![cheneyshoulder_300[1] cheneyshoulder_300[1]](http://argemiroferreira.files.wordpress.com/2009/09/cheneyshoulder_3001.jpg?w=300&h=198)
Apesar de marcar o 8º aniversário das ações terroristas de 2001, o 11/9 de 2009 baixou a bola. Pela 1ª vez a data foi lembrada sem as presenças nefastas, na Casa Branca, de George Bush e Dick Cheney – notórios beneficiários políticos dela, obstinados em manipular o episódio para extremar sua agenda neoconservadora exorcizada atualmente dentro e fora dos EUA.
Duas guerras sem final à vista e milhões de cadáveres depois (entre eles os de mais de 5 mil soldados americanos mortos, 4343 no Iraque e 824 no Afeganistão), os EUA de Barack Obama tentam distanciar-se ao menos da histeria belicista disseminada pela dupla Bush-Cheney. Neste ano 8 do 11/9 conformaram-se com menos exagero nas homenagens às vítimas das ações terroristas.
De Nova York o jornalista Sérgio Dávila enviou para a Folha de S.Paulo um texto que refletia bem o novo clima, mais civilizado, mesmo com a repetição do ritual cumprido a cada setembro desde 2001. Oito anos depois, explicou ele, “ninguém sabe o que fazer com o evento histórico, tanto de maneira literal como figurada” (leia a íntegra AQUI).
O presidente Barack Obama, depois de avisar que não iria ao World Trade Center de Nova York, ficou na capital e participou do ato em homenagem às vítimas do avião lançado sobre o Pentágono (foto acima). Como desta vez o ritual anual na área do WTC foi bem comportado, pode-se ainda fingir que não persistem as teimosas especulações paranóicas sobre suposta cumplicidade do governo anterior.
Os equívocos da guerra ao terror
De tal forma Bush e Cheney exploraram em benefício próprio – e da agenda deles – o episódio traumático de 2001 que ficou difícil convencer críticos mais radicais (do governo, das guerras e da arrogância militar) de que eles nada tiveram a ver com as ações terroristas – simplesmente as abraçaram como pretexto para impor aquilo que em condições normais o país teria rejeitado.
Outra acusação, relacionada ao 11/9, poderia sim – e ainda pode – ser feita ao governo Bush e à facção neoconservadora nele empoleirada graças ao papel preponderante do vice Cheney. Ou por negligência, ou ainda por arrogância, não terá deixado o país vulnerável ao subestimar o aviso grave do governo Clinton sobre a ameaça representada por Osama Bin Laden?
Já havia indícios disso antes mas na véspera deste último 11/9 surgiu mais um depoimento capaz de reforçar a suspeita: a entrevista à rede ABC de televisão de Elie Assaad (foto ao lado), libanês de nascimento e informante durante 13 anos do FBI, Bureau Federal de Investigações (veja um vídeo da entrevista, seguido de outro sobre o 11/9, no final deste post). Sua história de sucesso foi a infiltração em pequena mesquita na periferia de Miami, que em 2006 levou à prisão de sete supostos terroristas.
Assaad relatou o episódio, tido como meritório, ao repórter Brian Ross da ABC (leia o texto de Ross AQUI). Oficialmente, uma operação sting contra “célula terrorista”. Mas contou ainda que o FBI, cultor de tais operações (armadilhas para apanhar muçulmanos ingênuos) o impedira no início de 2001, em Miami, de ir atrás da estrela maior do terrorismo – Mohammed Atta, o saudita que meses depois coordenaria o ataque de 11/9.
“Podíamos ter impedido os ataques”
Assaad queixou-se agora de que teve a chance de desbaratar o complô para seqüestrar quatro aviões e lançá-los contra o World Trade Center de Nova York e o Pentágono na capital, sendo impedido pela política equivocada do FBI, que preferia concentrar-se em operações encobertas (sting) nas quais seus agentes empurravam gente despreparada para o extremismo.
No princípio de 2001 Assaad queria aceitar um convite para ir à casa de Adnan Shukrujumah, cujo pai dirigia a mesquita de Miami. Ali teria conhecido o plano do 11/9. Mas a idéia foi vetada peo FBI, que o mandou evitar a visita e se limitar aos alvos menores, meros terroristas potenciais (ironicamente, hoje o bureau oferece recompensa de US$5 milhões pela captura de Shukrujuman).
Durante a reportagem da ABC o repórter Brian Ross ouviu ainda Richard Clarke, que à época era o especialista em contra-terrorismo do Conselho de Segurança Nacional, na Casa Branca. “Aquilo foi mais um exemplo da maneira como o sistema, antes do 11/9, tinha entrado em colapso”, observou Clarke, autor de Against All Enemies (capa ao lado), o livro que expôs o colapso (e conheça as denúncias dele sobre a desastrosa política anti-terrorista de Bush AQUI, em sua entrevista de 2004 ao “60 Minutes” da CBS).
Se o sistema tivesse funcionado, disse o especialista em contra-terrorismo, “teríamos sido capazes de identificar aquelas pessoas antes dos ataques”. Mas o FBI preferia que Assaad, usando o nome “Mohammed”, atraisse gente simples e oferecesse dinheiro, dizendo-se representante pessoal de Bin Laden, para tarefas específicas em favor da causa islâmica – como explodir bomba na própria sede do bureau em Miami.
Os terroristas que o FBI produz
Assaad contou que ao ser solicitado, logo após o 11/9, a examinar fotos dos 19 sequestradores do avião, reconheceu o líder, Mohammed Atta (foto à direita). “Era a prova de que eu estava 100% certo, tinha de ter ido atrás de Shukrujumah e Atta, como queria. E não dos outros, menores, como mandou o FBI. Fiquei tão enlouquecido que, num acesso, destruí os móveis em minha casa”, contou.
Na queixa de agora o espião disse que o FBI insistia no seu modelo sting. A partir de 1996 Assaad operou em 10 estados do país e no exterior. Os alvos, apanhados em armadilhas, eram sem importância, mas com aquilo o bureau de investigações acreditava que podia mostrar serviços – êxitos aparentes. Só que nos julgamentos os advogados às vezes provavam que os réus eram na verdade vítimas do FBI.
Para a defesa, os réus, desinformados e ingênuos, tinham sido convencidos pelo próprio governo (o FBI), em troca de dinheiro, a cometer crimes. No caso célebre de Assaad, em 2006, os julgamentos de dois réus deram em nada (mistrial) enquanto cinco foram condenados por terrorismo nos demais. Mas Alberto González (foto à esquerda), Procurador Geral no governo Bush (e defensor da tortura), fez elogio público a Assaad pelas sete prisões.
Refere-se a esse caso conspícuo um vídeo obtido pela ABC e mostrado na entrevista do espião do FBI. Ali aparecem os sete fazendo juramentos de lealdade a Bin Laden e recebendo as boas vindas de Assaad à al-Qaeda. Em outro vídeo Assaad conta o dinheiro e o entrega a um do grupo. Obcecado em prolongar a histeria pos-11/9 o governo Bush festejava coisas assim, que prolongavam o estado de medo no país.
E hoje o ex-vice Cheney ainda defende a insanidade das políticas do governo Bush, como se coisas assim, juntamente com as torturas, fossem receita infalível contra o terrorismo.
(Clique abaixo para ver o vídeo da entrevista de Elie Assaad a Brian Ross, da rede ABC, e depois, para ver um vídeo especial sobre o que foi o ataque terrorista ao World Trade Center há oito anos)
É muito interessante notícia do site http://www.rebelion.org sobre o 11/09 e, inclusive, o atentado da Espanha a 11/03. Vale a pena ler em http://www.rebelion.org/noticia.php?id=91207
Caro Argemiro
Passei umas duas semanas longe da internet e perdi este post. Gostaria de advertir sobre a edição, no Brasil, do livro que indicou (Against All Enemies), lançado há alguns anos pela Editora Francis: um vexame. Tradução mal feita; apesar de apresentar o nome da tradutora, nota-se que o estilo da tradução muda de acordo com os capítulos, insinuando um trabalho de vários tradutores diferentes; em algumas passagens fica claro que usaram um software para tradução; claramente não passou por revisão do texto em português pois é possível encontrar erros absurdos que não vou listar aqui por questão de espaço. Mas fica o alerta aos seus leitores. Acho que o livro é muito importante para ter uma edição tal mal tratada. Abs
Olá, Argemiro. Tudo bem? Passando aqui pra te dar os parabéns pelos textos. Por saber utilizar tão bem a palavra para descrever os fatos como eles são, e não como a maioria da nossa “grande mídia” faz: com o sinal trocado.
Lendo o texto sobre o 11/9, queria sugerir uma pauta. Sobre o vôo 93 da United Airlines. Sempre fala-se do “heroísmo” dos passageiros, que o derrubaram. Mas a verdade parece ser outra. Foi simplesmente derrubado por caças da Força Aérea Norte-Americana, por ordens do Bush (eu acho até desculpável, visto o clima de histeria e pânico naquele momento… aquele avião não poderia continuar no ar, sabe-se onde ele pretendia chegar…).
Mais uma grande mentira perpetrada. E as pessoas caem como patos.
Forte abraço!