“Ei, cancelem meu maldito voto em McCain”

Os leitores e navegadores deste blog certamente leram, há dois dias, o post no qual contei a história do escritor satírico e colunista conservador Christopher Buckley – filho de William F. Buckley Jr, ícone conservador que morreu em fevereiro, aos 82 anos de idade – declarou publicamente seu voto em Barack Obama, até prevendo que ele pode se tornar um grande líder e grande presidente. O título do artigo do filho traidor foi este: Sorry, Dad, I’m Voting for Obama (Lamento, papai, mas eu vou votar no Obama).

Na abertura, Christopher escreveu: “Sou o mais recente conservador/libertário/ou-o-que-seja a pular para a banda de música de Barack Obama. É bom que mamãe e papai não estejam mais vivos. Se estivessem, cortariam minha mesada. Ou será que não?” Leia a íntegra AQUI, no original inglês. Ele optou por publicar no The Daily Beast, o website da jornalista Tina Brown, ao invés da tradicional revista conservadora National Review, fundada pelo pai e na qual assina uma coluna, para não ofender seus leitores.

Mas não adiantou. Os leitores da Review e da NRO, sua edição online, reagiram com uma enxurrada de emails indignados. E Christopher Buckley julgou conveniente e oportuno apresentar seu pedido de demissão para não embaraçar a revista fundada pelo pai, já que muitos assinantes até mandaram cancelar suas assinaturas. Essa, pelo menos foi a história que contou ontem, na televisão, a Chris Matthews, da rede MSNBC (veja e ouça AQUI).

Como o pai, hostil a leitores chatos

Outro lado pitoresco no caso é que durante a longa história da National Review, a pioneira das revistas de reflexão política conservadoras, William F. Buckley Jr. lutou muito com a incompreensão de leitores mais estreitos. A tal ponto que ao escrever a trajetória dela, escolheu para o livro um título que é também um desabafo mais do que revelador sobre a chatice que são certos leitores : Cancel your damn subscription (Cancele a sua maldita assinatura).

Christopher, obviamente, herdou o charme conservador e o humor satírico do pai. Foi extremamente bem humorado e criativo no artigo no qual traiu a ideologia conservadora, pois começava confidenciando aos leitores que, se os pais fossem vivos na certa reagiriam cortando sua mesada. Ele também deixou claro que continua conservador – e discorda da linha libeeral de Obama, favorável a governos que se envolvem demais.

Para atualizar também outro tema dos últimos dias, tenho a informar que o Partido Republicano, pessimista e desencantado com a incapacidade da chapa McCain-Palin de reagir nas pesquisas – segundo a do New York Times com a rede CBS, revelada hoje, a vantagem de Obama ampliou-se para 14 pontos percentuais, 53% contra 39% – resolveu desviar recursos da campanha presidencial para tentar salvar a eleição de alguns deputados e senadores.

E está entre eles o senador Norm Coleman, o troglodita nostálgico do macarthismo que se sente ameaçado no estado de Minnesota pelo humorista Al Franken (foto acima). O desespero levou Coleman a lançar um comercial (pago pelo Partido Republicano) do mais baixo nível contra Franken, acusado até de atrasar o pagamento de pensão à ex-mulher. Clique na imagem abaixo para comprovar a sordidez.

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Published in: on outubro 15, 2008 at 10:12 am  Deixe um comentário  

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