Este blog começou há um ano, de uma forma despretensiosa e quase clandestina. Para ser preciso: no dia 13 de dezembro de 2007. A iniciativa foi um tanto doméstica, não me animei no princípio a comunicar nem aos amigos próximos. Sequer sabia se seria viável, devido aos meus compromissos do dia a dia. Tive a idéia ao visitar o blog de um amigo peruano que admiro há anos.
Além de jornalista com larga experiência, Juan Gargurevich (foto ao lado) é um respeitado professor de comunicação e um dos principais historiadores do jornalismo em seu país. Ficamos amigos depois de nos conhecermos numa viagem internacional – para um Congresso de Jornalistas. Nos reencontramos depois, meia dúzia de vezes em outros tantos países. Além disso, ele costuma viajar ao Brasil (para seminários) e eu estive umas duas vezes em Lima, na sua casa.
Juan publicou umas duas dezenas de livros (saiba mais AQUI) – o último deles em 2005, sobre os passos iniciais do escritor Mario Vargas Llosa, aos 15 anos de idade (1952) na carreira de jornalista (veja a capa abaixo, à direita), no jornal La Cronica, onde começou a nascer o livro Conversación en la Catedral, muito conhecido hoje em toda a América Latina.
Como nascem os blogs
Há mais de dois anos Juan Gargurevich passou a fazer seu blog por insistência de seus alunos da Universidade – a PUC do Peru. Chamava-se inicialmente “Blog do Tio Juan”, mas foi rebatizado há alguns meses como “Histórias de Periodistas y de Periodismos”. Está hospedado no mesmo wordpress onde tenho o meu, exatamente porque foi numa visita ao de Juan que tive a idéia de seguir o exemplo.
A vantagem de Juan como blogueiro (talvez ele odeie a palavra) é conhecer muito bem o jornalismo os jornalistas e a história da mídia. E saber contar suas histórias como ninguém. Desconfio que os alunos resolveram pressioná-lo a fazer o blog precisamente por acharem injusto que só eles tivessem o privilégio de ouvir aquelas histórias - às vezes saborosas, às vezes alegres, às vezes dramáticas – do velho jornalista, professor e historiador (não deixe de conhecê-las AQUI).
Com isso, os estudantes acabaram por indiretamente me convencerem também a fazer alguma coisa para tirar partido desse recurso oferecido pela internet. Só que, no meu caso, por várias razões, o produto saiu bem diferente daquele oferecido originalmente pelo tio Juan. Também gosto de histórias de jornalistas e de jornalismo, já vivi muitos episódios e já ouvi muitos relatos, mas acabei atraído para outro caminho.
A surpresa no gráfico das visitas
Se me estendo tanto sobre o trabalho de Juan Gargurevich (veja ao lado outro de seus livros) é porque há muito eu esperava uma oportunidade para revelar como afinal criei este blog, inspirado na experiência dele, e como fui surpreendido pelo extraordinário interesse dos leitores (ou internautas). O primeiro post foi colocado no ar a 13 de dezembro mas permaneceu oculto e solitário por dois meses e meio, até ser refeito a duras penas (mudei até o tema), deixando ao final, entre aspas, a anotação: “atualizado a 27/2/2008″.
No desdobramento, notei o grande interesse das pessoas (e de outros blogs, que passaram a reproduzir os posts). Percebi que tinha uma responsabilidade para com o leitor. Ao mesmo tempo, isso passou a afetar minha vida pessoal. Fiz uma mudança, fiquei sem internet por mais de um mês em razão disso, e o número de visitas, obviamente, sofreu grande queda. Mas os leitores voltaram depois e o número de visitas passou a subir de novo.
Ante o interesse extraordinário pela eleição presidencial dos EUA e uma recomendação extremamente simpática do Blog do Nassif (conheça-o AQUI), o gráfico do wordpress bateu um recorde a 21 de setembro, com um pico de 1.266 visitas. Ainda que tenha havido depois um movimento de acomodação, a média regular permaneceu em patamar mais elevado. Isso permitiu registrar quase 8.500 visitas em outubro e mais de 7.500 em novembro.
Dois pedidos de desculpas
Em dezembro, afinal, veio novo golpe, com mais um imprevisto. Eu previa que no mês das festas de fim de ano dificilmente seria possível manter o ritmo de outubro e novembro, mas não esperava ser golpeado de novo pela informática. Problemas sérios de hardware (queima de fonte e queima da placa lógica), em seguida à suspensão da Tribuna da Imprensa no início do mês perturbaram toda a rotina estabelecida antes para o blog.
Os leitores, claro, responderam como era natural. O número de visitas caiu. Mas, surpreendentemente, eles parecem ter percebido que havia alguma anormalidade. Pois até hoje, dia 29, quase 6 mil leitores já visitaram este blog em dezembro. Daí o meu esforço para trazer esta explicação e fazer dois pedidos de desculpas. Um para a ausência de atualizações em julho-agosto, pela falta de acesso à internet; outra pelas falhas na segunda quinzena de dezembro.
Os problemas de hardware continuam. Este blog é feito por apenas uma pessoa, mesmo contando com a colaboração preciosa e indispensável dos leitores, com comentários sempre oportunos. Mas continuará o esforço para um retorno rápido ao ritmo ideal de atualizações, dado o interesse do leitor. De 27 de fevereiro a 29 de dezembro, o número de visitas aproxima-se de 40 mil. Neste momento, 36.221, das quais 28.247 apenas em setembro, outubro, novembro e dezembro – média mensal superior a 7 mil.

Como milhões de pessoas, acompanhei a façanha pela TV. Vi como Rumsfeld passou a ser tratado como os astros de rock e do futebol.
Aprovado pela alta hierarquia
Ela conhece melhor a América Latina do que Barack Obama (que diabo, ele nunca foi primeira dama!). Esteve na região, inclusive no Brasil, muitas vezes. E o que nos promete a secretária de Estado indicada, Hillary Clinton? Há pouco mais de um ano, ainda líder absoluta (apoiada pela cúpula do Partido Democrata, superdelegados e milhões de dólares em contribuições de campanha) entre os candidatos potenciais democratas, ela só dedicou um único parágrafo à AL em sua proposta de política externa.
Em geral tenho preferido evitar confrontos com as posições dos leitores, apesar de ter o cuidado de respeitar as opiniões divergentes. Mas retomo a questão sobre José Maria Aznar em razão de duas manifestações, em comentários, que justificam mais algumas observações. Uma delas, correta, educada e inteligente. A outra, apenas um conjunto de insultos e idéias mal formuladas.
O presidente Hugo Chávez é descuidado e franco no que fala. Usa, em sua retórica antiimperialista, metáforas quase divertidas, como chamar Bush de diabo. Mas não exagerou ao qualificar o ex-primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar de fascista. Aznar, produto típico da Opus Dei, que se reorganiza com novo alento na Espanha, sempre tratou a América Latina com desdém. Em 2002, em Madri, atreveu-se a dar ordens ao presidente Eduardo Duhalde, da Argentina, para que aceitasse e cumprisse as exigências do FMI. Reincidiu na grosseria, ao telefonar a Buenos Aires, logo depois, como um dono de fazenda telefona para seu capataz, a fim de determinar-lhe a assinatura imediata do acordo com o órgão.

Nos últimos anos, fora do governo, Aznar foi ainda mais para a direita. Passou até a negar, como a direita bushista, a ameaça do aquecimento da terra. E tem sido largamente recompensado. O bushismo garantiu-lhe empregos na Universidade de Georgetown em Washington, no Conselho Diretor do império Murdoch de mídia, no conselho do Centaurus Capital (um hedge fund) e mais mordomias.

Mesmo sendo o quadro desastroso, a seriedade da investigação é inegável. Fundado por Charles Lewis (saiba mais sobre ele 
A expressão dark side (o lado maligno, escuro, sinistro), que dá título ao livro, foi usada no programa “Meet the Press”, da NBC, ao ser o entrevistado Cheney, a 11 de setembro de 2006, perguntado sobre o lado sombrio que se atribuia ao papel dele no governo. “Parte do meu trabalho é pensar o impensável, encarar o que pode haver no arsenal terrorista contra nós”, tentou justificar ele (saiba mais sobre essa entrevista 
Os funcionários do Supremo Tribunal Federal assistiram a uma manifestação de fúria do presidente da casa, Gilmar Mendes. A tarde da terça-feira 2 mal havia começado e as agências de notícias e os sites na internet começavam a noticiar a decisão do juiz Fausto De Sanctis, que condenou o banqueiro Daniel Dantas a 10 anos de prisão. Não foi a condenação em si a provocar a ira de Mendes, mesmo se sabendo que o ministro transformou o caso Dantas em uma diatribe pelos direitos individuais contra o aterrador “Estado policial”. O ponto era a menção, na sentença do magistrado de primeira instância, de uma informação até então desconhecida por ele e pelo distinto público. “Agora pego esse cara”, afirmou, segundo relatos narrados à 
De Salvador o colunista Sebastião Nery, meu vizinho há décadas no espaço da Tribuna da Imprensa, enviou seu relato-depoimento sobre o nascimento do jornal, em dezembro de 1949. Nery estava então no seminário. Só passaria a ler todos os dias a Tribuna de Carlos Lacerda a partir de 1951, já depois de trocar Salvador por Belo Horizonte, onde eu o conheci (saiba mais sobre Nery
Em um silêncio de claustro, começou a falar, com seu galopante vozeirão de barítono. Citou amigos e companheiros da “intelectualidade católica” do Rio: Padre Helder Câmara, Alceu Amoroso Lima (Tristão de Athayde), Gustavo Corção, Octavio Faria, Gladstone Chaves de Melo, etc.
Helio Fernandes





