Outro complicador para Sarah Palin

Nem tudo é charme na campanha de Sarah Palin. Uma questão que inevitavelmente terá de aparecer no debate dos candidatos a vice amanhã à noite é sobre o embaraçoso fato de que, no período em que ela esteve à frente da prefeitura da cidade de Wasilia, as mulheres vítimas de estupro eram forçadas a pagar pelos exames onerosos a que se submetiam durante a investigação do caso – o que a Polícia não fazia com vítimas de outros crimes.

Claro que tal cobrança leva vítimas a desistirem – e estupradores a ficarem impunes. O Legislativo do Alasca aprovara lei em 2000 isentando as vítimas da cobrança. Considerava que exigir o pagamento era um constrangimento a mais para as vítimas, que em geral já ficam em situação vulnerável e tendem a evitar a própria exposição durante a ação criminal contra o estuprador. O então governador Tony Knowles não hesitara em sancionar a lei. (Leia AQUI um relato no site da CNN)

Mesmo assim, durante o mandato de Palin à frente da prefeitura prevalecia a cobrança às vítimas – e o chefe de polícia dela, Charlie Fannon, chegou a defender publicamente a prática, a pretexto de que não era justo impor o ônus ao contribuinte – um argumento meramente pecuniário. Aliás, aquele gasto, mesmo para uma prefeitura pequena como a de Wasilia, era ridículo: de US$5 mil e US$14 mil por ano.

Uma evangélica extremista?

Uma suspeita é de que a opção da evangélica Palin como pro-life (pro-vida, em oposição a pro-choice, pro-escolha, dos que defendem a eventual opção da mulher por um aborto, nos termos da decisão Roe v. Wade) a levou a impor o ônus às mulheres vítimas de estupro como mais um meio de desencorajar abortos (leia AQUI sugestão nesse sentido, feita no New York Times). Para quem conhece o extremismo a que chegou tal debate, a ponto de levar muitos a apoiarem assassinatos de médicos de clínicas de aborto, não parece improvável.

Fontes da campanha McCain-Palin têm adotado a linha de que a cobrança era coisa do chefe de polícia e que a prefeita não se envolveu na história e nem sequer sabia daquela política (leia AQUI reportagem do USA Today, incluindo a explicação da campanha). Alguns acham difícil acreditar nisso, até porque ela se vangloria de ter reduzido os gastos da prefeitura. Quanto à hipótese de que não sabia, é pouco convincente – e ainda a comprometeria como chefe do Executivo municipal, no mínimo pela omissão.

Obviamente o fato prejudica a imagem de alguém que busca herdar os votos das feministas empenhadas antes, com especial entusiasmo, na campanha de Hillary Clinton. Aliás, o passado de Palin e o estilo adotado por ela na campanha tendem a afastá-la do eleitorado da ex-primeira dama. A começar pelo detalhe pitoresco de ter participado do concurso Miss Alasca, com desfile de maiô e tudo.

(Clique abaixo para vê-la, atraente e graciosa, desfilando de maiô no concurso de 1984)
Published in: on outubro 1, 2008 at 11:26 am  Comments (3)  

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3 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Meu caro Argemiro

    Desde que tomei conhecimento do seu site, procuro acessá-lo sempre que possível.
    Seu trabalho de cobertura das eleições americanas é muito bom. Instrui e orienta o leitor com análises muito bem feitas, deixando os que o lêem muito bem informados. Pretendo continuar sendo um leitor assíduo seu.

  2. Caro Argemiro, escrevo apenas para dizer-lhe que considero-o quem melhor escreve em português sobre os EUA. Acostumei-me a lê-lo na Tribuna da Imprensa há anos e foi uma grata notícia descobrir este saite. Que bom que ainda há jornalistas que sabem analisar os fatos e escrever.

  3. Outro complicador para Sarah Palin.
    A galeria de arte do bar “The Old Town Ale House”, de Chicago, entre centenas de quadros de famosos e frequentadores, passou a expor um de Sarah Palin, nua.
    A pintura é da autoria do artista co-proprietário do bar Bruce Elliott, que teve como modelo sua filha Grace Elliot
    (http://windycitizen.com/news/old-town/2008/09/29/a-real-nasty-piece-of-work-chicago-dive-bar-scores-hit-with-nude-sarah-pali).
    Muitos eleitores poderão acreditar que a candidata pousou, realmente, para o artista.


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