(Ted Kennedy é o único dos nove filhos e filhas que não aparece acima rodeando o pai Joseph P. Kennedy e a mãe Rose Fitzgerald. Não tinha nascido quando foi feita esta foto do álbum da família)
Aos 77 anos ele era o último dos quatro filhos homens de Joseph P. Kennedy, milionário de passado nebuloso e negócios duvidosos que sonhou em tornar-se presidente. De olho na Casa Branca, o patriarca (na foto abaixo, com os quatro) ajudou a financiar as campanhas do presidente Franklin Roosevelt, que o recompensou com o cargo de embaixador em Londres. Mas Joseph P. cometeu graves erros de avaliação.
Apesar de estar num posto privilegiado para acompanhar o desdobramento dos acontecimentos na Europa e a evolução da ameaça nazifascista, ousou namorar o isolacionismo e ignorar os instintos políticos de Roosevelt em relação ao futuro próximo. Deixou-se levar pela mesmo derrotismo do primeiro ministro Neville Chamberlain, que assinou o pacto de Munique com Adolf Hitler.
Joseph P. continuou embaixador até o final de 1940, quando já começara o bombardeio alemão da Inglaterra. Teve de deixar o cargo e desistir da carreira política depois de declarar a dois jornais, em dezembro, que “a democracia na Inglaterra terminou – talvez a dos EUA também”. Sua aposta política transferiu-se então para o filho Joseph Jr., que se tornou piloto da Marinha em 1942 mas foi morto em 1944 numa missão.
Um presidente e dois senadores
O segundo filho, John Kennedy, também serviu na guerra. Comandou no Pacífico pequena unidade da Marinha (o barco PT-109), atacada por destróier japonês em 1943. Por sua conduta “extremamente heróica” no episódio foi condecorado com a Medalha da Marinha e mais três – muito úteis ao se lançar na política. Em 1946 elegeu-se deputado (reeleito duas vezes), em 1952 senador e em 1960 presidente.
A carreira do terceiro, Robert (Bob), começou como chefe das campanhas do irmão. Em 1952, quando John elegeu-se para o Senado, foi indicado pelo pai ao notório senador Joseph McCarthy, então empenhado na caça aos comunistas do país, para ser assessor jurídico assistente da célebre sub-comissão permanente de investigações – principal instrumento da grande inquisição macarthista.
Renunciou em 1953, mas voltaria no ano seguinte, já então no papel de consultor principal da equipe de advogados que assessorava a bancada democrata na mesma sub-comissão. É que a eleição de 1954 dera a maioria no Senado à oposição democrata, contra o governo republicano do presidente Eisenhower – o que permitiria aprovar no mesmo ano o voto de censura que afinal golpeou o senador McCarthy.
Vocação e apetite pela política
As coisas nunca sairam como o velho Kennedy planejava. Ele queria o filho mais velho na Casa Branca. Joseph Jr. era o orgulho da família, no seu uniforme de piloto da Marinha. Fiel ao pai, também desapontado com Roosevelt e distanciado da política, até ensaiou os primeiros passos no Partido Democrata, declarando-se na convenção nacional de 1940 contrário à candidatura do presidente à reeleição.
Com a morte de Joseph Jr. antes do final da guerra, o pai voltou-se para John – ainda que Bob parecesse o mais fascinado pela política, tanto nas campanhas do irmão como no cargo de assessor no Senado – e mesmo, mais tarde, na sua própria campanha de 1968, interrompida por uma bala assassina em seguida à vitória nas primárias da Califórnia, que poderia levá-lo ao triunfo na convenção de Chicago.
Mas entre os quatro, pode ter sido Edward Moore (Ted) o filho com mais vocação e apetite para a política – mesmo sendo o mais subestimado, talvez porque era o mais novo. A partir de 1962, quando se lançou candidato à vaga do irmão John no Senado, Ted entregou-se à política – a ponto de nunca ter perdido uma eleição e de exercer com aparente prazer até os deveres mais maçantes de um senador.
Na primeira campanha Ted Kennedy foi duramente atacado pelo adversário com o argumento de que, não fosse pelo sobrenome e por ser irmão do presidente, sequer seria candidato. “Se você fosse apenas Edward Moore não estaria aqui” – disse num debate. Aquela eleição era para completar o resto do mandato de JFK – dois anos (ao morrer agora, Ted deixou três anos dos seis anos de seu último mandato).
Bem mais do que esperavam dele
Imbatível em nove disputas seguidas para o Senado, perderia – e desistiria da Casa Branca – no desafio à reeleição de Jimmy Carter em 1980. Mas viveu uma carreira extraordinariamente produtiva, apesar das tragédias pessoais e familiares. Tinha 12 anos quando o irmão mais velho morreu na guerra aos 29 anos. Os outros dois foram assassinados no Texas (1963) aos 46 e na Califórnia (1968) aos 43.
Para viver bem mais do que eles e deixar seu legado na política teve de sobreviver a dois desastres (de avião e de carro). O país deve a ele um conjunto de leis – de sua iniciativa ou resultantes de seu esforço negociador na busca de acordos capazes de superar impasses. Leis marcantes no campo dos direitos civis, da educação, da saúde. Lutou ainda pela reforma do sistema de saúde, meta maior de Barack Obama, cuja candidatura em 2008 recebeu dele empurrão decisivo em momento crítico da campanha.
JFK foi deputado seis anos, senador oito e presidente menos de três. Bob, secretário de Justiça no curto governo do irmão, invisível no período do sucessor Johnson, cumpriu depois apenas três anos e meio do mandato de senador por Nova York. Os 45 anos de Ted, quase um recorde no Senado, foram o dobro da soma dos diferentes mandatos cumpridos pelos dois irmãos. Um feito bem além dos planos do pai.


Graças a isso, o artigo acabou usado para justificar a doutrina Truman (cujo passo inicial foi a ajuda à Grécia e à Turquia, para deter os comunistas), o Plano Marshall que viria em seguida e a criação da aliança atlântica (OTAN, Tratado do Atlântico Norte). E forneceu rationale aos duros. Mas não era a intenção de Kennan, que fez mea culpa em seus livros de memórias, desapontado com os efeitos do que escrevera antes (o da capa ao lado foi o último que publicou, At a Century’s Ending – Reflections, 1982-1995 - mais sobre ele
Ele ainda teve novo período na embaixada dos EUA em Moscou, em 1952, mas breve, de apenas cinco meses (na foto à esquerda, a entrega de credenciais, ao lado de Nikola Shvernik e A.F. Korkin, membros do Presidium do Soviet Supremo). Desta vez como embaixador pleno. Serviu apenas para aumentar seu desencanto com a diplomacia, pois não se entendia com o então secretário de Estado John Foster Dulles, no governo Eisenhower. Amigos e colegas, como o cientista Robert Oppenheimer e outros diplomatas, tornaram-se então alvos do senador Joe McCarthy, sem que Dulles e Eisenhower ousassem defendê-los.

O esforço final de Stimson foi em favor de contato imediato e direto com a Rússia, para se tentar o controle internacional da energia atômica e assim evitar uma “corrida armamentista de caráter talvez desesperado”. Disse ele num memorando a Truman: “Se fracassarmos agora na aproximação com os soviéticos e simplesmente insistirmos em negociar usando ostensivamente a vantagem da bomba-A, isso vai apenas alimentar as suspeitas e a desconfiança”.



controvérsia reaberta nos EUA em 2005, por causa da exposição do avião Enola Gay no Museu Aéreo-Espacial do Smithonian Institution (na foto ao lado o piloto Paul Tibbets acena ao dar partida no avião que levava a bomba Little Boy).
Em 1947 Truman tinha sido específico. Falou que salvara 250 mil vidas americanas. Depois elevou o número a meio milhão. Mais tarde, um milhão. E afinal, “milhões”. Documentos militares só diziam 20 a 60 mil.
Em artigo para a revista Foreign Policy e em outro livro (The Decision to Use the Atomic Bomb) Alperovitz referiu-se há 14 anos a esse reconhecimento de que já participam – às vezes enfaticamente, mas nem sempre – até alguns historiadores ortodoxos. Robert Messer, da Universidade de Illinois, considerou certos documentos (antes secretos, mas já então liberados) “devastadores” para a idéia tradicional de que a bomba era a única maneira de evitar uma invasão.
Stimson não acompanhou Truman no Augusta. Embora encarasse a bomba como master card, defendeu junto ao presidente a idéia – exposta antes pelo secretário Adjunto da Defesa John McCloy (foto ao lado), numa reunião na Casa Branca – de um plano para a rendição japonesa que combinasse a aceitação da permanência do imperador no trono com a ameaça de lançamento da bomba.
Nunca é demais lembrar a resistência de O Estado de S.Paulo (e Jornal da Tarde) à censura – com os versos de Camões, as receitas de bolo e as fotos de flores. É justo lembrar em livro, como fez no 40° aniversário do AI-5, em dezembro do ano passado, o jornalista José Maria Mayrink (veja ao lado a capa de seu Mordaça no Estadão), que viveu aqueles tempos difíceis (mais sobre a mídia e o AI-5
O episódio teve ainda outro herói: Adauto Lúcio Cardoso, jurista da UDN, conspirador no golpe de 1964 e ex-presidente da Câmara (em 1966, até renunciar em protesto pela cassação dos mandatos de seis deputados da oposição), ideologicamente mais afinado com o Estadão do que com Opinião. Nomeado para o Supremo, votara a favor de habeas corpus para Vladimir Palmeira e Darcy Ribeiro. Mas em 1971 aposentou-se, envergonhado com uma decisão que mantivera restrições à liberdade de imprensa.
Um amigo comum do jornal e do futuro presidente, segundo Gasparian (foto ao lado), já tinha assegurado aos Mesquita que o novo governo ia tirar a censura do Estadão. De fato, isso ocorreria em 1975. Mas as vítimas menores – Opinião, O São Paulo, Tribuna da Imprensa, Movimento, etc – continuariam sob censura implacável. Ao confiar em Geisel, a família Mesquita ficou indiferente à sorte dos demais.