
Enquanto começa a perder gás a atual operação do conservadorismo republicano bancada pelo império de mídia de Rupert Murdoch (Fox News, etc), agora na obsessão de impedir a aprovação de Sonia Sotomayor para a Suprema Corte, vale voltar à operação anterior, na qual a mesma gente (Dick Cheney, Rush Limbaugh & o resto da turma) acusava o governo Obama de “enfraquecer” o país por repudiar a tortura.
Ironicamente, o golpe de misericórdia contra a conspícua ofensiva extremista liderada pelo vice de George W. Bush veio de personalidades respeitadas da própria área militar. Entre elas, a estrela maior, general David Petraeus (foto acima), o mais alto chefe do Comando Central dos EUA, exaltado pela direita republicana como herói desde que propôs – e liderou – o plano do reforço de tropas (surge) no Iraque.
Quando destaco o império Murdoch não quero dizer que está sozinho em mais essa operação anti-Obama, pois outros veículos da mídia o acompanham. A FAIR (Fairness & Accuracy in Media), uma organização competente no monitoramento da mídia pela esquerda, citou frase do repórter Jonathan Karl, da rede ABC: “Dick Cheney parece estar em toda parte”. Como vice-presidente fora recluso, fugia da mídia, agora tornou-se “o mais visível dos republicanos”. (Leia AQUI)
Mesmo bancado ostensivamente pela mídia Murdoch, Cheney estava em tantos lugares ao mesmo tempo que ficava difícil deixar de vê-lo. A 15 de março na CNN (“State of the Union”), 20 e 21 de abril na Fox News (“Hannity”, foto acima, à esquerda), 10 de maio na CBS (“Face the Nation”), 12 de maio novamente na Fox News (“Your World” – foto abaixo, à direita). Tornara-se inescapável para quem ligasse a TV.
E o tema central dele é sempre a tortura, que rebatizou com um eufemismo enganoso – enhanced interrogation.
Virar a página e voltar aos valores
Outra ironia sugestiva é o general Petraeus ter escolhido exatamente a Fox News de Murdoch para veicular suas declarações contrárias à tortura e favoráveis ao fechamento da infame prisão de Guantánamo. O chefe militar, mesmo tendo dito com todas as letras que os EUA violaram as convenções de Genebra, preferiu não ser explícito sobre qual fora a violação – o que não exigia maior imaginação dos que o ouviram. (Leia ainda AQUI sobre estupro e sodomia entre as vítimas da prisão de Abu Ghrabi)
Escrevendo sobre o assunto no Huffingtonpost.com, popular website político, o ex-capitão Jon Soltz, veterano da operação Iraqi Freedom (nome oficial da invasão do Iraque em março de 2003) reproduziu parte da entrevista de Petraeus a uma das múltiplas louras da Fox News (saiba mais AQUI e AQUI). Ela perguntou (repetindo o eufemismo de Cheney), como o inimigo reagiria se os EUA dissessem que não mais usariam tortura para arrancar confissões. Eis a resposta dele:
“Bem, eu faria outra pergunta. Perguntaria se isso não vai tirar de nossos inimigos um instrumento que já nos derrotou de novo aos olhos da opinião pública. Depois de termos adotado ações que violaram as convenções de Genebra, fomos criticados e com razão. Assim, o importante agora é virar a página e retomar nossos valores, voltar a cumprir e praticar os acordos internacionais que assinamos”.
Petraeus disse mais ou menos a mesma coisa que o presidente Obama afirmara em seu discurso sobre Guantánamo – ou seja, que os EUA têm de voltar a se conduzir conforme os princípios e valores que pregam. Vale a pena ouvir não só a palavra do chefe militar, mas ainda a ginástica posterior (spin, no jargão da Fox News) da loura obstinada em adaptar a palavra de Petraeus à ideologia do império Murdoch (clique abaixo para ouvir parte da entrevista).
“Os nossos erros, desde o 11/9”
A mesma coisa acontece ainda em relação ao fechamento de Guantánamo (Gitmo, codinome produzido pela burocracia do Pentágono, célebre por suas sopas de letras). O general Petraeus defendeu o fim da prisão, com o que até o presidente Bush já tinha concordado. Lembrou ainda que as práticas dessa prisão “foram usadas por nossos inimigos contra nós”. E reconheceu também que os EUA, a partir do 11/9, “cometeram tropeços e erros”.
Guantánamo, para ele, funciona como “uma lembrança persistente” de tais erros. Quando a loura de Murdoch invocou a hipótese com que a Fox tenta obsessivamente aterrorizar os americanos, de que ex-detidos da prisão infame saiam e circulem livremente nos EUA, Petraeus (foto abaixo) respondeu: “Em primeiro lugar, não acho que deviamos ter medo de praticar nossos valores. É por eles que lutamos, são eles que defendemos”.
A solução então, conforme recomendou, é ter confiança no sistema jurídico do país. “Precisamos ter certo grau de confiança de que os indivíduos que conduziram atividades extremas sejam de fato considerados culpados em nossos tribunais e não sejam libertados”. O militar deixou clara sua discordância dos que teimam (como Cheney, que aposta no medo – acrescento eu, AF) em bater nessa tecla ao invés de virar a página.
O retorno à retórica macarthista
Antes mesmo da entrevista de Petraeus a posição de outros militares e ex-militares – dos generais Wesley Clark (foto abaixo, à esquerda) e Paul Eaton a John Shalikashvili, Joseph Hoar e Hugh Shelton, já era essa, inequivocamente. Sem esquecer a resposta contundente dada por Colin Powell a Cheney e Rush Limbaugh. Todos eles tinham deixado claro que o conservadorismo republicano, que há anos se diz porta-voz dos militares, não fala por eles.
Para o colunista Jon Soltz, do Huffingtonpost.com, os republicanos abandonaram “os ideais que tornaram nossos militares fortes”. Nos dias atuais gente como Cheney, que tenta tomar o controle das mensagens, idéias, práticas e políticas do Partido Republicano, deixou de lado os antigos princípios e aliados, não mais opera a partir de posições morais elevadas.
Os excessos patrióticos de Cheney, falcão-galinha (chickenhawk) que fugiu do serviço militar e hoje torce por ação terrorista capaz de provar a “fraqueza” dos rivais democratas na defesa do país, dificilmente ajudarão os republicanos. Ao contrário, correm o risco de derrotar o partido que já foi de Joe McCarthy, zeloso caçador de bruxas que acusava os críticos de traidores e cúmplices do comunismo.
O ex-capitão Soltz concluiu com o testemunho de um veterano da contra-inteligência americana no Afeganistão, Jay Bagwell. Ao condenar a tortura, Bagwell contou ter visto detidos com panfletos que retratavam o que ocorria em Guantánamo, causa da adesão deles ao terrorismo. “Os EUA não podem ser um farol da liberdade, dos direitos humanos e respeito à lei se ignoram a lei internacional”, afirmou (clique na imagem abaixo para ouvir Bagwell).

Apesar da leve vantagem atual para os conservadores, ainda existe certo equilíbrio na Suprema Corte. Mas a juíza Sotomayor (foto ao lado) levaria para o tribunal, além de seus largos conhecimentos jurídicos, uma rica e singular experiência de vida. “É exatamente essa a combinação que o tribunal está precisando encontrar em seu próximo integrante”, declarou o senador novaiorquino Chuck Schumer.
A juíza Sotomayor, na verdade, até já funcionou ao lado do atual presidente da Suprema Corte, John Roberts (como mostra a foto à esquerda). Foi num julgamento constitucional simulado – o Supreme Moot Court – na Universidade George Washington, no verão de 2006. A competição, que atraiu mais de 1500 alunos e membros da faculdade (a maior platéia em 50 anos de história do evento), teve Roberts e Sotomayor como julgadores dos concorrentes (saiba mais
Houve um tempo em que a imprensa ocidental divertia-se com as doenças de governantes russos. A Rússia dominava a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, governada por comunistas que “comiam criancinhas”. No sentido literal do verbo inexistia prova disso; no outro sentido eram abundantes as suspeitas e ações judiciais nos EUA, mas culpando padres acobertados pela Igreja católica – tudo ignorado pela mídia até os dias atuais, quando o acúmulo de indenizações a vítimas de pedofilia abala as finanças do Vaticano.
Há quatro décadas e meia, com 19 anos de idade, Mimi foi estagiária na residência presidencial. Como Monica Lewinsky, teve um romance – ou caso de sexo – com o então presidente. Mas a mídia naqueles dias reverenciava com seu silêncio os múltiplos casos extraconjugais de John F. Kennedy. Ela foi um deles, entre junho de 1962 e novembro de 1963, num total de 18 meses. O romance só terminou com a morte do presidente.
”Trata-se de algo sobre a qual eu gostaria de assumir o controle, ao invés de deixar que qualquer outra pessoa conte meu lado da história”.

Durante anos dizia-se que o único problema dele era de coluna, devido a ferimento sofrido no naufrágio do pequeno barco PT que comandara na guerra do Pacífico. Na verdade esse era um entre múltiplos problemas de saúde – inclusive os intestinais, que datavam da década de 1930. Ele tomou remédios durante anos, muitas vezes por dia. Dallek estranhou ainda não haver entre os registros qualquer referência a Max Jacobson, médico de Manhattan com quem Kennedy fizera tratamento e que mais tarde teve a licença cassada por receitar anfetaminas.

a lua de mel de Obama chegou ao fim e começa um novo capítulo para os republicanos, o do “renascimento”. Mas as pesquisas, uma após outra, mostram exatamente o contrário: o apoio ao partido continua a declinar (saiba mais
O democrata Paul Begala, ex-assessor na Casa Branca de Clinton e atuante há anos nas arenas dos talk shows da TV, deu num artigo, a 13 de maio, a resposta demolidora que o Partido Democrata nunca ousou. “Sr. Cheney, o senhor não manteve o país seguro”, disse ele. “Se 3.000 americanos foram mortos no seu governo, em ataque que devia ter sido evitado, talvez o senhor devesse hesitar em fazer acusação a qualquer pessoa de estar colocando a América em risco”.
Em defesa dos valores fundamentais
do New York Times (foto ao lado – saiba mais sobre ele
então presidente. Mas no artigo de agora acrescentou detalhes novos para um dossiê futuro “sobre como a fase corrupta e incompetente de Donald Rumsfeld no Pentágono custou vidas de americanos e comprometeu a segurança nacional”.
A citação bíblica da foto na capa do dia 3, com a clara intenção de apertar o botão vermelho da emoção religiosa de Bush, era de Josué (1:9). Esta: “Eu já não o ordenei antes? Seja forte e corajoso. Não se deixe intimidar. Não se deixe desencorajar, pois o Senhor seu Deus estará em sua companhia onde quer que vá”. (Inclusive, para atolar no pântano – ironizou o relato de Rich).
Cada um tem o paladino da moralidade pública que merece. O da Veja, como todo mundo sabe (até por ter sido exaltado numa capa histórica da revista em plena campanha eleitoral – veja a foto abaixo, à esquerda), é o deputado Fernando Gabeira, apoiado em 2008 por tucanos e demo-pefelês. Mais sugestivo é o que faz nos EUA a direita republicana. Zelosa na defesa de seus princípios religiosos, adotou como mascote a bem dotada jovem da foto à direita, que alia às curvas uma sólida formação cristã.
No desdobramento, a própria Carrie resolveu prolongar ao máximo seus 15 minutos de fama (conheça mais detalhes
Detalhe: Trump estava meio foragido havia três meses. Reapresentava-se à mídia pela primeira vez desde que tinha estourado seu mais recente caso de vigarice explícita, o Ocean Resort Baja. Embolsara dezenas de milhões de dólares de 69 incautos – gente que tinha comprado unidades desse condomínio de luxo, cuja construção, na cidade de Tijuana, na fronteira do México, nunca chegara sequer a ser iniciada (saiba mais
A encenação de Trump (na Trump Tower de Nova York) cuidou de cada detalhe. Como um sacerdote da moralidade pública ele absolveu os pecados da doce Carrie, sem impor sequer a penitência de uma Ave Maria. Abraçaram-se os dois diante das câmeras da Fox News e ela conservou a coroa de rainha da beleza do glorioso estado da Califórnia (saiba mais
Será a combinação de hipocrisia e exibicionismo a receita ideal para as estrelas da política? A pergunta é válida para os irmãos do norte e também para nós. Afinal, hipocrisia e exibicionismo são matéria prima abundante em toda parte. Desconfio de um paladino da ética que compra passagens com dinheiro do contribuinte para os filhos irem à DisneyWorld. Ou que se apresenta à opinião pública como herói que derrubou suposto corrupto – sem explicar porque um ano antes dera seu voto para eleger o mesmíssimo personagem.
Aos que têm reclamado – pessoalmente, por emails e em comentários ao blog – contra a ausência da Tribuna da Imprensa, cujo website desapareceu, creio que a 31 de março, mais de três meses depois da suspensão da edição impressa, aqui vai a esperada notícia. A Tribuna online está de volta desde ontem, respondendo no mesmo endereço eletrônico antigo (
Os leitores que decidirem procurar o Jornal da ABI (é a edição de março de 2009) vão encontrar ainda muito mais coisas, inclusive um destaque especial para os melhores tempos do Pasquim. Primeiro com uma entrevista de Jaguar exatamente naquele padrão que consagrou o jornal – até porque conduzida por Rick Goodwin, que era quase criança quando começou a gravar e, de certa forma, organizar, as entrevistas caóticas do passado, regadas a uísque. E, depois, por uma “lembrança” de Henfil
, com depoimento do filho Ivan Consenza de Souza, alguns de seus melhores cartuns e uma excelente foto na capa, com o título “Henfil para sempre”. Para o acesso à edição em PDF, clique 
”As fazendas industriais de porcos são exatamente como a Wall Street”, dizia o título insólito.

Cheney obstina-se, ao contrário, em estreitá-lo com o expurgo de infiéis. Aposta numa purificação duvidosa. Sonha com uma espécie de volta ao extremismo macarthista.



Enviada da cidade de La Gloria, no México, onde fica uma grande fazenda industrial de criação de porcos, a reportagem de Steve Fainaru, da editoria internacional do Post, referiu-se às denúncias feitas há anos por comunidades afetadas por unidades como aquela, sobre os efeitos das “lagoas” de excremento e urina, de mais de um milhão de porcos, que contaminam os lençóis freáticos da região (leia a íntegra
inventaram para a gripe um nome novo – e neutro – para distanciá-la dos porcos.
é estranho ter ficado fora da maioria da mídia. Em especial aquilo que já era sabido sobre a companhia Granjas Carroll de Mexico, dona das fazendas de porcos – e subsidiária da transnacional americana Smithfield Foods (saiba mais sobre ela
Santayana citou declaração do deputado mexicano Atanasio Durán, segundo a qual as Granjas Carroll foram expulsas de dois estados americanos, Virginia e Carolina do Norte, devido aos danos ambientais que causavam. A salvação para elas foi o NAFTA, Acordo de Livre Comércio da América do Norte. Graças ao tratado, as Carroll transferiram-se em 1994 para o México, com apoio do governo local.
Crisóstomo acha que “não se pode negociar com a saúde das pessoas”.