Na bolsa de apostas, Obama 91%, McCain 10%

No website Huffington.post (de Arianna Huffington), Keith Thompson (leia AQUI no original) contou ontem a história de um certo Mike Maloney, um apostador de 52 anos entrevistado por ele. Maloney ganhou muito dinheiro com ações, mas preferiu concentrar-se, no dia a dia, em corridas de cavalos, onde acha maior o desafio. “Há muitos e muitos fatores a mais a se considerar nas corridas de cavalos”, disse ele.

Para Thompson, aquele apostador é um gênio matemático. Por isso perguntou a ele se apostadores são capazes de prever melhor do que as pesquisas de opinião pública o resultado de uma eleição presidencial. Maloney não hesitou: “As pesquisas erram porque as pessoas podem dizer o que é politicamente correto, a formulação das perguntas pode influir e os entrevistadores podem ser tendenciosos. Já os bookmakers, ou fazem a aposta certa ou perdem”.

Thompson buscou uma segunda opinião de pessoa do ramo. “Os jogadores têm mais experiência com gente que trapaceia”, respondeu o consultado. Eles levam em conta a fraude, a pesquisa não. Pesquisa também não leva em conta os fatores e sistemas que cada secretário de Estado supervisiona – por exemplo, para expurgar eleitores. A conclusão de Thompson é de que os apostadores estão certos.

Finalmente, o autor citou Michael Robb, especialista político no website Betfair.com (conheça-o AQUI) dos bookmakers ingleses. Os fatos, diz ele, falam por si: enquanto os EUA se encaminhavam para o dia da eleição de 2004, a pesquisa da CNN mostrava John Kerry na liderança mas a Betfair dava a George W. Bush 91% da chance de vencer. E mais: em 2004 a Betfair ainda acertou na margem de vitória de Bush e no resultado de cada um dos 50 estados.  

Não sei se isso conta toda a história. Mas aí vão os números da Betfair para quem quiser apostar na eleição presidencial dos EUA este ano: Barack Obama está com 91% de chance. John McCain tem apenas 10%. Ou, para ser mais preciso, a aposta no favorito Obama só paga 1 por 7 (você aposta US$7 e, se ganhar, recebe US$8). Mas se apostar em McCain, leva US$6,80 para cada dólar apostado. O gráfico a seguir, também da Betfair, expõe a situação desde 4 de agosto:

Published in: on novembro 3, 2008 at 5:33 pm  Comments (1)  

Para a Gallup, mudança vem aí – com Obama

A crise da Flórida em 2000 retardou por mais de um mês a definição do vencedor da eleição presidencial, afinal decidida a 12 de dezembro no tapetão da Suprema Corte federal, que mandou parar a recontagem de votos ordenada antes pela Suprema Corte estadual. Mas em 2008 a decisão do Colégio Eleitoral poderá ser conhecida pouco depois de 8 e meia da noite, ao se fecharem as urnas em estados críticos.

Pelo menos é o que sugerem as últimas pesquisas reveladas hoje. Bom exemplo é a estimativa final da respeitada organização Gallup para o jornal USA Today (dados apurados entre 31 de outubro e 2 de novembro), alargando a vantagem de Obama para 11 pontos percentuais (53% a 42%), tanto entre eleitores registrados como entre votantes prováveis (veja as explicações e os três gráficos da Gallup AQUI).

Ao serem incluídos os indecisos, alocando-se proporcionalmente seus votos de acordo com a tendência para melhor aproximar os dados da votação real, os números passam a ser estes: Obama, 55%; McCain, 44%, mesma vantagem de 11 pontos percentuais. A edição de hoje do USA Today expõe mapa dos estados e o gráfico das diferentes pesquisas desde 16 de setembro (amostragem, margem de erro e tudo – veja AQUI).

Só dois estados para definir

No mapa, apenas Indiana e Missouri ainda estão dados como indefinidos pelo jornal. Outros indefinidos antes, ou são colocados agora para Obama (Pensilvânia, Virginia, Ohio, Colorado, Novo México) ou dados como inclinados para Obama (Flórida, Carolina do Norte, Dakota do Norte e Nevada). O gráfico com números das pesquisas das diferentes organizações, desde 16 de setembro, deixa clara a linha ascendente do democrata, como a quase reta do republicano).

Várias empresas de pesquisa continuam a registrar vantagens menores para Obama, em movimento de mais equilíbrio – como a Zogby International, que tem trabalho em conjunto com a agência Reuters, e a rede pública C-SPAN de televisão (confira AQUI); e a Pew Research Center (AQUI); para não falar na pesquisa Fox, desacreditada por integrar o império Murdoch de mídia. Mas mesmo elas continuam a dar vantagem a Obama (a Fox, só 3 pontos percentuais)

Também na Zogby a diferença a favor do democrata subiu – de 5,7 pontos percentuais na pesquisa anterior para 7,1 pontos (50,9% a 43,8%) na divulgada hoje. O especialista John Zogby explicou: “Barack Obama está onde precisa estar, John McCain não. Numa pesquisa de candidatos múltiplos, presumindo que os menores podem crescer em torno de 2%, Obama mantém os grupos que precisa, e continua a ter grande vantagem entre os independentes e na sua base”.

Outros números ficam abaixo

Os dados da Gallup mostram uma tendência de última hora na direção de Obama, com o crescimento de 8 pontos percentuais para 11,  tanto entre eleitores registrados como entre votantes prováveis. Mas as outras pesquisas falam de uma redução da diferença – que seria um fenômeno também favorável a chapas presidenciais republicanas em outras eleições recentes.

John Zogby observou que McCain parece estar mantendo sua base, mas tem sido incapaz de ampliá-la e não consegue penetrar no território de Obama. A organização promete divulgar outra pesquisa amanhã, cobrindo o período até meia-noite de hoje. Já o Pew Research Center, na sua pesquisa final, disse que “Obama mantém uma liderança significativa sobre McCain nos dias finais da campanha”.

A vantagem “significativa” entre “votantes prováveis” é de 7 pontos percentuais, 49% a 42%, bem abaixo da vantagem apurada pela Gallup. E com o acréscimo proporcional dos indecisos ainda cai para 4 pontos, 52% a 46%. Segundo a pesquisa, há indícios de que o comparecimento de eleitores poderá ser  bem alto do que em 2004, quando foi o maior em quase quatro décadas.

O Pew Center projeta percentuais ampliados de votantes jovens e de negros, contingentes largamente favoráveis a Obama. Mas o comparecimento de eleitores aumentará em todas as faixas. Ao mesmo tempo, é assinalado que na semana final McCain recebe o impulso que republicanos costumam ter entre os “votantes prováveis”; no universo de todos os “registrados”, Obama teria 50% contra 39%. Na mesma linha, a pesquisa de acompanhamento diário Rasmussen Reports deu ontem 51% para Obama contra 46% de McCain, vantagem de 5 pontos (saiba mais AQUI). É o 38º dia seguido nessa pesquisa com Obama entre 50% e 52%.

A decisão dos estados indecisos

E por que o resultado já poderá ser conhecido às 20:30 horas de amanhã ou pouco depois? Em geral as grandes redes de TV, quando a votação não é apertada, projetam o vencedor de cada estado quase imediatamente depois do fechamento das urnas. Estados críticos – Pensilvânia, Flórida, Carolina do Norte, Virgínia, Ohio, Missouri e Indiana – estão entre os que fecham as urnas até aquele horário.

Depois do problema da Flórida em 2000, as redes de TV ficaram mais cautelosas e já não se apoiam nos dados de uma mesma organização para apontar ou não o vencedor do estado. Mas desta vez, conforme os números desses estados, podem ousar. Por exemplo, se McCain perder Flórida, Carolina do Norte, Ohio, Virgínia e Pensilvânia dificilmente deixarão de dar a vitória a Obama no Colégio Eleitoral.

São esses os estados mais visitados nas semanas finais da campanha pelos dois candidatos exatamente porque o resultado final virá daí. O que decide é o Colégio, não a votação popular. Já se sabe, por exemplo, quem vencerá nos três estados maiores: a Califórnia e Nova York darão seus votos eleitorais – 55 e 31, respectivamente – a Obama. O Texas dará os seus (34) a McCain.

Só restam os complicadores. A amplificação pela Fox News Channel de denúncias republicanas de fraude em registros de eleitores, atribuída à ACORN (Associação de Organizações Comunitárias para uma Reforma Já) sugere uma preparação, pela campanha de McCain, para um esforço posterior, no tapetão, a pretexto de fraudes. A ACORN (saiba mais sobre ela AQUI) foi criada para registrar mais eleitores negros e de minorias, cujos votos costumam sofrer expurgo, supressão ou simplesmente não serem contados, mediante artifícios. 

Published in: on novembro 3, 2008 at 1:28 pm  Deixe um comentário