Até o mapa de Karl Rove dá vitória a Obama

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Ele é tido como “o cérebro de Bush” (conforme o título de um livro sobre seu papel nas campanhas de 2000 e 2004 – veja a capa abaixo, à direita); o mago que deu a Casa Branca duas vezes ao atual presidente; e o “gênio do mal” que arrasa reputações e destrói adversários com golpes sujos. Neste ano de 2008, como John McCain foi vítima em 2000 e não morre de amores por seus truques, limitou-se a ajudar de longe a campanha republicana.

Mas no dia da eleição Karl Rove, como analista da Fox News, do Wall Street Journal e da versão online do Times de Londres – todos do império Murdoch de mídia – não esconde o jogo. Ao contrário, reconhece publicamente que a vitória no Colégio Eleitoral, a única que vale no processo americano para eleger um presidente, será mesmo do democrata Barack Obama, talvez por 338 votos eleitorais contra 200 (confira no mapa de Rove acima).

Se confirmada esta noite, terá sido a diferença mais esmagadorabushs_brain nos últimos 12 anos – desde 1996. Ou seja, uma derrota republicana maior do que as duas vitórias (ambas com a ajuda de roubo de votos, na Flórida e em Ohio) supostamente dadas a Bush pelo próprio mago da estratégia eleitoral. E Rove mata a cobra e mostra o pau, ao expor o último de seus célebres mapas eleitorais dos estados (saiba mais no site dele, AQUI).

Cálculo que parece realista

Na tela da Fox News ele já tinha feito ontem uma análise pessimista, ao dizer que McCain ainda poderia ganhar, mas que tal hipótese àquela altura era “muito difícil”. Hoje, na versão derradeira de sua síntese gráfica dos estados nas cores azul (os de vitória democrata) e vermelha (os de tendência republicana), deu a Obama todos os da costa nordeste, da Virgínia para cima, e mais a Flórida.

Quanto aos estados críticos – os swing states, que poderiam ir tanto para um lado como para o outro, dada a incertza das tendências – o mapa de Rove deu ainda os seguintes estados a Obama, na sua previsão final: Pensilvânia, Ohio, Colorado e Novo México. Ficaram com McCain, Carolina do Norte, Indiana, Missouri, Dakota do Norte e Montana.

Como as margens que Rove apontou são às vezes mínimas (em Indiana, 1 ponto percentual; em Dakota do Norte, Missouri e Carolina do Sul, zero), ainda pode haver erros – o que ampliaria ou reduziria a diferença a favor de Obama, já que todos os votos eleitorais de um estado com estimativa errada passariam de um lado para o outro. Só a Carolina do Norte tiraria 15 de McCain e daria a Obama – o que resultaria na diferença de 30.

McCain perde desde setembro

mccain_bushNa explicação sobre seu mapa – na verdade, de sua empresa Karl Rove & Co – ele diz que, para não deixar nenhum estado sem definição, alocou aqueles nos quais há empate técnico ou pequena diferença para o candidato em favor do qual se inclinava a última pesquisa. No mais, seguiu a média das pesquisas recentes – o que faz sentido numa situação como a atual.

Em outro gráfico, com a tendência do Colégio Eleitoral a partir de setembro, fica claro ter sido entre 15 e 20 daquele mês a última vez que McCain liderou (confira AQUI, clicando depois a opção Polling Trend Line). Daí em diante Obama esteve à frente, numa linha sempre ascendente, enquanto a de McCain sofre leve queda, só subindo na alocação arbitrária às vésperas da eleição. O Obama ficou com mais 86 votos eleitorais do que John Kerry em 2004 e McCain com menos 86 do que Bush.

O quadro otimista para o democrata, favorecido até na estimativa final do mago bushista, não significa que já sabemos o resultado final – pois até o cálculo de Rove tem como base as pesquisas. Assim, restam as hipóteses negativas também formuladas antes, como o “efeito Bradley” e variantes – segundo o qual o eleitor racista mentia ao pesquisador que votaria no negro mas na cabine eleitoral não o fazia.

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Do fiasco de 1948 às fraudes

No cartum acima, de 1948, o republicano Tom Dewey pergunta a Harry Truman para que eleições se as pesquisas já selaram sua derrota. Aquele foi o ano do maior fiasco das pesquisas: o presidente democrata Truman foi dormir cedo, derrotado, e acordou na manhã seguinte como presidente reeleito. Festejou, claro, dando gargalhada diante da primeira página do Chicago Daily Tribune, cuja manchete dava a vitória a Dewey, governador de Nova York (veja a foto abaixo e saiba mais sobre o fato AQUI, na Biblioteca Truman).

A esperança final de McCain era repetir a façanha.truman_x Mas o problema dele é que, para vencer, não precisa apenas ganhar em todos os swing states onde há empate técnico, o que já parece hipótese pouco realista. Também tem de tomar de Obama estados nos quais a vantagem do candidato democrata é considerada segura. Até porque 30% dos votos – ou mais – já foram dados na votação antecipada. Não podem mais ser mudados.

Deve ser lembrado ainda, finalmente, o risco de supressão de votos e fraudes. Os mais pessimistas acham que os republicanos têm máquina capaz de alterar a tendência do eleitorado – com expurgo de eleitores e supressão de votos em áreas pobres, de negros e minorias. Foi para combater isso que a ACORN, hoje sob cerco republicano, passou a fazer registros novos – e é acusada pelo partido de Bush e McCain, com respaldo da Fox News do magnata Rupert Murdoch.

Published in: on novembro 4, 2008 at 10:53 am  Comments (1)  

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  1. Finalmente, ¡acabou!
    E, especialmente, acabou bem.


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