A insanidade do jornal “O Globo”

Depois que o próprio presidente colombiano, Álvaro Uribe, enfiou o rabo entre as pernas, pediu desculpas pela agressão ao Equador e jurou não mais reincidir na delinqüência, só restava ao “general” Merval Pereira e ao seu jornal O Globo fazer o mesmo. Mas ambos ainda fingem que, mesmo com a capitulação do valentão amigo dos paramilitares ligados ao narcotráfico, a culpa é da Venezuela.

Merval não se conforma e nem se emenda. Na obsessão de justificar a lambança anterior, ao absolver Uribe a priori e acusar Hugo Chávez (que se solidarizou com o país vítima de agressão covarde), correu atrás de Celso Láfer – o pior ministro do Exterior na história do Itamaraty, perfeitamente afinado com o governo corrupto a que serviu, de Fernando Collor, eleito com ajuda de debate fraudado pela Globo.

Láfer, ressuscitado depois por FHC, é ainda aquele que depois cumpriu ordem do troglodita John Bolton, subalterno do Departamento de Estado, tentando forçar o brasileiro José Maurício Bustani a deixar de ser diretor da Organização (da ONU) para a Proibição de Armas Químicas, cargo para o qual fora eleito por unanimidade. (Sem respaldo da dupla FHC-Láfer, Bustani acabaria derrubado pelos EUA.)

O crime do valentão Uribe

O mesmo Láfer, morto-vivo submisso a um Bolton que sequer teve votos no Senado dos EUA para ser nomeado embaixador na ONU, é a “autoridade” citada pelo “general” Merval em defesa do agressor Uribe. O pretexto dele: resolução da ONU de 1970 diz que “estados-membros devem abster-se de organizar, ajudar, fomentar, financiar, encorajar ou tolerar atividades armadas subversivas ou terroristas para mudar o regime de outro estado ou intervir em suas lutas internas”.

E daí? Entre os propósitos fixados na Carta da ONU (artigo 2, capítulo 1) estão os princípios sagrados que Uribe violou ostensivamente: os estados têm de resolver disputas por meios pacíficos; e nas relações internacionais são proibidos de recorrer à ameaça ou uso da força contra a integridade territorial de outros, a não ser no caso (artigo 51) de reação em legítima defesa a ataque armado (como o de Uribe).

Foi tão explícita a agressão da Colômbia ao violar o território do Equador que o arrogante Uribe sequer ousou articular uma defesa: reconheceu a delinqüência. Seu único aliado é outro governo delinqüente (os EUA) que há muito apóia (com US$8,4 bilhões) o propósito obsessivo dele, isolado na América do Sul, de copiar o exemplo infame das agressões de Israel (também com respaldo dos EUA).

O Globo insiste ainda na posição de antes, quando atacou o papel sereno do governo Lula na mediação e justificou o ataque criminoso com a alegação sobre o computador de Raul Reyes, o líder guerrilheiro assassinado pela força invasora. No laptop “haveria” mensagem a Chávez “provando” ter o presidente da Venezuela enviado US$ 300 milhões às guerrilhas da FARC.

Mais uma mentira bushista

Merval e outros em O Globo, em vez de jornalistas, parecem estenógrafos de Uribe. Ao contrário deles, o correspondente americano Greg Palast da BBC foi à Colômbia, à Venezuela e ao Equador. Perplexo com o papel submisso da mídia dos EUA, onde também proliferam Mervais a repetir mentiras bushistas, escreveu: “Aquilo é Bush quem diz. E Bush recebe a informação de Uribe, bagrinho dele”.

Depois do fato consumado, disse Palast, tentaram justificar a tentativa de criar a guerra na fronteira como meio de deter a ameaça das WMD, “armas de destruição em massa”. Como no Iraque. É versão repeteco, adotada pelos Mervais de O Globo e os da mídia bushista. Eles adotaram a ficção dos US$300 milhões destinados a “terroristas” para a compra de urânio e fabricação de “bomba suja”.

Nem lá e nem cá os Mervais tiveram permissão para ver a “prova”, o tal email do computador mágico. “Presumivelmente – ironizou Palast – as últimas palavras do líder das FARC, antes de morrer, foram: ‘Anotem, minha senha é esta…'” Mas Palast, que só é lido (no Guardian) ou visto (na BBC) em Londres, deixou Bush de lado e foi conhecer o conteúdo real do email misterioso.

“Li as mensagens”, contou. “Obviamente estão em espanhol. Mas eis aqui, em tradução, a parte que menciona algo que pode ter sido interpretado como US$ 300 milhões de Chávez: ‘Em relação aos 300, que daqui para a frente vamos chamar de dossier, os esforços agora avançam conforme as instruções do patrão e do coxo, o que explicarei em nota à parte. Chamemos o patrão de Ángel e o coxo de Ernesto'”.

Hora de cair na realidade

Pergunta Palast: “Onde está Hugo? Onde estão os 300 milhões? E o que vem a ser os 300?” O jornalista americano percebeu que toda a nota está no contexto da troca de reféns com as FARC, na qual Chávez trabalhava na época (a mensagem é de 23 de dezembro de 2007), a pedido do próprio governo colombiano. E o resto do email refere-se, assim, ao mecanismo da troca de reféns.

Segundo Palast, para receber os três reféns libertados Chávez propunha três opções. O plano A era fazê-lo através de uma “caravana humanitária”, que “envolveria a Venezuela, a França, o Vaticano (?), a Suíça, a União Européia, os democratas (sociedade civil), a Argentina, a Cruz Vermelha, etc.”

Quanto ao número 300, sugere: “A troca anterior de presos envolvia 300 deles. A referência pode ser a isso? Quem sabe? Ao contrário de Uribe, Bush e a imprensa dos EUA, não farei conjecturas para criar história fantasmagórica sobre dinheiro gasto por Chávez”. Ao tentar substanciar sua versão, acha Palast, a Colômbia “alegou, sem prova alguma até agora, que o misterioso ‘Angel’ é codinome para Chávez. Só que no texto Chávez é citado sempre pelo codinome… Chávez”.

 

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Published in: on março 10, 2008 at 2:13 pm  Deixe um comentário  

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