Obama na mira do jornalismo “gotcha”

Foi um exemplo eloqüente do jejum que o presidente Lula devia ter imposto aos veículos das organizações Globo – todos eles – no período que antecedeu a eleição presidencial brasileira de 2006. O império Fox de mídia, propriedade do magnata do jornalismo desonesto, Rupert Murdoch, teve de esperar 772 dias, mais de dois anos, para fazer uma entrevista exclusiva com o candidato Barack Obama.

Numa espécie de chantagem, o anfitrião Chris Wallace, do “Fox News Sunday”, o principal programa político da rede, passara a atualizar aos domingos a contagem de dias, horas e minutos da ausência de Obama. Além disso, a Fox só patrocinou um dos 21 debates entre candidatos democratas. O comportamento tendencioso de sua gente empurrou os candidatos para debates em outras redes, como sua rival CNN.

O fim da ausência de Obama na Fox deu-se no último domingo mas o candidato não foi a Nova York ou Washington: esperou Wallace e sua equipe em Indiana – onde está em campanha para as primárias da próxima terça-feira. Wallace já foi dos quadros da NBC e da ABC, é competente (veja AQUI as imagens e uma análise do site “Huffington Post”). Mas na Fox ele adota o estilo da casa, cujos ideólogos são os extremistas neocons Bill Kristol e Charles Krauthammer.

Ainda a culpa por associação

Mesmo assim, Obama manteve a serenidade e a elegância. Respondeu a todas as perguntas, inclusive provocações sobre o ex-pastor de sua igreja Jeremiah Wright, exposto ao país como antiamericano, e o vizinho (militante na década de 1960 no grupo radical Weather Underground) Bill Ayers, apontado pela mídia à execração pública como criminoso e terrorista.

Wright (que ontem, 28, voltou à carga AQUI, em reunião organizada em Washington por um seguidor de Hillary) e Ayers viraram alvos permanentes para ataques a Obama. Na Fox o senador não se queixou. Qualificou de legítimas as perguntas, mesmo considerando injusto os dois serem arrastados às primeiras páginas e horário nobre da TV apenas pela obsessão de atingir o candidato. Lembrou suas boas relações com amigos conservadores dos quais diverge, como diverge com freqüência de Wright e Ayers.

“Tenha na cabeça que os sermões do pastor não eram sempre políticos. O que ele mais falava era sobre a igreja, a família, a fé e as escrituras. E era em busca disso que eu ia à igreja”, observou. Lembrou ainda que Martin Luther King é sempre citado pelo sermão “I have a dream”, mas em outro, feito na igreja de Riverdale, Nova York, foi radical contra a guerra do Vietnã, de uma forma perturbadora. 

Até estupro contra Clinton

Quando a Fox entrevista um político que não reza pela cartilha de Murdoch, costuma enfiar cada um de seus veículos numa camisa de força. Prevalece então o chamado estilo gotcha de jornalismo. É também nisso que aposta a nossa mídia (O Globo, Veja, Folha de S. Paulo, Estadão, etc.). É o que ela faz desde o início, há três anos, da campanha do impeachment do presidente Lula.

Considera Lula idiota e apedeuta, certa de que acabará escorregando numa casca de banana fatal. Gostou tanto do dossiê de 2006 (mas as fotos do dinheiro nas primeiras páginas, capas e horário nobre só prolongariam a agonia do picolé de chuchu) que há pouco inventou outro dossiê, atribuído a Dilma Rousseff. Chamados de pais do gotcha, o jornalismo de armadilhas, Bob Woodward e Carl Bernstein negam a paternidade.

Na mídia americana o estilo gotcha fracassou também em 1998, quando ela apostou na derrubada de Bill Clinton. De nada valeram as gravações de Linda Tripp, a mancha no vestido de Monica Lewinsky e até um estupro. A NBC, pressionada pela Fox, teve de bancar este último, usando suposta reportagem de investigação de Lisa Meyers (na verdade, não passava de uma entrevista duvidosa).

A nostalgia de Carl Bernstein 

Em palestra na Universidade de Maryland, em 2002, Bernstein exorcizou o gotcha como abominável, subproduto de Watergate (leia AQUI sobre o evento). Ele e Woodward negaram ter qualquer responsabilidade por tal desvio. “O que fazíamos era aquele tipo básico de reportagem, tradicional, sem glamour. Boa reportagem é quando conseguimos a melhor versão possível da verdade. Mas a mídia não funciona mais assim”.

Na campanha eleitoral americana, Obama já enfrentou vários gotcha. Imagens do pastor Wright ficaram em cartaz dias e semanas – e a Fox protestou quando os demais veículos da mídia decidiram mudar de assunto. Hillary, depois de ressuscitar Wright na Pensilvânia, lançou Bill Ayers. Os dois estão de novo nas manchetes. E não adianta Obama explicar que só tinha sete anos quando o Ayers radical explodia bombas.

Chris Wallace e outros sabem disso. Como os jornalistas de nossa mídia, eles não estão a fim de perder o emprego. Wallace seguramente esperava um gotcha domingo. Mas Obama deu-se bem até quando o entrevistador fez certo esforço para colocá-lo em rota de colisão com o general David Petraeus, o herói que a Fox insiste em vender ao país. Resistiu o quanto pode. Em nenhum momento disse que vai demiti-lo. (E a vingança da Fox seria ESTA, a fala de Wright ontem, ao vivo). 

Published in: on abril 29, 2008 at 8:08 pm  Deixe um comentário  

O “Times” contra os desvios de sua candidata

“Após sete anos do estilo fracassado de governo de George W. Bush, na linha do ‘ou-vocês-estão-conosco-ou-estão-contra-nós’, os eleitores americanos merecem ver um debate com nuanças – agora e durante a fase final da campanha – sobre como cada um dos candidatos vai combater o terrorismo, proteger as liberdades civis, enfrentar a crise imobiliária e pôr fim à guerra do Iraque”.

O eixo central dessa queixa do editorial do New York Times na última quarta-feira, 23, foi a conduta da candidata Hillary Clinton na campanha da Pensilvânia (leia AQUI a íntegra, no original inglês). Ela conseguiu ali derrotar o rival Barack Obama, mas para isso recorreu a uma receita negativa e comprometedora para a dignidade do processo político – “o que só pode prejudicá-la, prejudicar o oponente, o partido e a própria eleição de 2008”.

Sob um título bem apropriado, “The low road to victory” (O caminho baixo para a vitória), o jornal advertiu que os eleitores já estão cansados desse rumo inferior, pelo qual “foi ela a principal responsável”, diminuindo o processo político. “A sra. Clinton deixou de obter na Pensilvânia a grande vitória de que precisava para desafiar os dados matemáticos da disputa democrata”, observou.

No arsenal bushista de Rove

É significativo o jornal falar de nuanças. Richard Cohen, no Washington Post, já fizera referência em 2004 à guerra do presidente Bush às nuanças – às gradações, tons e meio-tons, sutilezas e matizes. “Para mim não existe nuança”, disse Bush certa vez a um senador. “No Texas não temos nuança”, afirmou a uma jornalista da CNN. Aos olhos dele é sempre preto e branco, como num filme antigo de cowboy.

A racionalização neomacarthista de Hillary descontenta o Times não apenas por ser este um jornal do estado dela, mas por ter dado apoio público a Hillary em Nova York contra Obama. Agora o editorial acha que “a sra. Clinton e seus assessores devem culpar a si mesmos porque foram fortemente negativos e acabaram por desbaratar boa parte do que tinha sido uma vantagem (na Pensilvânia) de 20 pontos percentuais”.

Na véspera da primária crucial, disse o jornal, “ela se tornou a primeira candidata democrata a mostrar a camisa ensangüentada de 11/9. Num comercial de TV – tirado do manual de truques de Karl Rove – evocou o crack de 1929, Pearl Harbor, a crise dos mísseis de Cuba, a guerra fria e os ataques de 11/9, até com um vídeo de Bin Laden. ‘Se você não agüenta o calor, saia da cozinha’, recitou o narrador” (veja AQUI como o Times noticiou dia 22 a inclusão de Bin Laden na campanha dela). 

A mensagem de guerra ao Irã

Para o Times, se a intenção era dar credibilidade à tese de que ela está melhor preparada para ser presidente num mundo cheio de perigos, “na manhã de terça-feira (22, dia das primárias) a própria sra. Clinton transmitiu a mensagem oposta. Em entrevista à ABC News, declarou que se o Irã atacar Israel enquanto ela for presidente: ‘Nós iremos obliterá-los totalmente'” (veja a reverberação da ameaça nuclear AQUI, num blog do Los Angeles Times).

“Mantendo-se no ataque, sem debater com o sr. Obama a substância de questões como terrorismo, economia e como organizar a retirada do Iraque, a sra. Clinton faz mais do que afastar os eleitores contrários a campanhas negativas. Subverte a própria rationale da sua candidatura, que lhe trouxe o apoio deste e de outros jornais – de que está mais qualificada hoje para ser presidente do que o sr. Obama”.

O editorial admite ter também Obama errado, mas por morder cada vez mais a isca negativa oferecida por ela, o que nega suas próprias alegações de que oferece proposta política mais elevada e inclusiva. Não é mau, para o Times, os dois partilharem dos mesmos valores essenciais e receitas políticas sensatas. “Essa é a força deles, mas fazem o que podem para os eleitores esquecerem isso”.

Os velhos roteiros de cowboy

Os dois errarão também, segundo o jornal, se estiverem achando que somente os democratas prestam atenção “a este espetáculo”. Por isso está chegando a hora, assinalou, de ser feito pelos superdelegados o que se tinha em mente quando foram criados esses superdelegados. Que é preciso encontrar uma saída para a atual disputa desgastante, que não poderá ser resolvida pelo voto (veja AQUI, no blog de política do Times, como mais um superdelegado acaba de aderir a Obama).

“A sra. Clinton já teve uma grande vantagem entre os veteranos e superiores do partido, mas a está perdendo sistematicamente, em grande parte por causa de sua campanha negativa. Se ela ainda tem alguma esperança de convencer aqueles democratas mais leais a voltarem para o seu lado e, mais ainda, conquistar um segmento mais amplo de eleitores, terá de recolher os seus cães de ataque”.

Fica evidente especialmente o desapontamento do Times com os excessos da candidata que indicou a seus leitores como a melhor do Partido Democrata. Afinal ela optou pelo neomacarthismo e pelo belicismo, coerente com o rumo bushista sem nuança, atrelado aos roteiros simplistas dos cowboys da ficção hollywoodiana. Certamente não era isso o que o jornal achava estar recomendando aos eleitores.

Published in: on abril 28, 2008 at 1:49 pm  Deixe um comentário  

As quatro vidas de Howard Koch

Para o resto do mundo, a cidadezinha de Woodstock é o lugar de um célebre concerto de rock na década de 1960. Para Howard Koch, autor de roteiros de filmes e peças de teatro, foi bem mais do que isso: apesar de nascido na turbulenta Nova York do início do século, ele passou a infância naquela área pacata do estado e para ali voltou depois dos 60 anos, semi-aposentado.

Premiado em 1943 com o Oscar da Academia de Hollywood como um dos autores (com Julius e Philip Epstein) do roteiro de Casablanca (saiba mais AQUI sobre este filme), Koch morreu em agosto de 1995, aos 93 anos. Três anos antes ele me recebera na sua Woodstock. Apesar da idade, estava no volante de seu carro ao me encontrar perto do ponto do ônibus que chegava de Manhattan, para o que pode ter sido uma de suas últimas entrevistas (publicada à época na “Ilustrada” da Folha de S.Paulo).

Lúcido e ativo, preparava-se para festejar, um par de semanas depois, o 90º aniversário. Do centro de Woodstock, levou-me ao seu rancho, conversando enquanto dirigia o carro. Foi o início de um diálogo que durou várias horas – não interrompido nem quando saimos para caminhar entre as árvores, nas margens do riacho, naquele dia extremamente colorido de outono.

Welles, Houseman e o pânico de 38

Eventualmente, sua mulher Anne Green Koch, colaboradora em alguns de seus roteiros, o socorria acrescentando detalhes aos relatos. Ele a conheceu após Anne ser contratada pela Warner Brothers para trabalhar como sua secretária na elaboração de um roteiro em 1943. Os dois viajaram, de trem, de Hollywood para Nova York, e desde então viveram juntos – mais de 50 anos.

Koch contou-me estar convencido de que vivera quatro vidas. Confuso sobre a própria vocação depois dos 30 anos de idade, desistiu da advocacia ao descobrir o talento de escritor trabalhando a US$ 75 por semana no Mercury Theatre de Orson Welles e John Houseman (conheça AQUI essa célebre série de rádio e ouça alguns dos programas), aos quais se juntou para semear o pânico no país a 30 de outubro de 1938, com a adaptação de A Guerra dos Mundos de H.G. Wells, sobre uma invasão da Terra pelos marcianos.

Foi a primeira vida. Atraído depois a Hollywood em razão do pânico (como também ocorreu com Welles e Houseman), consagrou-se na segunda vida com a contribuição dada ao roteiro do filme que parece ganhar mais adeptos à medida que fica mais velho – Casablanca (dirigido por Michael Curtiz), cujos 50 anos foram comemorados com pompa e circunstância naquele final de 1992.

Em compensação, um outro filme – Missão em Moscou, que escreveu logo depois de Casablanca – condenou Koch ao desemprego e ao exílio da terceira vida, a de perseguido político em meio à caça às bruxas. A quarta vida começou com seu retorno da Europa a uma pátria amadurecida pela tragédia do Vietnã. Saiu da lista negra e voltou a escrever, mas em outro ritmo, sem as antigas pressões.

O tempo do “politicamente correto”

Koch contou-me na entrevista como sempre fora atropelado pelos fatos marcantes de sua vida – pelo pânico de A Guerra dos Mundos, pelo sucesso de Casablanca, pelo escândalo de Missão em Moscou. Simplesmente “aconteceram”, caíram no seu colo. Ele também trabalhou com outros grandes cineastas – seu amigo John Huston (In This Our Life), Howard Hawks (Sargeant York), William Wyler (The Letter), Joseph Losey (A Finger of Guilt”), Max Ophuls (Letter From an Unknown Woman”).

Depois de ter a carreira interrompida na década de 1950, voltou-se mais para o teatro e os livros. Publicou as memórias (com o título da canção que Casablanca popularizou, As Time Goes By) e tentou explicar a lenda, reproduzindo o roteiro do filme de Curtiz, em Casablanca: Script and Legend. Em The Panic Broadcast: Portrait of an Event, outro livro (adaptado para a TV em 1975), recordou toda a história do pânico gerado pelo programa A guerra dos mundos. (Veja abaixo a manchete do New York Times no dia seguinte.)

Koch sempre foi liberal progressista e “politicamente correto” – algo que há muito saíra de moda em Hollywood. Contou-me que nunca pertencera ao Partido Comunista, como outros escritores do cinema, mas que foi ativista em várias organizações consideradas pelo governo “fachadas” do partido. “Estava em todas elas”, disse rindo. “E fui presidente de uma das mais atuantes”. (Leia AQUI o obituário dele publicado pelo New York Times em 1995.) 

Palavras que o vento não levou

O diálogo de Casablanca popularizou frases que hoje se repetem até em títulos de outros filmes – como Play It Again, Sam, de Herbert Ross e Woody Allen (1972), e The Usual Suspects, de Bryan Singer (1995). Durante aquela entrevista há 16 anos, perguntei a Koch se era capaz de identificar no roteiro o que tinha sido escrito por ele e o que era dos outros dois colaboradores, os gêmeos Epstein, Julius e Philip.

“As pessoas costumam perguntar isso, mas como posso lembrar, 50 anos depois? O que eu me lembro bem é que o diretor, Michael Curtiz, preferia uma ênfase no lado romântico da história, enquanto eu forçava o lado político”. Algumas frases do filme:

“Toque, Sam. Toque ‘As Time Goes By'” (de Ingrid Bergman, Ilsa, para o pianista Dooley Wilson, Sam). “Prendam os suspeitos de sempre” (de Claude Rains, o capitão Renault). “Nós sempre teremos Paris” (de Humphrey Bogart para Bergman). “Acho que isso é o começo de uma bela amizade” (de Bogart para Rains, no final).

“Atire logo, você vai me fazer um favor” (de Bogart para Bergman, que tem um revólver na mão). “Com tanto boteco pelo mundo, e ela vai entrar logo no meu!” (de Bogart para Wilson). E o diálogo entre o capitão Renault (Rains) e Rick (Bogart): “Que diabo, por que você veio para Casablanca?” “Problema de saúde. Vim por causa da água.” “Que água? Estamos no deserto.” “Fui mal informado.” (Veja AQUI toda a filmografia de Koch, inclusive os filmes assinados com pseudônimos durante a lista negra)

Published in: on abril 26, 2008 at 1:33 pm  Deixe um comentário  

O presidente Lugo e a guerra do Paraguai

Na quarta-feira o colunista Elio Gaspari fez na página de opinião de O Globo esta afirmação sensata: “O que menos importa na eleição de Fernando Lugo para a presidência do Paraguai é o seu interesse em renegociar o tratado de Itaipu. Mesmo que por algumas semanas esse tema seja transformado num circo ele amadurecerá num nível em que se juntam presidentes, diplomatas e técnicos” (leia AQUI a cobertura do Los Angeles Times sobre a vitória de Lugo).

O problema é que o próprio O Globo está há muito dedicado ao circo – desde antes da eleição do Paraguai. Como não conseguiu a guerra com a Bolívia, quem sabe desta vez, botando ainda mais lenha na fogueira, provoque a do Paraguai. O jornal dos irmãos Marinho, com seus “generais de redação”, nunca desiste, sempre aposta no retrocesso. Para isso recorre ainda ao seu bicho-papão predileto, Hugo Chávez.

O que falta, talvez, seja um Roberto Marinho para puxar a orelha dos “generais” e dizer a eles que o venezuelano Chávez não elegeu os Kirchner na Argentina, nem Morales na Bolívia, nem Correa no Equador, nem Tabarez Vasquez no Uruguai e nem Lugo no Paraguai. Apenas teve sensibilidade suficiente para perceber que o povo, em cada um desses países, queria mudança – e havia boas razões para isso.

Problemas que ajudamos a criar

De fato Roberto Marinho era apaixonado pelas ditaduras de Salazar e Franco, acreditou piamente na fantasia das “províncias portuguesas de ultra-mar” e repetiu à exaustão editoriais retrógrados em defesa do que não passava de relíquias obsoletas de um colonialismo intolerável. Mas apostaria, depois daquela lição, na promiscuidade Uribe-paramilitares-Bush como modelo para a América do Sul?

Até O Globo terá de admitir que não há outro caminho para o governo Lula além do reconhecimento da realidade. O gás da Bolívia e a energia de Itaipu não são problemas criados por Morales e Lugo. Ao contrário: os dois chegaram ao poder, ao menos em parte, por causa daquela realidade que ajudamos a criar – tão intolerável para bolivianos e paraguaios como o império colonial português para os africanos.

“Generais de redação” culparão Chávez ou Fidel. Mas em mais de meio século de ditadura colorada, como lembrou Gaspari, 16 presidentes do Brasil “deram uma mãozinha aos colorados”, cuja cleptocracia “se aninhou nas fímbrias de Itaipu, no contrabando de Ciudad del Este, nas lavanderias financeiras e na bandidagem da região da Tríplice Fronteira. Lamentavelmente, a cada malfeitoria de paraguaio corresponde outra, de brasileiro”, às vezes com origem do lado de cá (a íntegra do artigo de Gaspari pode ser lida também na Folha de S.Paulo, AQUI).

Acordos eleitorais criminosos

Enquanto isso acontece no sul do continente, na Colômbia está em apuros o herói dos “generais de redação” de O Globo, presidente Álvaro Uribe. Foi afinal para a cadeia Mario Uribe, primo dele e aliado político íntimo, além de ex-presidente do Senado (leia mais sobre o passado oculto dos Uribe NESTE texto de 2004). A prisão foi ordenada pelo Procurador Geral devido a suas ligações com os grupos paramilitares ilegais, ligados ao narcotráfico.

Trata-se daquele mesmo escândalo iniciado em 2006, embora o presidente – que também nomeou para o comando do Exército um general (Mario Montoya) ligado aos paramilitares – não só tenha sobrevivido até agora, com o respaldo (e os bilhões de dólares em ajuda) do governo Bush, como parece convencido de que, a exemplo do peruano Alberto Fujimori, ainda terá seu terceiro mandato (veja AQUI, no International Herald Tribune, como os paramilitares ressurgiram em partes da Colômbia, dedicando-se a narcotráfico e extorsão).

O primo do presidente tentou obter asilo na embaixada da Costa Rica – pedido rejeitado porque já havia ordem de prisão decretada pela Justiça. Ele tinha renunciado ao Senado há seis meses, para evitar o julgamento pela Suprema Corte do país. Entre outras coisas, será acusado de fazer acordos com paramilitares direitistas para expulsar milhares de camponeses de suas terras em Sucre e Antioquia (ligações da elite colombiana com paramilitares foram detalhadas no ano passado AQUI, pelo Washington Post).

Mario Uribe é acusado ainda de se reunir duas vezes com o líder paramilitar Salvatore Mancuso, com o qual fez acordos eleitorais no início de 2002, ano da primeira eleição do atual presidente (ind’icio eloquente do que se faz nas eleições de lá). A operação desencadeada para prendê-lo, segundoa impensa local, provocou as tempestades políticas. A metade dos 62 parlamentares acusados na investigação do paraescândalo já está na prisão.

Aquelas ligações perigosas

O plano de anistia do presidente Uribe destinava-se apenas a beneficiar os chefões paramilitares. Tornou-se um complicador ao ser descoberto que pelo menos 35% do Congresso estava sob o controle daqueles mesmos grupos ilegais, acusados ainda de relações promíscuas com narcotraficantes. Acredita-se que depois da reeleição de Uribe em 2006, aquela percentagem ampliou-se bem além dos 35%.

Álvaro e Mario Uribe fazem política juntos há mais de 20 anos. O primo do presidente tinha papel central na base de apoio ao governo. Em parte por isso, já houve vários confrontos entre o Judiciário e o Executivo. Em setembro do ano passado, Uribe iniciou ainda a série de confrontos com a Suprema Corte e seu presidente, César Julio Valencia, por causa das investigações.

O envolvimento da família Uribe com paramilitares e o narcotráfico já era denunciado há anos. Na década de 1980 o pai do atual presidente ligou-se com chefões dos cartéis de Medellin, em especial os Ochoa e Pablo Escobar. Virginia Vallejo, ex-amante de Escobar, afirmou no seu livro Armando Pablo, Odiando Escobar que o pai de Uribe, como diretor da Aeronáutica Civil, assinara dezenas de licenças para favorecer aviões de narcotraficantes (saiba mais sobre o livro AQUI).

Published in: on abril 25, 2008 at 12:28 pm  Deixe um comentário  

A festa republicana de Hillary Clinton

Porque os republicanos festejam, desde terça-feira à noite, a vitória da senadora democrata Hillary Clinton na Pensilvânia? Antes da votação, segundo a rede Fox News (do magnata bushista Rupert Murdoch), assessores do senador republicano John McCain confessaram que torciam entusiasticamente pela vitória dela. E o conspícuo Rush Limbaugh, apresentador de talk shows de rádio, foi mais longe (veja AQUI como o site dele comemorou o sucesso de sua Operação Caos).

Como Limbaugh é pouco conhecido fora dos EUA, uma vez tentei entrevistá-lo. Ouvi então, de sua secretária, que se recusava a falar à imprensa estrangeira. A influência dele no país continua a ser grande, em especial no Meio-Oeste e no Sul, mesmo depois de ter sido pilhado num escândalo de drogas (painkillers) compradas com receitas falsificadas (alegando estar viciado, submeteu-se a tratamento médico especial).

Os livros de Limbaugh são best sellers, como também alguns dos que expoem as bobagens e disparates ditos por ele – como o do humorista Al Franken, “Rush Limbaugh é um gordão idiota” (saiba mais AQUI sobre o livro de Franken). A audiência de seu programa diário em centenas de emissoras de rádio do país batia recordes e em 1994 o Partido Republicano atribuiu a ele a vitória histórica que lhe deu o controle da Câmara e do Senado.

Entre o patriotismo e o racismo

Em 2008 Limbaugh, desapontado com um McCain sem afinidade com a direita evangélica, abraça Hillary momentaneamente – contra Barack Obama, que costuma chamar de “Hussein”. Meteu-se na disputa dos democratas e recomenda a republicanos que se registrem no partido rival, votem em Hillary e depois voltem (veja AQUI a explicação dele à Fox sobre o voto em Hillary). A grande façanha dela, segundo diz, é ter colocado Osama bin Laden em seus comerciais.

O estrategista Karl Rove, que dirigiu as campanhas de Bush em 2000 e 2004, disse ontem à Fox News que aquela ajuda de Limbaugh pode ter sido decisiva na Pensilvânia, pois ela teve forte votação nos distritos que deram a vitória a Bush nesse estado contra Kerry. Assim, o segredo de Hillary, para ganhar, pode ter sido o ataque macarthista a Obama, retratado como antipatriota e aliado de Bin Laden.

Escrevi antes que nos dois meses finais da campanha (setembro-outubro) o risco é ele ser derrotado pelo racismo ou ela pela misoginia. As primárias da Pensilvânia podem ser vistas nesse contexto. Hillary caiu na armadilha: em desespero aderiu à tática do medo, a mesma de Bush e Joe McCarthy, ligando-o até a Bin Laden. E o eleitor branco fica à vontade: finge ter votado por patriotismo e não por racismo. E na eleição de novembro McCain ganha.

O terrorismo e a política do medo

A Fox News e a CNN explicaram, na cobertura, terem evitado fazer projeções precipitadas do resultado com base nas pesquisas à saída da votação. No passado elas eram confiáveis, agora não. Isso porque muitos eleitores brancos, com medo de serem vistos como racistas, dizem ter votado em Obama – mesmo tendo votado contra ele. Outro detalhe: a Fox News foi a primeira a declarar Hillary vencedora.

A CNN só confirmou sua projeção 20 minutos depois, apesar de saber que o atraso prejudicaria sua imagem (a concorrente Fox News fez piada ao transmitir do QG de Hillary: “Não há comemoração ainda, talvez por terem sintonizado o canal errado”, disse o apresentador). Em Nova York tanto a Fox como o New York Post deram apoio a ela, que ainda recebeu doação em dinheiro de Murdoch, dono dos dois (na disputa republicana, claro, apoiaram McCain).

Estará a ex-primeira-dama exagerando na aposta macarthista? Talvez seja só o que lhe resta. Antes do empurrão de Rush Limbaugh ela também já seguira um conselho público dado na mesma Fox por Bill Kristol, notório neoconservador e primeiro a exigir, na capa da revista Weekly Standard (veja ao lado uma capa bem típica), a invasão do Iraque. Dissera ele, antes das primárias de Ohio e Texas: “Recomendo a Hillary a política do medo. Tem de dizer que Obama está despreparado para combater o terrorismo”.

Foi o que ela fez. Desde então insiste na política do medo, gerada pelo 11/9, como meio de provar que é patriota e durona como Bush, embora mulher. Daí ter ido tantas vezes ao Afeganistão e ao Iraque. Limbaugh, por sua vez, encantou-se com a ameaça dela de “obliterar” o Irã se Israel for atacado (leia AQUI a notícia no jornal israelense Haaretz sobre a declaração dela). E ainda pelo fato de ter ela incluído Bin Laden num comercial de TV – a primeira vez que um candidato democrata recorreu a isso.

Aquela culpa por associação

Mas os ataques a Obama, na linha patrioteira pos-11/9 do governo Bush, tornaram-se sistemáticos – e contam com a ajuda da mídia. No mais recente debate democrata, na rede ABC (e tendo como anfitrião George Stephanoupolos, porta-voz da Casa Branca no governo Clinton), ele foi intimado a explicar por que não usava a bandeira na lapela (leia o que o marqueteiro bushista KARL ROVE disse sobre a exploração disso na campanha) e a dar explicações sobre pessoas que o apóiam.

Recorre-se à culpa por associação, expediente macarthista do período da caça às bruxas. Obama tem de responder por coisas ditas pelo ex-pastor da igreja que freqüenta. Pedem a ele satisfação pela presença na Venezuela, ao lado de Hugo Chávez, do cantor negro Harry Belafonte. E exigem que se distancie do vizinho Bill Ayers, que integrou o grupo radical Weather Underground na década de 1960.

Os desvios dos Clinton são estranhos se for lembrado que na campanha de 1992 o candidato Bill Clinton minimizou questionamentos parecidos – sobre sua fuga ao serviço militar e protestos de que participara contra a guerra do Vietnã. Mas o casal sempre buscou empurrar os democratas para a direita. E foi essa uma das razões que levaram gente como Ralph Nader a deixar o partido, parecido demais com o republicano.

Published in: on abril 24, 2008 at 1:33 pm  Deixe um comentário  

A ONU e as prisões dos EUA no Iraque

Em carta aberta aos membros do Conselho de Segurança da ONU, que se reúne no próximo dia 28 para discutir o Iraque e analisar um relatório dos EUA sobre a MNF (a Força Multinacional liderada pelo Exército americano), a FIDH (Federação Internacional pelos Direitos Humanos) e o Fórum de Política Global denunciaram o confinamento de quase 25 mil pessoas em campos de internamento.

“Conclamamos o Conselho a exercer supervisão efetiva e confiável do mandato a cargo da MNF”, afirma a carta, assinada por Souhayr Belhassen, presidente da FIDH, e James A. Paul, diretor executivo do Fórum Global. Eles chamam atenção em especial para “as detenções e internamentos extrajudiciais de grande número de iraquianos pela MNF”.

Segundo o mais recente relatório sobre a situação de direitos humanos, elaborado pela própria Missão de Assistência da ONU no Iraque (UNAMI), no final de 2007 a MNF (integrada pelas tropas estrangeiras que invadiram e ocupam de fato o Iraque desde a invasão liderada pelos EUA em março de 2003) estava mantendo o total de 24.661 pessoas em confinamento.

Sem saber do que se defender

Os detidos estão especialmente em duas “instalações de confinamento” operadas pelos EUA: Camp Cropper, perto do aeroporto de Bagdá, onde se encontram 4 mil pessoas; e Camp Bucca, ao sul, perto de Um Qasr, onde os presos são cerca de 20 mil. Segundo a carta aberta, aparentemente ainda há mais pessoas mantidas temporariamente em instalações locais, inclusive bases avançadas de operações.

Camp Bucca, talvez o maior campo de internamento extrajudicial do mundo, está localizado no deserto e é organizado em complexos que abrigam, cada um, 800 detidos, rodeados de cercas e torres com guardas. Muitos prisioneiros vivem em enormes tendas, às vezes afetadas por suprimento deficiente de água. Durante o dia o calor é insuportável e à noite o problema são as tempestades de areia.

Há informações sobre abusos praticados pelos guardas contra os detidos e a própria MNF faz relatórios regulares registrando mortes naquelas instalações. Na maioria esmagadora dos casos, não se sabe do motivo real do confinamento. Em geral eles foram detidos sem mandado e ali permanecem sem serem acusados de nada. Também não têm a oportunidade de se defenderem num tribunal.

“Surge” agravou as condições

A MNF alega adotar um procedimento formal de revisão dos casos, mas não cumpre as regras básicas de justiça determinadas por instrumentos jurídicos internacionais. Essa, pelo menos, é a conclusão vigorosa a que chegaram relatórios tanto da UNAMI como de organizações não governamentais (ONGs) dedicadas à defesa dos direitos humanos.

Além disso, a MNF não permite que as entidades de defesa de direitos humanos visitem ou monitorem as instalações. Seria importante, segundo assinala a carta aberta da FIDH e do Fórum Global, saber se a UNAMI tem permissão para fazer tais visitas e, se for esse o caso, quais têm sido as conclusões.

O detalhe revelador registrado pela carta aberta é que a multiplicação dramática das detenções ocorreu durante o período do chamado Plano de Segurança de Bagdá – o “surge” (reforço de tropas) proposto pelo general David Petraeus como receita mágica para reverter a desastrosa situação do país. O número de detidos subiu de 13.500 no final de 2006 para 24.700 no final de 2007.

Esse aumento de 70% em apenas 12 meses levou à superpopulação de detidos e ao agravamento das más condições. Informou-se no final de outubro de 2007 que o Corpo de Engenheiros do Exército americano estava contratando uma firma para ampliar de 20 mil para 30 mil a capacidade do Camp Bucca.

Irregularidades generalizadas

Segundo a UNAMI, no fim de 2007 o governo do Iraque mantinha ao todo 26.472 prisioneiros, o que elevava o número total no país a 51.133 – sem incluir os que são mantidos pelas Forças Asayish no Curdistão e outros presos em unidades militares para as quais não se dispõe de números. Certos progressos institucionais reduziram as anteriores fontes de abuso, mas a UNAMI diz que o sistema judicial é sufocado pelo grande aumento no número de detidos.

Alguns dos que são mantidos nas instalações iraquianas foram condenados por crimes, mas muitos outros estão presos sem qualquer acusação, extrajudicialmente e por tempo iliminado. Alguns foram julgados, considerados inocentes e mesmo assim são mantidos presos indefinidamente. E muitos foram condenados em julgamentos sem os mínimos padrões de legalidade.

Nas instalações superlotadas não há condições sanitárias e de higiene adequadas. O relatório mais recente da UNAMI referiu-se ainda a informações sobre torturas rotineiras e maus tratos de presos nas instalações iraquianas. Mulheres e jovens entrevistadas pela missão da ONU contaram terem sido espancadas, estupradas e abusadas sexualmente enquanto estavam em poder da polícia.

Published in: on abril 23, 2008 at 12:56 pm  Deixe um comentário  

O neomacarthismo de Hillary Clinton

A senadora Hillary Clinton já prometeu que, qualquer que seja o resultado das primárias de amanhã (na Pensilvânia) e do dia 6 (na Carolina do Norte e Indiana), continuará a pentelhar até a convenção nacional de 28 de agosto, mesmo estando inferiorizada na votação popular, no número de vitórias nos estados (ganhou menos da metade) e no número de delegados já comprometidos com candidatos.

Se meia dúzia de cálculos matemáticos mostram ser praticamente impossível ela inverter o rumo e derrotar o rival e se até o presidente do partido, Howard Dean, já alertou contra o desgaste que os democratas sofrem por causa do atual impasse, porque ela insiste? Como tenho repetido desde sua derrota esmagadora na Super Terça-Feira (5 de fevereiro), no fundo é tentativa desesperada de virar a mesa e ganhar no tapetão.

Quinta-feira, 18, Dean repetiu a advertência na CNN. “Não podemos abrir mão de dois ou três meses de campanha ativa e tempo para curar as feridas”, disse ele a Wolf Blitzer. “Temos de saber quem é o nosso candidato”. (veja AQUI, no blog Political Ticker da CNN).Mas os Clinton costumam pensar apenas nos próprios interesses. Preferem dar uma banana ao partido – como em 1994-96, quando Bill ganhou a Casa Branca e o partido perdeu as duas casas do Congresso.

O rumo do senador McCarthy

Hillary parece convencida de que se insistir na sua batalha pessoal para difamar e desconstruir Barack Obama, ainda que para tanto recorra ao jogo habitual dos truques sujos dos adversários republicanos, conseguirá dobrar certo número de superdelegados – aqueles dirigentes e figurões do partido que não estão obrigados a acompanhar a tendência do eleitorado democrata, podendo até invertê-la.

Obstina-se a senadora em golpear o rival com acusações de impatriota (por não usar bandeirinha na lapela, como Bush), subversivo simpático aos terroristas (pelo tom emocional do ex-pastor de sua Igreja, na denúncia das malfeitorias dos EUA pelo mundo) e até elitista (por lamentar os que, frustrados ante o desemprego, odeiam imigrantes, abraçam o fanatismo religioso e adotam o culto às armas).

Diferentes estereótipos a que sempre recorreram republicanos destemperados, como o senador Joe McCarthy, para difamar liberais democratas e às vezes ir ao extremo da caça às bruxas, tornaram-se instrumentos de Hillary na obsessão de manter sua campanha até a convenção. Antes, paradoxalmente, ela era hostil ao lobby das armas , rejeitava os excessos evangélicos e defendia os imigrantes.

Hillary parece acreditar que ao baixar o nível em ataques desse tipo ao rival (ou seja, com os mesmos truques sujos dos republicanos) será capaz de convencer superdelegados – que podem mudar o voto se e quando assim o desejarem – de que Obama seria vulnerável, em setembro e outubro, a ataques iguais do partido adversário. Mas o tiro dela pode estar saindo pela culatra.

Perdendo votos para Obama

Exemplo eloquente é o do conspícuo governador (do Novo México) Bill Richardson. Ele serviu em vários postos (inclusive o de embaixador na ONU) nos dois mandatos do presidente Clinton mas decidiu mudar para Obama o voto que antes tinha prometido à senadora Hillary. Outros superdelegados mais ou menos notórios estão fazendo a mesma coisa.

O assunto mereceu ontem (domingo) uma reportagem assinada por Mark Leibovich no New York Times (leia AQUI). O autor cita ainda outros ex-integrantes do governo Clinton, entre eles o economista Robert Reich, professor da Universidade de Harvard que serviu como secretário do Trabalho. Apesar de comprometido anteriormente com Hillary, na última sexta-feira ele mudou seu voto de superdelegado para Obama.

Também tinha sido prometido a Hillary mas migrou agora para Obama o voto do advogado Greg Craig, um dos defensores de Clinton na saga do impeachment; e ainda o de Anthony Lake, ex-conselheiro de segurança nacional na Casa Branca de Clinton. E Hillary trabalhou muito para ter os votos de dois novos senadores, Bob Casey (da Pensilvânia) e Amy Klobuchar (Minnesotta), mas ambos afinal definiram-se por Obama.

O veterano senador John D. Rockefeller IV (Virgínia Ocidental) e a menos conhecida Claire McCaskill (Missouri) também ficaram com Obama. McCaskill recebera apoio dos Clinton em esforço de arrecadação de fundos para sua própria campanha; em 2006 ela deixara Hillary irritada ao explicar na TV que achava Bill Clinton um grande líder mas preferia “não ver minha filha perto dele”.

Os esqueletos no armário

O advogado Craig, ex-colega de faculdade de Hillary, chegou a dizer a Jonathan Alter, da Newsweek, que “se a campanha de Hillary não consegue manter Bill sob controle, como a Casa Branca de Hillary poderia conseguí-lo?” Ainda segundo o Times, os Clintons estão especialmente desapontados com a deserção também de superdelegados menos conhecidos, que deviam favores ao casal.

Depois dessa debandada de superdelegados, o que ainda poderia salvar Hillary? Não acho impossível nesse quadro uma escalada no neomacarthismo dela. No último debate na ABC, por exemplo, a senadora deitou e rolou ao lado dos apresentadores (Charles Gibson e o ex-secretário de imprensa de Clinton, George Stephanopoulos) que questionaram durante 45 minutos o patriotismo de Obama (veja AQUI como o Daily Telegraph de Londres considerou o debate “hostil a Obama”).

Essa é a linha que Hillary já vinha adotando, ao sugerir que havia “esqueletos no armário” de Obama. Um exemplo é o casal Bill Ayers-Bernardine Dohrn, ativistas do grupo radical Weather Underground na década de 1960 (conheça a história dos dois NESTA REPORTAGEM do Washington Post). Vizinhos de Obama, eles trabalham hoje em reforma educacional e justiça juvenil – um esforço meritório, elogiado até por conservadores. Mas para golpear o rival Hillary tenta reviver o radicalismo deles.

Published in: on abril 21, 2008 at 2:49 pm  Comments (1)  

A receita de Bush para os vizinhos

A propósito das atuais relações promíscuas dos EUA com a Colômbia uribista, vale a pena voltar ao que o presidente Bush espera do chamado “sistema inter-americano”. Em janeiro de 2005 ele prometeu apoio a grupos em luta contra governos não submissos a Washington, na esperança de livrar-se de líderes incômodos como o venezuelano Hugo Chávez, para não falar do haitiano Jean Bertrand Aristide, que o governo Bush tirou do poder em Porto Príncipe e levou à força para a África (a trama dos EUA foi citada AQUI, numa análise do COHA, Council on Hemispheric Affairs).

Na reunião da OEA em Fort Lauderdale, há quase três anos, os EUA tentaram até ditar um pacote de normas para outros cumprirem no continente, a pretexto de democracia. Foi quando apresentaram a proposta criando mecanismo destinado a “monitorar as democracias” na região e foram derrotados pelo resto dos países, liderados pelo Brasil. O chanceler Celso Amorim denunciou os “mecanismos intrusivos” e a idéia foi enterrada sem choro nem vela (leia AQUI a cobertura do site da CNN na época, destacando o papel de Amorim).

No episódio grotesco de Fort Lauderdale, o subalterno Roger Noriega lançou o balão de ensaio (Bush e a fiel escudeira Condoleezza Rice só chegaram depois, fingindo não saber de nada). Foi repudiado com indignação até pelos “Amigos da Carta Democrática Inter-Americana”, grupo patrocinado pelo Centro Carter. O governo Bush deixara deliberadamente de definir as coisas direito, mantendo aberta a porta para a ingerência ostensiva dos EUA nos negócios internos de outros países.

A democracia e os terroristas

O clima daquela reunião da OEA (haveria palco mais apropriado para aquilo do que a Flórida?) estava longe de ser exemplo democrático. Os manifestantes eram mantidos à distância para não serem notados pelas delegações e, menos ainda, pela mídia. A cidade vivia ambiente de guerra, com “check points” em toda parte. Haitianos protestavam na rua, longe dos jornalistas, exigindo a volta do presidente que elegeram e os EUA derrubaram.

Havia protestos visíveis para a mídia – contra Cuba e Fidel Castro. Afinal, estávamos no estado americano com a maior concentração de exilados cubanos no mundo. Mas o personagem que acabou por passar ao primeiro plano não foi Fidel e sim o terrorista Luis Posada Carriles, que os cubanos de Miami e adjacências consideram herói, juntamente com outro terrorista, Orlando Bosch. Essa dupla explodiu em 1976 um avião cubano de passageiros, assassinando 73 civis inocentes.

Posada e Bosch fizeram terrorismo a vida inteira. Hoje vivem aposentadoria de luxo em Miami, sob a proteção do governo Bush. Em entrevista ao New York Times em 1998, Posada relatou com orgulho à jornalista Ann Louise Bardach suas façanhas terroristas. As últimas foram ataques a hotéis em Cuba, um dos quais matou um turista italiano (conheça os detalhes AQUI, contados por Bardach ao programa “Democracy Now!”, de Amy Goodman). De volta aos EUA em 2005, deu entrevistas e foi preso de mentirinha. Libertado depois, já circula agora livremente, apesar da extradição dos dois ser reclamada por Venezuela e Cuba. É o perfeito retrato da guerra imaginária de Bush ao terrorismo.

Um passado que condena

A OEA sempre pareceu perfeita para as tramas dos EUA contra países do continente. No passado recente foi instrumento rotineiro da política externa dos EUA. Criada em 1948 na Colômbia, à sombra do Tratado Inter-Americano de Assistência Recíproca (TIAR), firmado em 1947 no Rio de Janeiro como parte do realinhamento decorrente da guerra fria, servia para respaldar posições dos EUA, à base do suborno de ditadores corruptos e da intimidação de governos fracos.

A organização assistiu, passiva, a invasões americanas de países do continente (Guatemala, Cuba, República Dominicana, Granada, Panamá) e golpes militares instigados de Washington, abertamente ou não. O pretexto era então a “ameaça comunista”, mas até especialistas dos EUA em América Latina, como o ex-embaixador William D. Rogers, chegaram a sugerir que o melhor seria por fim em definitivo à manipulação indecente de Washington e deixar a OEA ser só dos latino-americanos (leia AQUI, na nota 44 da página 14 deste documento a opinião inequívoca de Rogers).

Quando a OEA se reuniu no Brasil, meses depois do golpe militar de 1964 (apoiado pelos EUA), o escritor Otto Maria Carpeaux, austríaco de nascimento, brasileiro por adoção, ofereceu uma definição adequada da organização: “é uma reunião de 20 aleijados e um atleta”. Desde então os aleijados ficaram mais numerosos. São 33, agora menos submissos ao atleta, cuja prepotência não mudou. E com Bush os EUA se arvoram ainda em juiz de democracias.

Fora a democracia bushista

Resta saber até onde países-membros da OEA, cujo perfil tornou-se diferente, ainda aceitam prestar-se ao papel melancólico do passado, quando se submeteram à expulsão de Cuba imposta pelos EUA. E quais ousam desafiar o vizinho prepotente. Hoje há um aliado de Cuba, que denuncia o governo Bush, e um punhado de países fartos dos abusos do “Irmão Grande”. Países com peso no continente, entre eles o Brasil, repudiam a ingerência passada.

Ainda no seu tempo de assessora de Segurança Nacional, antes de virar secretária de Estado, Condoleezza Rice disse – em seguida ao fracassado golpe (encorajado pelos EUA) contra Chávez na Venezuela – que não basta um presidente ser eleito pela maioria da população para o governo ser considerado democrático. Depois disso, Chávez foi de novo eleito, reeleito e ratificado por referendos, mas Bush, beneficiário de eleição fraudada grosseiramente na Flórida, não se impressiona com isso.

Aparentemente Rice e Bush têm sua própria definição de democracia: é um regime que se submete aos EUA. Daí a proposta de “fortalecimento democrático” feita à OEA, criando os mecanismos intrusivos. Caso ela tivesse sido aprovada, supõe-se que mesmo se alguém fosse eleito num país do continente (em eleição de verdade e não como a de Bush na Flórida em 2000) só poderia continuar no poder se organizações não-governamentais controladas por Washington ratificassem a votação.

Published in: on abril 19, 2008 at 10:39 am  Comments (1)  

John McCain e sua causa – a guerra

Beneficiário dos múltiplos tropeços dos demais candidatos potenciais republicanos, o senador John McCain era dado como fora do páreo antes de agosto do ano passado. Ele conhece bem a máquina republicana de destruição de reputações. Foi alvo dela depois de bater Bush nas primárias de New Hampshire em 2000, quando sofreu ataques impiedosos, marcados pela difamação e pelo baixo nível. Mas agora ela trabalha a favor dele. 

Ao contrário de Bush, esse ex-piloto da Marinha lutou numa guerra – a do Vietnã (veja AQUI imagens dele como prisioneiro de guerra, num filme da campanha). Seu avião foi derrubado ao bombardear alvo civil (uma usina termelétrica de Hanói), capital norte-vietnamita. Filho e neto de almirantes de quatro estrelas, só não foi libertado por ter rejeitado o privilégio (“outros esperavam há mais tempo”, disse). Saiu cinco anos e meio depois, sofrendo torturas e até assinando uma confissão, usada na guerra da propaganda.

Em 22 anos como oficial da Marinha, McCain recebeu as mais altas condecorações – Silver Star, Bronze Star, Purple Heart, Distinguished Flying Cross, Legion of Merit. Na política desde 1982 (deputado e depois senador), construiu reputação de reformista independente. Mas na atual campanha só superou os rivais no partido por causa da estratégia do reforço (o surge) de tropas no Iraque.

Atrelado à guerra de Bush

A aposta dele, como a declaração de que as tropas dos EUA devem ficar 100 anos no Iraque, atrelou sua candidatura aos desdobramentos da guerra: McCain depende deles. Eventos traumáticos, ou o descumprimento pelas autoridades iraquianas do calendário de marcos fixados em Washington, na busca da chamada “estabilização”, poderão ser riscos de efeito imprevisível para sua campanha.

Ele conta, no entanto, com ampla simpatia na mídia corporativa. A conduta, os discursos e os escorregões – passados e presentes – de Barack Obama e Hillary Clinton sofrem escrutínio rigoroso nos jornais e na TV, mas os de McCain, tido como cruzado e reformista, são encarados com complacência ou mesmo ignorados. Ao contrário dos dois democratas, é retratado como honesto, coerente e de posições firmes.

A exceção foi a reportagem do New York Times a 21 de fevereiro (leia AQUI e observe a foto da lobista loura e exuberante), referindo-se não só a possíveis impropriedades nas relações dele com lobistas – e uma em especial, com a qual sugeria-se um romance extraconjugal – mas ainda ao fato de ter sido, há 20 anos, um dos “Cinco de Keating”, os senadores acusados de corrupção e ligações com o banqueiro falido e corruptor Charles Keating Jr.

Sobre esse caso (parte do escândalo S&L, poupança e empréstimo, cujo buraco superou US$ 1 trilhão), McCain fez mea culpa (conheça este e outros esqueletos no armário de McCain clicando AQUI), mas hoje “ajusta” e muda posições como os acusados de flip-flops pela mídia, que prefere poupá-lo: condenava os gastos de campanha e o papel dos “interesses especiais”, mas desistiu do financiamento público que defendia. Votou contra os cortes de impostos de Bush; agora é a favor.

Extremismo acima de tudo

Ele é vulnerável no fundamento de sua campanha. “Os extremistas islâmicos radicais são o desafio transcendente do século 21”, diz. “Extremismo”, para ele, está acima de tudo – do novo papel da China e Índia, da resistência à influência americana na Europa, declínio da posição econômica global dos EUA, alienação de partes significativas da América Latina, distúrbios e pobreza na África.

Ao fazer análise nesse sentido, o colunista E. J. Dionne Jr, do Washington Post, observou que McCain ainda terá de explicar o que realmente quer dizer com “desafio transcendente” (leia o artigo AQUI). Significa que em 2100 os americanos vão olhar para trás e afirmar que tudo o mais que aconteceu no século é menor, em comparação com a guerra ao terrorismo declarada por George W. Bush?

Soa mais como ponto frágil do candidato. Mesmo tendo sido crítico freqüente de Bush – em especial das falhas do Pentágono no planejamento da invasão do Iraque -, McCain opta agora por fazer da guerra sua causa maior. Talvez tenha ido mais ao Iraque do que qualquer parlamentar, enaltecendo a dedicação e o sacrifício das tropas, sem repetir as restrições que fazia antes aos erros das autoridades civis da Defesa.

Espaço amplo a ser ocupado

Figurões conspícuos da aventura criticados por McCain – o secretário Donald Rumsfeld, seu adjunto Paul Wolfowitz, o ex-subsecretário Douglas Feith, o ex-chefe de gabinete do vice-presidente, Lewis “Scooter” Libby – deixaram o palco enquanto a guerra derrubava os índices de aprovação do governo, punido na eleição de 2006 com a perda da maioria nas duas casas do Congresso.

Mas a causa de McCain – a pretexto de “desafio transcendente do século 21” – passou a ser a guerra. Os militares do Exército, Marinha e Força Aérea preferiam o candidato Ron Paul, único republicano contrário à guerra. Segundo o Center for Responsive Politics (conheça AQUI o site do CRP), de Washington, Paul recebeu US$ 212 mil em contribuições deles; o segundo na preferência foi Obama (US$ 94 mil). McCain ficou apenas em 3º lugar.

Se os militares, que lutam a guerra, preferem os que se opõem a ela e defendem a retirada de tropas, o candidato republicano já praticamente indicado, sem qualquer apetite para os dados da economia, não tem outra bandeira além da guerra – e quer as tropas 100 anos no Iraque. Esse é o espaço amplo a ser ocupado pela oposição democrata depois de vencidas as escaramuças Obama-Hillary.

Published in: on abril 18, 2008 at 3:46 pm  Deixe um comentário  

Nem jogo sujo esvazia Obama

Embora difícil de acreditar, foi o que aconteceu: a senadora Hillary Clinton apostou tudo na sua nova esperteza contra Barack Obama e foi acompanhada pelo próprio candidato republicano John McCain, mas os eleitores democratas ainda preferem acreditar no senador negro como mais “elegível”, ou seja, o mais capaz de ganhar a Casa Branca para o partido da oposição em novembro.

Segundo o resultado da nova pesquisa da rede ABC com o jornal Washington Post, anunciado ontem, Obama é favorecido numa margem de 2 por 1: 65% o acham mais elegível, só 31% acham Hillary (veja AQUI a análise no website da ABC). A mudança é dramática, pois a vantagem em elegibilidade era dela até fevereiro – então de apenas cinco pontos percentuais, depois de ter sido esmagadora até novembro do ano passado.

Outro detalhe surpreendente na pesquisa ABC-Post também é problema grave para a campanha dela, talvez resultante dos ataques crescentes de Hillary a Obama: entre todos os americanos, 58% agora a vêem com desconfiança e suspeitam de sua honestidade. É um aumento de 16 pontos percentuais sobre o número de dois anos atrás. Nessa questão Obama está 23 pontos percentuais melhor do que ela.

Bravatas prejudicam Hillary

A impressão que os números deixam é de que a agressividade de Hillary contra o rival, em vez de melhorar as chances dela, parece tornar cada vez mais difícil uma recuperação da preferência do eleitorado. O efeito do último episódio explorado pela campanha dela (as declarações de Obama sobre a frustração dos trabalhadores do Meio-Oeste) já se reflete na pesquisa, pois a sondagem incluiu quinta-feira, sexta, sábado e domingo, quando já estavam no ar os ataques dela em comerciais da TV.

Conforme destacou o Washington Post (leia a análise do jornal AQUI), ela claramente perdeu confiança da maioria dos eleitores, que passou a  vê-la como desonesta. Os esforços dos marqueteiros de Hillary, que a convenceram a reconhecer erros e fazer piadas autodepreciativas, não estão conseguindo reabilitar sua imagem. Apenas 39% dos americanos a julgam honesta e confiável (em maio de 2006 a percentagem era 52%).

Provavelmente também contribuiu para isso o relato de Hillary, na campanha, sobre a visita à Bósnia em 1996, no qual sugeriu – tentando retratar-se como corajosa e destemida – ter desembarcado em meio a balas disparadas por franco atiradores (as imagens reapareceram depois nesta SÁTIRA disseminada pelo You Tube). Assim, só restou à candidata reconhecer publicamente ter cometido um erro e que as coisas na realidade não aconteceram da forma como descrevera antes.

Abandono dos grandes temas

No total, o número de americanos com opinião desfavorável sobre Hillary eleva-se agora a 54% – 14 pontos percentuais mais do que em janeiro. A percentagem de Obama também subiu, mas apenas 9 pontos, para 39%. Essa aferição é considerada a mais básica na avaliação da popularidade de qualquer homem público, político ou celebridade.

Há indícios preocupantes de que o prolongamento da campanha democrata desgasta os dois candidatos. Em geral considera-se o problema grave quando as opiniões desfavoráveis superam as favoráveis. Isso já acontece com Hillary. O número de eleitores democratas (ou independentes inclinados para o partido da oposição) que acham negativo o tom da disputa subiu de 27% (janeiro) para 41% – um aumento de 14 pontos.

Entre os que pensam assim, segundo os analistas da rede ABC, 52% culpam Hillary; apenas 14% acusam Obama (a margem é de 4 por 1). Mas há ainda 25% que culpam os dois da mesma forma. Outra crítica, esta feita pela metade dos eleitores democratas, é de que os candidatos estão discutindo coisas pouco relevantes, em vez de enfrentar os grandes temas, as questões reais.

Na verdade, as posições dos candidatos sobre problemas relevantes, como a economia, a guerra no Iraque, o comércio internacional e o terrorismo, são muito semelhantes. De certa forma isso explica a busca de temas menos importantes, como a exploração pela campanha de Hillary dos controvertidos sermões do ex-pastor da igreja frequentada por Obama, Jeremiah Wright.

Ele derrotaria McCain, ela não

Apesar do ataque de Hillary na questão, 59% das pessoas ouvidas e 72% dos simpáticos ao Partido Democrata aprovaram a maneira como Obama distanciou-se de Wright. Metade dos democratas, mesmo assim, preocupa-se com o que os republicanos ainda farão – em setembro e outubro, fase final da campanha – para explorar o episódio de forma prejudicial ao senador negro.

Já o problema mais recente do desabafo de Obama (sobre os trabalhadores que perderam empregos há 25 anos no Meio-Oeste e continuam revoltados ou frustrados) não teve reflexo significativo no eleitorado. Mesmo assim continua a ser explorado obsessivamente pela campanha de Hillary, o que leva estrategistas do republicano McCain a fazer a mesma coisa.

O problema maior para ela é que 51% dos democratas desejam que Obama ganhe a indicação do partido. Apenas 41% a querem como a indicada. A diferença de 10 pontos percentuais é a maior registrada até hoje. Quanto à fase final, em novembro, a pesquisa indica que será uma eleição apertada. Obama teria 5 pontos de vantagem sobre McCain (49% a 44%, bem abaixo do 52-40 do mês passado). E Hillary perderia por 3 (45% contra 48%), apesar da vantagem que teve em março (50-44).

 

Published in: on abril 17, 2008 at 12:55 pm  Deixe um comentário