(Em recente manifestação de racismo na política do sul, uma assessora da senadora estadual Diane Black, republicana do Tennessee, enviou por email a outros senadores o quadro acima com os 43 presidentes brancos, de Washington a Bush II, seguidos por quadrado negro com dois olhos esbugalhados – Barack Obama. Pouco antes Rusty DePass, autoridade republicana da Carolina do Sul, tinha feito por escrito o seguinte comentário sobre a fuga de um gorila do zoológico: “Tenho certeza de que é um ancestral de Michelle Obama, provavelmente inofensivo”)
Numa decisão quase unânime (8×1) na última semana a Suprema Corte dos EUA manteve intacta a Lei de Direito de Voto que em 1965 estendeu esse direito à população negra do sul (saiba mais AQUI). A lei foi aprovada um século depois do assassinato do presidente Lincoln e da vitória da União na guerra civil gerada pela obsessão da elite branca sulista de não abrir mão da escravidão negra (como, depois, da segregação racial).
Na composição atual da Suprema Corte o bloco conservador tem leve vantagem (5×4). Mas mesmo depois de tantos prefeitos e governadores negros, inclusive no sul, e de já ter o país um presidente negro na Casa Branca, até juízes conservadores do tribunal mais alto ainda vêem racismo, ao contrário de ideólogos do jornalismo da elite branca brasileira, como Ali (“não somos racistas”) Kamel, que negam a realidade.
A nova decisão da Suprema Corte americana foi no caso de um distrito de Austin, Texas, que desafiou a constitucionalidade daquela lei, buscando colocar-se fora de seu alcance – e dos organismos do governo federal. Ao assiná-la há 44 anos, o presidente democrata e texano Lyndon Johnson (na foto acima, fazendo juramento de posse, ao lado de Jacqueline Kennedy, no vôo de volta após a tragédia de Dallas) profetizara que por causa da lei seu partido perderia o sul, até o Texas (mais sobre a lei AQUI).
A vergonhosa herança confederada
Durante os 100 anos seguintes à guerra civil o Partido Democrata, sob o controle da elite branca no sul, tornou-se partido único nos 11 estados que antes formavam a Confederação – situação semelhante à da URSS stalinista. Na prática tirava-se o direito de voto dos negros (com exigências absurdas mas legais naqueles estados, como testes de capacidade inventados para tal fim específico), preservando-se os valores pre-guerra civil (cultuava-se até a bandeira, hoje um símbolo racista).
O que mudou o quadro, em meio ao trauma criado pelo assassinato do presidente Kennedy em Dallas (no Texas, um daqueles 11 estados) foi a aprovação em 1965 da Lei de Direito de Voto. Ela criou, após 100 anos, um novo quadro político nos estados do sul: o Partido Democrata passou a acolher os negros e o Republicano a receber a elite branca (e racista) descontente e inconformada com a nova lei.
Após um período de acomodação os republicanos começaram a superar os rivais democratas nas eleições para presidente, governador, legislativos estaduais e Congresso nos estados que tinham integrado a Confederação escravocrata. Entre 2000 e 2006 praticamente cumpriu-se a profecia de Johnson de que depois da lei os democratas perderiam o sul, mesmo passando a eleger novos políticos negros.
O legislador esperava que certos dispositivos da lei se tornassem desnecessários ao se consumar a correção da anomalia. Seria esse o caso da seção 5, que previa supervisão federal (aprovação prévia do Departamento de Justiça) em quaisquer mudanças legais em oito estados e muitos condados de outros. Com o voto das minorias garantido, seriam restabelecidos os direitos plenos dos estados nesse campo.
A cisão no bloco conservador
Pelo menos dois analistas respeitados – um colunista político do Washington Post, E. J. Dionne, e a professora da Escola de Direito de Stanford, Pamela Karlan, especialista em eleições – acham que
John Roberts (na foto com Bush, que o nomeou), o atual presidente da Suprema Corte, inclinava-se agora a acolher a pretensão de Austin. E o teria feito se o juiz Anthony Kennedy e talvez Samuel Alito, conservadores como ele, não discordassem.
Antes da decisão, segundo Dionne, militantes de direitos civis temiam que a atual maioria conservadora estivesse disposta a usar sua vantagem de um voto na corte para golpear o coração da lei (leia a íntegra de sua análise AQUI). E apesar do recuo ante a discordância, Roberts – a quem coube redigir o voto, cuja íntegra pode ser lida AQUI, com o recurso e o voto contrário de Clarence Thomas – teve o cuidado de deixar em aberto a questão maior, ao “evitar a resolução desnecessária das questões constitucionais” (a frase é dele).
Mesmo reconhecendo os avanços garantidos pela lei de 1965, esse presidente que Bush nomeou com o objetivo de consolidar a virada à direita do tribunal afirmou que aqueles progressos “não constituem justificativa adequada” para manter as atuais exigências de supervisão federal. Para ele, há “evidência considerável” de que “o estatuto deixa de atender às condições políticas atuais”.
Parece implícita a insinuação de que o remédio daquela lei tornou-se obsoleto por inexistirem as condições que levaram o legislador a aprová-la (conheça a opinião de uma republicana sulista ainda mais conservadora AQUI). Mas fatos recentes – dos episódios de racismo explícito na campanha presidencial de 1998, com o próprio candidato republicano repreendendo excessos em seu palanque, a casos de ações ofensivas de políticos do sul – mostram o contrário. E no mesmo sul racista.
O bom exemplo de Earl Warren
Para a professora Karlan, Roberts primeiro tentou, sem conseguir, forjar uma maioria capaz de destruir inteiramente a seção 5 da lei. O que a decisão indica, conforme ela observou em entrevista (citada por Dionne), é que o bloco conservador do mais alto tribunal do país foi incapaz de garantir os cinco votos necessários. Assim, teve de se contentar com uma solução de compromisso.
Essa lei, como ressaltou Karlan, ganhou status emblemático no direito americano como uma das poucas na história a resultar de verdadeira mobilização de massa (aquilo que na certa horrorizaria o atual presidente do STF no Brasil). Golpear-lhe o coração, disse ainda, teria trazido um claro custo político para a Corte Suprema dos EUA. Mas ficou claro que o alto tribunal presta atenção à política (saiba mais AQUI e AQUI sobre a importância que Karlan e outros atribuem a essa lei) .
Dionne observou: “Somos um governo de leis, não de homens. Mas homens e mulheres têm opiniões e orientações filosóficas que não evaporam no dia em que se tornam juízes da Suprema Corte. Pretender o contrário em nada ajudará a preservar nossas liberdades”. Pode ser. Mas se os conservadores impuseram-se tantas vezes, alguns deles, como Earl Warren (foto acima – mais sobre ele AQUI), com período marcante na presidência, tornaram-se liberais na Corte.
(Apesar do “desacordo momentâneo” entre Brasil e AIEA, o diretor geral dessa agência – Mohammed El Baradei, em fim de mandato – conviveu bem com Celso Amorim, citado em boatos no Brasil como atraído pelo cargo dele na ONU)
(Apesar disso, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, acredita ser este um bom momento para EUA e Rússia reduzirem suas ogivas nucleares – leia
Quem acompanha as páginas internacionais sabe que no Iraque, antes da invasão de Bush, a CIA usava a UNSCOM, equipe de inspeção da ONU – primeiro chefiada pelo sueco Rolf Ekeus (até 1997), depois pelo australiano Richard Butler (1998) para espionar. O inspetor Scott Ritter (foto ao lado), ex-fuzileiro dos EUA e veterano da guerra do Golfo, criticou os dois, acusando-os de aceitarem o jogo da CIA (leia mais
Quem dava a entrevista era o embaixador Gregory Schulte (foto à esquerda), que representava os EUA não no Brasil mas na AIEA e outros organismos com sede em Viena (leia entrevista dele
(O anúncio acima, no website Liberty Counsel, convida quem se orgulha de ser extremista de direita a enviar doações pela internet)
Aparentemente os excessos dos talk shows de Murdoch preocupam também alguns jornalistas da casa. A vítima do primeiro dos ataques terroristas, em maio, foi o médico de uma clínica de aborto do Kansas, George Tiller, assassinado por um fanático da direita religiosa (saiba mais 
Para O’Reilly, seus críticos são “odiadores da Fox”: defendem a vítima, indiferentes à sorte de 60 mil fetos supostamente destruídos por Tiller. Ele jurou, ao mesmo tempo, nunca ter usado as expressões ofensivas ao médico. Mas o site Media Matters for America, ativo no monitoramento da mídia, relacionou as datas (foram dezenas) nas quais o dr. Tiller foi acusado daquela forma (confira 
O objetivo maior do DHS fora alertar os departamentos de polícia – e demais órgãos encarregados de fazer cumprir a lei – para a ameaça real do extremismo de direita.
Tratar com leviandade a morte de dr. Tiller e o ataque ao museu em Washington é um risco, como perceberam Smith e Herridge. Os bandos de direita talvez prefiram ser tratados como piada, mas são reais. Mais sensato é não subestimá-los. Até porque, com base naquele alerta do DHS, o grupo Liberty Counsel (conheça-o 

O presidente até chamou seu secretário de imprensa Robert Gibbs e o alto conselheiro David Axelrod para mostrar a semelhança 
Quem está à direita de Colby na foto é seu então adjunto e vice-diretor da CIA, general Vernon Walters, em parte premiado com esse cargo pelos bons serviços prestados em favor do sucesso em 1964 do golpe militar que pôs fim à democracia no Brasil (ele conseguiu também instalar como primeiro dos cinco presidentes dos 20 anos de ditadura, o amigo Humberto de Alencar Castello Branco). Os demais são (não nesta ordem) o secretário-executivo do USIB, representantes dos departamentos de Estado, do Tesouro, do FBI (Justiça), da AEC (Comissão de Energia Atômica), da DIA, da NSA e da Inteligência do Exército, Marinha e Força Aérea.
A coisa funciona mais ou menos assim: alguém (pessoa ou entidade privada, como a o NSArchive) solicita a liberação de papéis e informações (no jargão da espionagem, “desclassificação”), às vezes de décadas atrás, sobre ações ou operações ainda sob a proteção do sigilo. A tendência das agências de espionagem (CIA, DIA, NSA, etc) é sempre dizer um sonoro “não”. Ou porque coisas feitas no passado, mesmo remoto, acabam por gerar questionamentos fundamentados em critérios novos, a partir do que veio depois, ou mesmo porque entre os segredos há ações equivocadas e erros graves de avaliação das próprias agências, que elas preferem esconder do público.
Tais exemplos da CIA, para o NSArchive, indicam que as regras e regulamentos que sustentam o sistema de sigilo permitem às agências de inteligência, em especial a CIA, continuar impondo os padrões estreitos de uma forma irracional. A aparência é de que a comunidade dos espiões ainda mantém, graças às leis em vigor, o poder de impor o véu do sigilo sobre partes relevantes de sua própria história. A promessa de transparência do governo Obama vai esbarrar ainda numa ordem executiva recente, assinada pelo presidente George W. Bush, que praticamente deu poder de veto à CIA sobre as próprias decisões do ISCAP.

Os excessos derramados na semana de despedida me levaram na ocasião a recordá-lo não como a figura heróica e íntegra, mas como o Reagan real, diferente daquilo que ele próprio achava e, claro, do que seus adeptos ideológicos diziam dele.
No terceiro, como o astro de futebol americano George Gipp (The Gipper), da equipe de Notre Dame, disse na cama, segundos antes da morte, a frase repetida à exaustão, anos depois, nas campanhas dele: “Ganhe uma para o Gipper”.
. Mas é dificil acreditar na sacrossanta integridade dele, de que fala com ênfase sua ex-redatora de discursos Peggy Noolan no livro When Character Was King.
Em Firewall, seu livro sobre a investigação do caso (capa ao lado), o promotor especial Lawrence Walsh disse que acreditou nele, pois Reagan de fato parecia esforçava-se para lembrar. Mas era impossível pois já estava com Alzheimer (saiba mais
Mas outras coisas Reagan pode ter tentado convenientemente esquecer durante quatro décadas. Por exemplo, o detalhe de ter sido “dedo duro” do FBI, sob o codinome T-10 (Olivia de Havilland, a amiga que aparece ao lado com ele num fotograma de Santa Fe Trail, fazia a mesma coisa: era a T-9). Entregava nomes de atores que suspeitava de esquerdismo, numa época em que os delatados perdiam o emprego. Em certos casos isso podia gerar tragédias familiares e até suicídios. Só em 1988, numa entrevista à BBC, Reagan finalmente reconheceu ter tido esse papel indecente.
delatar colegas de profissão. Mas se afinal admitiu a verdade também pode ter sido simplesmente porque já tinham sido revelados alguns documentos secretos do FBI, em processos com base na Lei de Liberdade de Informação, sugerindo que de fato ele fora alcaguete. Esse era o verdadeiro Reagan. (À direita, o ator em Cowboy from the Brooklyn)


No caso do cigarro as transnacionais do fumo devem largamente à mídia a façanha inacreditável de ocultar a verdade durante décadas – desde os anos 1940, quando já havia nos laboratórios da indústria provas conclusivas sobre os efeitos devastadores de seu produto. Assim, toda a culpa da indústria tem de ser estendida à mídia, sua cúmplice (com as agências de propaganda), por se vender a ela.
que prejudicava os bebês, ampliando a mortalidade infantil nos países mais pobres.
Tanto em relação à Nestlé como ao cigarro, a cumplicidade da mídia é garantida pelas relações promíscuas da indústria com veículos. Além de embolsar milhões com a propaganda, os veículos ainda suprimem notícias contrárias aos interesses da indústria. E esta, ao se estender a outra área, de alimentos, não deixa de “premiar” com anúncios destes a mídia “compreensiva” com o cigarro, proibido de anunciar.