmara, entre 15 a 20 deputados republicanos pretendiam, até uma semana antes, votar favoravelmente. Mas à última hora renderam-se à pressão da linha dura, com medo da máquina de destruição de reputações. No Senado, Arlen Specter (Pensilvânia) e as duas senadoras do Maine (Susan Collins e Olympia Snowe, foto abaixo) ousaram – mas agora amargam, os três, o rótulo de “traidor”.snowe_collins

Quando ficou claro que não haveria um só voto republicano na Câmara pelo pacote, a grande mídia corporativa investiu pesado contra o que chamou de “fracasso de Obama”. Poderia ter, no entanto, destacado o esforço extraordinário do presidente para atrair a oposição, inclusive acolhendo sugestões recebidas de republicanos. Esse empenho tinha começado cedo.

Antes da posse Obama reuniu-se com notórios jornalistas da direita republicana – entre eles, os neoconservadores Bill Kristol e Fred Barnes, diretores do semanário ideológico Weekly Standard – a revista mais lida na Casa Branca de Bush, criada e financiada pelo magnata Rupert Murdoch. George Will e Charles Krauthammer, colunistas sindicalizados, foram igualmente ouvidos.

O mesmo alvo, tarefas distintas

Kristol e Barnes tinham sido, na capa da Standard, os primeiros a pedir em editorial a invasão do Iraque. Kristol foi fundador e presidente do infame Projeto no Novo Século Americano (PNAC). Krauthammer escrevera – já em 1991, na austera Foreign Affairs – que o mundo pos-guerra fria tinha de ser “unipolar”; e que os EUA não podiam tolerar outra superpoência, nem aliada (tese incorporada depois ao PNAC).

Esses intelectuais neocons pouco têm a ver com os Limbaugh, Hannity e Coulter, embora na campanha Obama tenha concordado com uma entrevista a O’Reilly obama_oreilly_sep04-2008(veja os dois na foto ao lado). Mas os neocons costumam açular o destempero da linha dura do rádio e da TV. Kristol, Barnes e Krauthammer estão diariamente na Fox News, investindo pesado contra o governo. Deixam os insultos para cães de ataque sem projeto politico definido e sempre dedicados à lama sórdida.

Difícil é adivinhar até onde isso vai levar. O temor republicano é de que Obama, como Ronald Reagan em 1981, imponha uma virada, com transformações reais – mudanças substantivas, favorecidas pela crise econômica, guerras, escândalos e fracassos da era Bush. Entrevistado domingo na rede ABC, o chefe de gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel, cumprimentou Limbaugh “pela honestidade” ao desejar o fracasso. “Ele é a cara do Partido Republicano”, disse (saiba mais AQUI).

Na mesma ABC o deputado republicano Eric Cantor – o da foto do alto (com Gingrich), número dois, abaixo de Boehner e já encarado como futuro líder da bancada – discordou do rei do talk show sem confrontá-lo. “Não acho que algum de nós deseja algum fracasso neste momento. Temos tantos desafios. O que devemos fazer é formular soluções para os problemas que as famílias reais estão enfrentando hoje”, afirmou.

(Clique abaixo para ouvir Rush Limbaugh, no CPAC, justificar sua torcida pelo fracasso do governo Obama, a pretexto de que no passado os democratas sempre sabotaram os governos republicanos)
Published in: on março 2, 2009 at 8:48 pm  Comments (1)