Gallup dá 51% a Obama, contra 42%

A poucas horas do segundo debate presidencial no Tennessee, Barack Obama está com a maior vantagem já registrada a favor dele pela pesquisa Gallup de acompanhamento diário – 9 pontos percentuais, 51% contra 42%. E mais: desde 12 de setembro, quando começou a esvaziar o balão inflado e colorido da vice Sarah Palin, John McCain não mais foi capaz de inverter o quadro desfavorável (leia mais AQUI sobre os números da Gallup).

A chapa republicana tem de romper a situação para manter alguma esperança de vitória, pois restam menos de quatro semanas para a eleição. Assim, nos últimos dias ficou claro que McCain – pela sua proximidade com o governo Bush, responsável pela devastadora crise financeira – precisa ir para a ofensiva e a economia não vai ajudá-lo. A saída: redobrar os ataques pessoais ao adversário.

Não que McCain busque ignorar a economia. A campanha, dirigida pelo lobista Rick Davis, tentou ridiculamente ligar os democratas Barney Frank e Chris Dodd às gigantes de hipoteca Freddie Mac e Fannie Mae. Só que os dois parlamentares eram minoria no Congresso de 1994 a 2007, enquanto o próprio Davis (veja sua foto abaixo, ao lado de McCain) faturou US$2 milhões fazendo lobby para aquelas duas firmas no Congresso americano.

Só 9% estão satisfeitos

A Gallup apurou mais: apenas 9% dos americanos estão satisfeitos com o atual estado de coisas no país, culpando principalmente o Partido Republicano do presidente George W. Bush. De tabela, a população vê com desconfiança a chapa McCain-Palin, apoiada por ele. É o índice mais baixo de aprovação de um governo em toda a história das pesquisas feitas pela Gallup.

Outro dado: quase metade (44%) do segmento mais jovem dos americanos com idade para votar (18 a 29 anos) considera esta eleição presidencial a mais importante em meio século. A maioria deles acha que o resultado terá impacto direto sobre suas vidas. Eles preferem Obama a McCain numa proporção de 2 por um. E acreditam ser inevitável uma mudança positiva que marcará a história.

É recorde, também, a percentagem de americanos – nada menos de 82% – que acham a situação atual ruim para se procurar emprego. O pessimismo atingiu gravemente o mercado de trabalho nesta primeira semana de outubro. O apoio ao Congresso pela aprovação do pacote cresceu, mas não passou de 50% das pessoas ouvidas – contra 41%. A maioria (53%) continua irritada com a crise financeira.

Mudanças a cada momento

Em relação à tendência do eleitorado, presta-se muito mais atenção agora ao mapa dos votos eleitorais nos estados – o que realmente decide a eleição. Desde que a Flórida, através de uma decisão da Suprema Corte federal, deu a Casa Branca a George W. Bush no ano 2000, quando Al Gore foi o candidato mais votado pelos eleitores, há mais consciência para o fato e que a eleição é indireta.

Em quadros bem elaborados para facilitar o acompanhamento da situação dos candidatos na campanha, o website Politico.com e o da rede CNN tentam mostrar diariamente os desdobramentos. Nesses mapas, a vantagem da chapa Obama-Biden sobre a McCain-Palin é ainda mais revelador. A CNN destaca em amarelo sete dos estados onde a situação não está definida (veja AQUI o mapa da CNN).

São a Flórida, Carolina do Norte, Virgínia, Ohio, Missouri, Colorado e Nevada. McCain precisa de praticamente todos eles para ganhar, pois nos demais Obama tem hoje uma vantagem de 264 votos eleitorais contra 174 (são necessários 270 para vencer a eleição). Se mantiver todos os estados onde está à frente (177 certos, 87 com boa margem), o democrata só precisaria de mais seis votos eleitorais).

O Politico.com considera 13 indefinidos (veja o mapa AQUI). Ao mesmo tempo, dá a cada chapa todos os votos eleitorais dos estados onde ela lidera no momento, daí a vantagem esmagadora para Obama nesse mapa – 364 votos eleitorais contra 174 de McCain. O resultado final pode ficar perto disso, mas é arriscado apostar em tais números, pois nos swing states, que vão de um lado para o outro, há diferenças mínimas.

Números ainda incertos

Em vários há quase empate – ou empate técnico. É o caso do Missouri, onde Obama tinha ontem 47,8% e McCain 47,5%. E a Carolina do Norte, 48,8% contra 47,3%. Aparentemente, Obama está perto da vitória na Flórida (49,5% contra 42,8%), Pensilvânia (50,4% a 39,4%), Novo México (49,8% a 42,5%), New Hampshire (52% a 41,3%), Michigan (49,1% a 42,1%).

Nos demais – Colorado, Ohio, Virginia e Wisconsin, ainda com Obama na frente, e Indiana, favorecendo McCain – o mapa do site deixa claro que a previsão é difícil. Nos estados onde a vantagem de um candidato é sólida, Obama tem 153 votos eleitorais e McCain 139. Nos que apenas se inclinam para um candidato – Obama tem 54 contra 24. E nos 13 swings desse mapa, 157 contra 11.

Daí o número total de 364 para Obama contra 174 para McCain ser apenas especulativo. Pode até acontecer. Mas nada impede que aquelas pequenas diferenças se invertam – e a vitória acabe sendo do candidato republicano. Essa dramática indefinição, mesmo em estados que favoreceram Bush nas duas últimas eleições, é que leva a campanha de McCain a baixar o nível com ataques pessoais.

Published in: on outubro 7, 2008 at 4:47 pm  Deixe um comentário  

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